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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

POEMA À 5ª SINFONIA DE BEETHOVEN

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Beethoven #1

.......................................Ao Artur Neira

Foi da primeira vez
que ouvi o tam tam tam tam de Beethoven

era eu criança ainda nada
conhecia da pomba sob o cipreste

nem de dores de dentes nem da dor de Dante
muito menos da dor diante.

Foi como eu se fosse o estado puro
dum cristal que tinisse no interior duma redoma
de dentro para dentro de si próprio
de dentro para dentro do próprio cristal
da primeira vez que ouvi Beethoven
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era eu criança ainda nada conhecia dos pátios de Granada
nem de ananases redondos do Vietnam,
só sabia um pouco do sabor do sol e do sal
que trinta anos mais tarde em Londres
descobri mediterrânico.

E no entanto
o sangue acendeu-se-me de pólvora
– uma catedral cheia de formigas
no sítio dito da habitação da alma,
os músculos retesaram-se-me como a um cro-magnon
meditando um búfalo em Altamira
.
e fiquei a vida inteira a imaginar um homem surdo
atulhado em raízes de liamba
a cheirar fumo pelos tímpanos dos olhos.

em Como um Relógio de Areia