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segunda-feira, 2 de junho de 2014

VELHO VENTO


Vento viajante, ó velho vento circundante
unindo este a oeste com a tua lira redonda
sempre a sucumbir nestes horizontes,
em timbres de loucura ou mansidão.

Vento que sopras o perfume das flores,
diurno em céus de estrelas
perdidas sobre a praia azul tranquila.

Vento de memórias do sal dos ácidos,
desertos de lonjura, águias rupestres
de olhar vagabundo cavando as fragas
onde vivem os fetos, as memórias
do magma profundo que cobre o chão.

Vento abstracto, senhor dos continentes,
que arrastas a imensidão dos gelos
e a ardência dum coração audaz.

Vento violento que levas à terra o mar do tempo
na penitência duma vida despejada,
ó vento avassalador
ó vento violento,
eu te saúdo desde os princípios do caos,
para que prossigas no etéreo gesto
da transfiguração do pó dos átomos
na crónica perpétua dos dias.