,

,

cinepoema longo

clicar youtube para écran inteiro

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

POEMA LONGO

.

....

CIRCUNCICLO

....

I

...

Por toda a terra

por sobre todas as suas alucinações

e escombros

.

pelo delírio

que é a engrenagem fugidia do ar

e suas cores de incenso e fogo

.

pela vida e pela morte dos símbolos

e da roda simétrica de fortunas e ocasos

.

a roda que rola na roleta

o rolar lilás dum sonho..


Pela voraz decrepitude das formas

e suas deambulações sobre as águas

trazendo uma lágrima aos nossos olhos

e o esmorecimento ao fogo e ao incenso

-

na casualidade dum átomo

que oscilou

entre a matéria e o frágil magistério

das essências

que povoam os ares

.

e que habitam o ardil das folhas das árvores

num rosto filtrando um raio de sol

uma migalha de luz

agitando o correr das águas

e se esbatendo sobre o limbo tranquilo

do rio

dentro do nosso sangue.

.

Pela veloz sincronia do tempo e das chuvas

chuvas de águas e pó

de vulcões ardendo no magma

interior dos nossos corpos

como um fogo emergindo das cinzas

cinza que fomos antes de ser fogo

anterior à ideia que temos do corpo

..

formatados ao rochedo da montanha

no móvel desafio das areias

e seduzidos à lama e ao barro

onde nascemos da afinidade do pó pelas águas

no seu ministério de construir ficções

de água e pó

.

e que fez antigas ânforas

de marinheiros e mitos

afundados no Egeu e em Creta

donde emergiram as nossas ficções

ou na longínqua noite

de ignoradas estrelas

que brilharam na infância do tempo

..

este é o homem que somos

.

um incêndio

desde a noite mágica dos sonhos

.

e como os deuses do barro caminhamos

por sobre o barro feito luz

.

o sonho dos deuses do barro que fomos

refeito em luz

no quotidiano ciclo dos fascínios

o fascínio de ir refazendo o quotidiano.

.

(...)

.

(excerto do 1º CANTO, dum poema de 518 versos)

inédito