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terça-feira, 30 de setembro de 2008

Muros

....

Onde inventar um caminho legítimo
para o êxodo, uma porta entreaberta
respirando o ar que vem da terra?


Os muros da cidade sustentam-se
destas incertezas, destas cortinas
de fogo, este balbuciar de cansaços
inexactos, intranquilos como o fumo
esparso, dispersando vozes alheias.

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Não nos inclina a dureza das pedras,
a sua fiel sabedoria de intransigências.

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Mas tarde é inútil, para fingir exílios.


Hoje já é ontem, para o fim indiciado.

em Terrachã, ed. AJEA