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quarta-feira, 25 de julho de 2007

POEMA AOS CONDENADOS

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Já não era possível voltar atrás,
nem era possível fitar o caminho passado
com a alegria de o ter vencido.

Agora todo o arco do céu se recobria das suas cores nítidas
com fantasmas de luz fátua, constelações austeras,
andrómeda e hidra,
ainda o mesmo mistério obscuro
calava as serpentes de sedução que se enroscavam nas árvores,
à beira da mais pura lídima transgressora alegria.

As póstumas metáforas de sol dardejavam desejos imprecisos,
obsessões ímpias, espectros.

Soava uma melodia melancólica que anunciava o principio do fim,
como se ouvíssemos um piano moribundo indo para os graves.

Agora tudo se resumia a um espasmo de nocturnas
efémeras mariposas despedaçadas ao calor do dia claro,
amaldiçoando os regressos da luz,
a luz coada etérea das estrelas que para sempre brilham nos céus
e que espalham os seus ocasos imperceptíveis vagarosos,
nos olhos dos condenados.


Inédito