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domingo, 29 de junho de 2008

poema às memórias

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São as memórias que sustentam

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São as memórias que sustentam a leveza do ar,

num exercício renovado de mistérios lentos

anunciadores dos sonhos.

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Vivem em nichos vagabundos

perto do ruído das ruínas,

longe dos rios que não descansam

no ombro da margem

num tempo para fruir a leveza dos malmequeres

abruptos dos caminhos.

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Acendem-se noutras memórias

e refazem os aromas antigos,

as cores redundantes

da paisagem que flui, .já ontem.

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Um dos meus poemas que saiu no nº 11 da série DiVersos, (colectivo) edições Sempre-em-pé, Verão de 2007.

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Também com a chancela das Edições Sempre-em-pé vão ser apresentados o nº13 da série DiVersos e, ainda, os livrosGloria Victis”, de Carlos Garcia de Castro e “Rio Abaixo, Rio Acima”, de Tobias Burghardt, edição bilingue português-alemão, com tradução de Maria de Nazaré Sanches, na Casa Fernando Pessoa, Campo de Ourique, em Lisboa. As apresentações têm lugar no dia 3 de Julho, às 18 horas. A entrada é livre.

Mais informações:

www.sempreempe.pt
contacto@sempreempe.pt

sexta-feira, 20 de junho de 2008

poema ao verão

:..
POEMA AO VERÃO
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Vem ....Verão.... com pétalas de sol zunindo
a tarde ameaçada pelo incêndio da noite
súbita de harmonias, rasgada de ocultas aves
ciciando a espuma translúcida dos olhos,
devorada de penumbra.

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Vem.... Verão.... coberto de sonhos rente ao rio
exausto, de vermes apodrecido
sob o hálito fugidio das folhas secas
de sol e mistério breve –
num harpejo de searas e semente.

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Vem.... Verão..... dócil sonâmbulo abrindo
as entranhas da terra grávida,
de secura e pólen amarela
em crepúsculos voando o inverno
num violino de cigarras.

em "O FRIO DOS DIAS", edição do autor, 1986

sábado, 17 de maio de 2008

poema ao pó

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Um dia acende-se o vazio do palco

cai o pano sobre o pó

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evaporam as palavras dos teus olhos

.

um pássaro boceja à beira do tempo

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depois

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não haverá antes nem depois

apenas um silêncio

um perfume ecoando pelo vale

uma folha dolorida levada pelo rio.

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Este poema é um dos que integram o livro "Transparências". .Este livro, editado pela AJEA (Associação dos Jornalistas e Escritores do Algarve), acompanha o recentemente publicado "Arabescos", pelo preço global de 5 euros.

terça-feira, 13 de maio de 2008

a pacificação

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A pacificação das massas

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Concertados os adjuvantes, os catalisadores,
os adjudicadores da síntese que presidiu à ideia


.....a ideia era resolver a punho (mas a contento!)
.....o gume que se punha como o sol a pino
.....sobre o alto das nossas cabeças

e que (sabe-se lá desde quando!...)
nos tem vindo a re partir a alma em duas
o cu e o banco (à mesa) em dois.


Vieram os de em baixo tecer uma grande alcatifa
até cima.


Assim foi a cintilante pirâmide de Mikerinos
hoje exaustivamente medida
em todos os possíveis ângulos
sempre que a terra treme
ao longo da grande falha de S. Francisco.


Paralelamente (a dar fé a um persistente fluxo hertziano
que corre de norte para sul
e muito particularmente de ocidente para ocidente)


foi o apaziguamento dos espíritos

(a panificação das massas)

democraticamente

amen

em "Poemas Satíricos e Outros" (Bodas de Prata), ed. Mic do Fernando Grade.

sábado, 10 de maio de 2008

................poemetos #9
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Belo


é música abstracta dos teus olhos

a leveza dum peão num jogo de xadrez

o silêncio do vento

anunciador da tempestade.


inédito

terça-feira, 6 de maio de 2008

POEMA AO PÂNTANO DO SOL

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Esta indolência do ar,

o calor ainda húmido da terra

aberta a um olhar fecundo


que apodrece o pântano do sol

em imagem de poeiras imprecisas

pairando à luz do dia


como um tímido cristal

reflectindo a luz na brisa -


águas breves

caindo sobre a fronte


escorrendo

para o interior dos olhos indolentes

de quem conhece a terra

coberta pelo sol.



inédito

segunda-feira, 28 de abril de 2008

25 de ABRIL - dias depois...

postais ilustrados #6
clique para melhor ler o texto

A ilustração é da autoria de Jorge Norvick e foi elaborada segundo a técnica do linóleo, a que o autor ajuntou outros elementos, ou texturas. Dela se tiraram 1.000 exemplares que, dadas as características do próprio linóleo e o seu carácter artesanal, são sempre muito ligeiramente diferentes umas das outras. Tem acompanhado (a título de oferta extra), juntamente com o livro de poesia "Transparências" a promoção de "Arabescos", o meu mais recente livro de poesia.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

.25 de ABRIL

-.
....
uma bandeira na mão
....outra no peito

.ç
....atrás da razão
... .o direito.

em "Poemetos II" (em preparação)

quarta-feira, 16 de abril de 2008

É O VENTO A INTERPRETAR

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É o vento a interpretar o verdadeiro desígnio destes campos,
migalhas de pó que se transportam ondeando as ervas e os matos
para um tempo breve, onde dispor um incêndio, junto ao corpo
das excessivas lembranças, no anónimo exílio das cidades.

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Quanto basta é o sossego dos lugares soltos ao festim do sol,
a asa dum insecto que se recorta no azul perdurável da terra.

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Assim me ensinaram os perfumes da urze, que chegam de longe,
o estorninho escondido dos olhares, desconfiado dos destinos.

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E aqui reconheço, no chão caminho das águas, a serenidade
deste pastor imperturbável às formas fulgurantes do silêncio
que soa entre as árvores, o trânsito liberto, perpétuo, das seivas,
a exacta, útil degenerescência do conceito urbano de solidão.

em Terrachã, ed AJEA/2004

segunda-feira, 7 de abril de 2008

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Sem saber como nem donde

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Sem saber como nem donde eu vinha,

enfiei os pés na água escorrendo daqueles olhos escuros

que fitavam a eternidade.

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Estava o caminho recoberto de musgo, líquens sobre a pedra,

pedaços de ervas e árvores decaindo aos bolores do tempo.

Ao lado, uma bola prateada, redonda, rodava na roleta

e caía num poço

que se estendia às fragas da montanha

a avultar na minha frente,

derruindo.

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Sinto um baque no barro do coração.

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Amanhã virá a manhã a sair das trevas.

Sonho, logo ainda existo.

E é pelo sonho que resisto.

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Mas não há maneira de sair dali.


O meu cérebro trabalha tão depressa como a seiva,

o coração da terra reclamando os seus mártires;

tanto mais que eu e ela nos aproximávamos tanto,

nos colávamos tanto na mesma visão de fogo e cinzas,

que eu comecei a perceber que não havia nada

como aquele calor

que me chegava ao sangue e me transformava num ser repleto,

saturado da ternura daquele momento,

daquela suprema verdade.

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Bebi da água

que aos poucos ia dissolvendo o barro do meu coração.

Deixei correr as estradas, as estrelas,

os rios do mesmo deslumbramento.

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Era dia, em todas as madrugadas da minha paixão.

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inédito

quinta-feira, 3 de abril de 2008

A BORBOLETA

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HOMENAGEM À PRIMAVERA


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Borboleta bonitita versejando
sobre as flores do quintal
pôs os ovos numa couve -
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oh, céu, menina!,
:
a beleza principal!...

domingo, 30 de março de 2008

POEMA JUNTO AO MAR

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A amiga sophiamar, administradora do blog a ver o mar, teve a gentileza de elaborar uma postagem sobre um poema meu e, mais, compor a cena com a minha fotografia e excertos de alguma da minha biografia patente no livro “Escritores Portugueses do Algarve”. O poema agora transcrito foi um dos que a Professora Ilena Gonçalves seleccionou para a citada antologia, editada pelas prestigiadas edições Colibri, em 2006. Aqui fica o poema, e o meu muito obrigado à sophiamar, pela cortesia.

JUNTO AO MAR

Sempre encontrei a plenitude na plenitude junto ao mar.
Talvez (e talvez seja a palavra imprecisa por excelência/
assim uma irremediável certeza na dúvida certa/
um latejar súbito apressado inquieto coração/
ao impulso da adrenalina/) talvez, dizia,
junto ao mar sinta eu o ruído da terra o mais profundo
confundindo-se com o do mar
e com este o do meu pulsar inquieto coração
que trago debaixo destes olhos de horizontes.

Junto ao mar, talvez (porque o mar foi – e é –
o princípio das coisas e se prolonga
por subsequente cadência ou consequente inércia)
talvez, dizia, tenha eu o inconsciente lampejo
de omnisciente consciência abarcando o todo
a terra e o mar, e o meu ser de água e pó,
a inconsciente consciência que traz a plenitude
que só encontro plenamente na plenitude junto ao mar.

E ele aí está – mar, ó mar que vens das raízes do sal/
que mantém em equilíbrio o desequilíbrio constante
do meu sangue/ mar onde se acalma o desassossego
dos meus dias inquietos/ mar onde descanso o olhar
olhando olhando apenas a tua imensidade ó mar.

Ou talvez apenas,
talvez
porque eu tenha nascido junto ao mar.

Poema originariamente publicado em "Como um Relógio de Areia", ed. Mic, 1988

terça-feira, 25 de março de 2008

A LEI DE LAVOISIER


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nada se perde nada se forma
-
tudo se trans-
-torna
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em POEMETOS I - ed. litoral (esgotado)


sexta-feira, 21 de março de 2008

OS VAGABUNDOS DA SORTE






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ç




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-
Vinham de longe, duma lonjura distraída,
os pés doridos por cima de pedras
impassíveis às chuvas que se avizinhavam,
vultos frágeis de vertigens, entre sóis e abismos,
para semear ruínas sobre as horas inertes, sem data.
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Seguiam pelo caminho estreito afeiçoado aos séculos,
enquanto uma sombra passava sobre o sol moribundo
e um rio macilento se afogava de nudez, no seio da serra.
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Traziam fantasmas de medo nos olhos,
o frio das trevas longamente vividas em profundezas
de claustros cheios de incenso,
no decurso das tempestades nascentes,
e nos relâmpagos de génios incendiados
que logo se apagam e que deixam no ar o sabor amargo
da náusea, o torpor do ópio.
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Eram os vagabundos da sorte, filhos do esquecimento,
enredados num mar de escolhos,
até às últimas madrugadas destes dias.
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Traziam tudo o que para eles já fora perdido,
ou inimaginado de perder.
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Nada ficava de fora, nem a agonia das formas ainda vivas.
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Mas ainda e sempre, traziam em si a levedura do sonho,
que faz advir o pão imperioso,
na patética travessia dos desertos,
para derribar,
rasar,
alisar as montanhas que se vêm ao longe,
dentro da alma.
ç
inédito
(desenho do autor)

+

sexta-feira, 14 de março de 2008

l
BREVE PROPOSIÇÃO CONJUNTA

DE EINSTEIN E EU
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A lei da relatividade
ç
ou
n
a grei da relativida?
ç
em POEMETOS I, ed. litoral, (esg)

terça-feira, 11 de março de 2008

POEMA À MEMÓRIA DO TEU CORPO


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A memória do teu corpo é a paisagem dum tumulto

um cântico absorto antes de arrebatadas chuvas.

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Traz o vestígio incandescente dos mares de levante

a ardência duma praia restituída de lembranças.

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É uma semente a colorir os teus quadris de incenso

uma celebração ofegante sobre o umbral dum leito.

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Relembro-o pela terra, os frutos, as formas macias

do respirar do vento como em teus olhos de alecrim.

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E nunca hei-de renunciar ao seu apelo mágico,

para não desmerecer, num sonho, o teu pretérito.

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....Este poema pertence a "TRANSPARÊNCIAS",

....e segue na aquisição do meu mais recente livro,

...."ARABESCOS" (a título de oferta),

.....pelo preço global de 5 euros.

l

........Ver postagem anterior (ou a de 1 de Março)

sexta-feira, 7 de março de 2008

HOMENAGEM

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JOEL d´ ÁVILA


Usava o pseudónimo desde os tempos de estudante, em Coimbra, sempre que escrevia poesia ou a recitava, em público. Conheci-o pouco antes de seguir para além Pirenéus, para desembaraçar-me da mordaça do Fascismo.
Quando regressei, largos anos depois, voltei a encontrá-lo e fiquei a saber (também por amigos comuns), que durante esse tempo, fora um constante divulgador da minha poesia. O seu favorito era Poema para Hoje, escrito em 1963 (ou 64), mas que só viria a ser publicado quando regressei, num livro intitulado precisamente «POEMA PARA HOJE», há muito esgotado.
Declamava por toda a parte, fosse em almoços de antigos estudantes, ou colegas profissão, Casas de Fado, ou mesmo em Cafés e Tascas.
A sua voz e o seu arrebatamento, encantavam e empolgavam, principalmente em poemas de exaltação e incitamento à liberdade e à luta, como no muito extenso Poema para Hoje, que começa assim:

É a hora, irmão!

Vencer, ou morrer!

Mil vezes vencerás
se mil vezes fincares os pés na terra -
norte da luta, pelo ideal vincado nas mãos.

(…)

Um tarde, num Café, começou a recitar-me uns versos.
Depois, ante o meu silêncio interrogativo, perguntou-me se eu não me lembrava deles. Disse-lhe que tinha uma vaga ideia que escrevera um poema algo semelhante, mas que se perdera, há muito, na minha ausência.
- O poema é teu! – exclamou ele.
Eu perdera-o, ele gravara-o na sua mente! E aqui o publico, como singela homenagem a um grande amigo, que a morte, cedo, levou.

TU

Negros sãos teus cabelos louros
amarelos também teus olhos cinza
de branco tingirei minha alma gris

E se gosto tanto dos teus olhos
o verde intenso dos teus seios
o rosa velho dos teus lábios
e me fica tão bem a alma azul

é porque demais adoro
os tons variados do arco-íris

poema de.. ARABESCOS......

................em promoção..

livros.ARABESCOS + TRANSPARÊNCIAS - 5 euros

conforme postagem anterior

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

POEMETO

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..................e aqui veio cair

..

........um pássaro inteiro


as asas abertas ao calor da terra

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....Poemeto de abertura para Poemetos II (em preparação)



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

POEMA MUITO RITMADO

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............Musgo d’água.....
luz..... escuna d’ar
............em que país..... ou praia limpa..... ou mar


Em que outro gesto..... de ver..... olhando
ó terra..... ó pedra obscura..... quando


Em que país...... ou febre...... ou fogo
certeza certa...... miragem...... logro


És sonho..... és vento...... espuma d`água
raiz do nada...... escolho...... ou fraga


ou te não vejo..... de tanto olhar
neste país..... na praia limpa..... neste mar


Acorda...... Luz...... A noite olvida
Dou-te uma flor..... meu sonho..... a vida


Em "ARABESCOS"; edição litoral.
A ser apresentado no próximo Domingo, dia 24 de Fevereiro,
pelas 16 horas, em Artebúrguer, Praia da Luz, Lagos.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

UM POEMA AO VENTO

.....
O mecanismo do vento
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Entender o mecanismo do vento, o seu carácter transitório,
o caminho das pétalas duma flor sobre um vidro transparente
que reflecte a imagem do próprio frio do vidro colado ao tempo
.
é um acto que pressupõe a elaboração cuidada dum inventário
das causas remotas, um roteiro para o exacto declive das águas
que vêm da montanha, coabitando na terra, unindo-se à terra.
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Essa é a verdadeira ciência dos musgos e do pólen que alaga
os nossos olhos com círculos irisados de sol, que transfigura
o nome que se dá a uma maçã, mesmo se na forma duma pedra;

e dessa textura é a frágil química dos sonhos, da predestinação
das noites caindo devagar sobre as nossas mãos demoradas,
a sua eterna transfiguração, o ciclo da água, o círculo do planeta.
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em Terrachã, ed. AJEA

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

POEMA À MOSCA

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Pobre irmã mosca, triste insecto díptero, abundante de olhos
para não ver a teia, para não respirar as trevas à luz do dia!

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Como eu te invejo, mas martirizo com vidros transparentes
azuis-brancos, imitações de fruta, aromas a romã, outras sinais
com que perdes a cabeça e ganhas o engenho da cópula,
nas lides, nas tardes chãs de apenas buscar a seiva árida!

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Ah, minha querida mosca, meu devaneio de ser homem
com olhos dentro dos olhos, para ver outras realidades, cores,
dimensões que tu nunca mediste, na tua inocência agrária
de apenas medir o tamanho do teu voo, das tuas patas ágeis
para desembarcar nos espaços nus onde reina a tranquilidade

.
um lugar para existir devagar sobre as coisas que são as tuas
onde encontrar outra mosca irmã, para completar a crónica.

em Terrachã, ed. AJEA

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

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Lembranças
......
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Ainda restam uns pedaços do sonho
porque os sonhos perduram para além do sonho
porque a tua lembrança acende todas as lembranças
porque outras imagens murmuram a tua imagem.
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É pois, o tempo das memórias,
da água que desliza sobre as águas
o vento que se dilui nos ares
a pedra petrificada restituindo a pedra.
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Restos de palavras que dizem outras palavras,
de alegrias que imitam a alegria,
de pequenos silêncios no vazio silente
irrepetível do sonho
que fez de ti a tua imagem em outrem,
despedaçando-se,
até vir o ágil mar do sono.
,
em TRANSPARÊNCIAS, ed AJEA

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

POEMA ÀS ARTES MÁGICAS

.......
.......Por artes mágicas

.......e outras lógicas

.......nos rigores do mar
.......nas velas brancas
.......como espuma de ar

.......derribando os continentes
.......e as ilhas
.......por onde andei

.......nas noites e nos dias
.......me aventurei
.......ao interior dos vulcões

.......e vi
.......nas noites do sonho
.......e utopia

.......a lua clara
.......em pleno dia.