,

,
Mostrar mensagens com a etiqueta olhos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta olhos. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 24 de setembro de 2013

PELAS TARDES DE SETEMBRO

PELAS TARDES DE SETEMBRO
,
Pelas tardes de Setembro
quando à tarde o sol esmorece a exígua luz
e a luz se desfaz na penumbra dos meus olhos,
há um rumor no ar alucinado,
uma labareda de adultas asas de insectos adejando
o assombro que trará a bruma
às sombras da fatal melancolia.
 .
São os ecos dum naufrágio anunciado
em dissertações da ciência do tempo,
os sedimentos dos rios
em exercícios da matéria frágil das flores,
suas folhas perecíveis,
seus estigmas que vão no vento.
 -
São as frases nunca pronunciadas
dum texto oculto desvendado
no declínio da voz inquieta
perturbada da terra.
 -
Atentemos pois, nesse momento único,
nessa clarividência da luz clara
esses pedaços da sombra,
como vozes de antigas melodias
das árvores nuas, arrebatadas.
 -
São a nossa própria essência,
um murmúrio das águas derramadas sobre a água,
vestígios de um cântico de paixão
sobre a terra chã, sobre o chão
que ecoa o nossos pés.
.
inédito

sábado, 17 de maio de 2008

poema ao pó

.

PÓ

..

.

Um dia acende-se o vazio do palco

cai o pano sobre o pó

.

evaporam as palavras dos teus olhos

.

um pássaro boceja à beira do tempo

.

depois

.

não haverá antes nem depois

apenas um silêncio

um perfume ecoando pelo vale

uma folha dolorida levada pelo rio.

.
Este poema é um dos que integram o livro "Transparências". .Este livro, editado pela AJEA (Associação dos Jornalistas e Escritores do Algarve), acompanha o recentemente publicado "Arabescos", pelo preço global de 5 euros.

terça-feira, 6 de maio de 2008

POEMA AO PÂNTANO DO SOL

.

Esta indolência do ar,

o calor ainda húmido da terra

aberta a um olhar fecundo


que apodrece o pântano do sol

em imagem de poeiras imprecisas

pairando à luz do dia


como um tímido cristal

reflectindo a luz na brisa -


águas breves

caindo sobre a fronte


escorrendo

para o interior dos olhos indolentes

de quem conhece a terra

coberta pelo sol.



inédito

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

POEMA À MOSCA

.

Pobre irmã mosca, triste insecto díptero, abundante de olhos
para não ver a teia, para não respirar as trevas à luz do dia!

.
Como eu te invejo, mas martirizo com vidros transparentes
azuis-brancos, imitações de fruta, aromas a romã, outras sinais
com que perdes a cabeça e ganhas o engenho da cópula,
nas lides, nas tardes chãs de apenas buscar a seiva árida!

.
Ah, minha querida mosca, meu devaneio de ser homem
com olhos dentro dos olhos, para ver outras realidades, cores,
dimensões que tu nunca mediste, na tua inocência agrária
de apenas medir o tamanho do teu voo, das tuas patas ágeis
para desembarcar nos espaços nus onde reina a tranquilidade

.
um lugar para existir devagar sobre as coisas que são as tuas
onde encontrar outra mosca irmã, para completar a crónica.

em Terrachã, ed. AJEA