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domingo, 2 de janeiro de 2011

POEMAS ILUSTRADOS (6)

MARINHEIRO


 .
Este é um dos quadros da minha 
1ª Exposição de Poesia Ilustrada, 
concebida apenas por meios informáticos.
A Exposição será inaugurada no Espaço Cultural Artebúrger, 
Praia da Luz (Lagos), no dia 15 de Janeiro, pelas 17 horas.
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Na mesma data será apresentado o opúsculo "As Cores do Poema", 
que contém os poemas integrais e as miniaturas dos quadros.
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* Os quadros, em formato A3, têm moldura e passe-partout.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

PAISAGEM

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Percorro esta paisagem com os olhos
e vejo grandes árvores perfiladas contra o vento,
mas o vento é a luz que esvanece nos meus olhos
as árvores que não vejo como vejo ou imagino.

Nos meus olhos há florestas
ervas que se erguem para ser árvores
no seio interior da paisagem,
esta paisagem que eu percorro com os olhos.

E é esse o caminho liberto a esvoaçar em bandos de aves
que vêm de longe, donde o vento sopra
o ânimo dum milagre feito mágica
de azuis e verdes no cinzento da minha terra.


inédito

terça-feira, 1 de setembro de 2009

domingo, 29 de junho de 2008

poema às memórias

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São as memórias que sustentam

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São as memórias que sustentam a leveza do ar,

num exercício renovado de mistérios lentos

anunciadores dos sonhos.

.

Vivem em nichos vagabundos

perto do ruído das ruínas,

longe dos rios que não descansam

no ombro da margem

num tempo para fruir a leveza dos malmequeres

abruptos dos caminhos.

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Acendem-se noutras memórias

e refazem os aromas antigos,

as cores redundantes

da paisagem que flui, .já ontem.

:
Um dos meus poemas que saiu no nº 11 da série DiVersos, (colectivo) edições Sempre-em-pé, Verão de 2007.

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Também com a chancela das Edições Sempre-em-pé vão ser apresentados o nº13 da série DiVersos e, ainda, os livros “Gloria Victis”, de Carlos Garcia de Castro e “Rio Abaixo, Rio Acima”, de Tobias Burghardt, edição bilingue português-alemão, com tradução de Maria de Nazaré Sanches, na Casa Fernando Pessoa, Campo de Ourique, em Lisboa. As apresentações têm lugar no dia 3 de Julho, às 18 horas. A entrada é livre.

Mais informações:

www.sempreempe.pt
contacto@sempreempe.pt

sábado, 17 de maio de 2008

poema ao pó

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PÓ

..

.

Um dia acende-se o vazio do palco

cai o pano sobre o pó

.

evaporam as palavras dos teus olhos

.

um pássaro boceja à beira do tempo

.

depois

.

não haverá antes nem depois

apenas um silêncio

um perfume ecoando pelo vale

uma folha dolorida levada pelo rio.

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Este poema é um dos que integram o livro "Transparências". .Este livro, editado pela AJEA (Associação dos Jornalistas e Escritores do Algarve), acompanha o recentemente publicado "Arabescos", pelo preço global de 5 euros.

terça-feira, 13 de maio de 2008

a pacificação

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A pacificação das massas

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Concertados os adjuvantes, os catalisadores,
os adjudicadores da síntese que presidiu à ideia


.....a ideia era resolver a punho (mas a contento!)
.....o gume que se punha como o sol a pino
.....sobre o alto das nossas cabeças

e que (sabe-se lá desde quando!...)
nos tem vindo a re partir a alma em duas
o cu e o banco (à mesa) em dois.


Vieram os de em baixo tecer uma grande alcatifa
até cima.


Assim foi a cintilante pirâmide de Mikerinos
hoje exaustivamente medida
em todos os possíveis ângulos
sempre que a terra treme
ao longo da grande falha de S. Francisco.


Paralelamente (a dar fé a um persistente fluxo hertziano
que corre de norte para sul
e muito particularmente de ocidente para ocidente)


foi o apaziguamento dos espíritos

(a panificação das massas)

democraticamente

amen

em "Poemas Satíricos e Outros" (Bodas de Prata), ed. Mic do Fernando Grade.

terça-feira, 6 de maio de 2008

POEMA AO PÂNTANO DO SOL

.

Esta indolência do ar,

o calor ainda húmido da terra

aberta a um olhar fecundo


que apodrece o pântano do sol

em imagem de poeiras imprecisas

pairando à luz do dia


como um tímido cristal

reflectindo a luz na brisa -


águas breves

caindo sobre a fronte


escorrendo

para o interior dos olhos indolentes

de quem conhece a terra

coberta pelo sol.



inédito

segunda-feira, 28 de abril de 2008

25 de ABRIL - dias depois...

postais ilustrados #6
clique para melhor ler o texto

A ilustração é da autoria de Jorge Norvick e foi elaborada segundo a técnica do linóleo, a que o autor ajuntou outros elementos, ou texturas. Dela se tiraram 1.000 exemplares que, dadas as características do próprio linóleo e o seu carácter artesanal, são sempre muito ligeiramente diferentes umas das outras. Tem acompanhado (a título de oferta extra), juntamente com o livro de poesia "Transparências" a promoção de "Arabescos", o meu mais recente livro de poesia.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

.25 de ABRIL

-.
....
uma bandeira na mão
....outra no peito

.ç
....atrás da razão
... .o direito.

em "Poemetos II" (em preparação)

quarta-feira, 16 de abril de 2008

É O VENTO A INTERPRETAR

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É o vento a interpretar o verdadeiro desígnio destes campos,
migalhas de pó que se transportam ondeando as ervas e os matos
para um tempo breve, onde dispor um incêndio, junto ao corpo
das excessivas lembranças, no anónimo exílio das cidades.

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Quanto basta é o sossego dos lugares soltos ao festim do sol,
a asa dum insecto que se recorta no azul perdurável da terra.

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Assim me ensinaram os perfumes da urze, que chegam de longe,
o estorninho escondido dos olhares, desconfiado dos destinos.

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E aqui reconheço, no chão caminho das águas, a serenidade
deste pastor imperturbável às formas fulgurantes do silêncio
que soa entre as árvores, o trânsito liberto, perpétuo, das seivas,
a exacta, útil degenerescência do conceito urbano de solidão.

em Terrachã, ed AJEA/2004

quinta-feira, 3 de abril de 2008

A BORBOLETA

-
HOMENAGEM À PRIMAVERA


.
.
Borboleta bonitita versejando
sobre as flores do quintal
pôs os ovos numa couve -
.
oh, céu, menina!,
:
a beleza principal!...

domingo, 30 de março de 2008

POEMA JUNTO AO MAR

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A amiga sophiamar, administradora do blog a ver o mar, teve a gentileza de elaborar uma postagem sobre um poema meu e, mais, compor a cena com a minha fotografia e excertos de alguma da minha biografia patente no livro “Escritores Portugueses do Algarve”. O poema agora transcrito foi um dos que a Professora Ilena Gonçalves seleccionou para a citada antologia, editada pelas prestigiadas edições Colibri, em 2006. Aqui fica o poema, e o meu muito obrigado à sophiamar, pela cortesia.

JUNTO AO MAR

Sempre encontrei a plenitude na plenitude junto ao mar.
Talvez (e talvez seja a palavra imprecisa por excelência/
assim uma irremediável certeza na dúvida certa/
um latejar súbito apressado inquieto coração/
ao impulso da adrenalina/) talvez, dizia,
junto ao mar sinta eu o ruído da terra o mais profundo
confundindo-se com o do mar
e com este o do meu pulsar inquieto coração
que trago debaixo destes olhos de horizontes.

Junto ao mar, talvez (porque o mar foi – e é –
o princípio das coisas e se prolonga
por subsequente cadência ou consequente inércia)
talvez, dizia, tenha eu o inconsciente lampejo
de omnisciente consciência abarcando o todo
a terra e o mar, e o meu ser de água e pó,
a inconsciente consciência que traz a plenitude
que só encontro plenamente na plenitude junto ao mar.

E ele aí está – mar, ó mar que vens das raízes do sal/
que mantém em equilíbrio o desequilíbrio constante
do meu sangue/ mar onde se acalma o desassossego
dos meus dias inquietos/ mar onde descanso o olhar
olhando olhando apenas a tua imensidade ó mar.

Ou talvez apenas,
talvez
porque eu tenha nascido junto ao mar.

Poema originariamente publicado em "Como um Relógio de Areia", ed. Mic, 1988

terça-feira, 25 de março de 2008

A LEI DE LAVOISIER


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.
nada se perde nada se forma
-
tudo se trans-
-torna
.
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em POEMETOS I - ed. litoral (esgotado)


sexta-feira, 21 de março de 2008

OS VAGABUNDOS DA SORTE






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ç




.
.
-
Vinham de longe, duma lonjura distraída,
os pés doridos por cima de pedras
impassíveis às chuvas que se avizinhavam,
vultos frágeis de vertigens, entre sóis e abismos,
para semear ruínas sobre as horas inertes, sem data.
.
Seguiam pelo caminho estreito afeiçoado aos séculos,
enquanto uma sombra passava sobre o sol moribundo
e um rio macilento se afogava de nudez, no seio da serra.
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Traziam fantasmas de medo nos olhos,
o frio das trevas longamente vividas em profundezas
de claustros cheios de incenso,
no decurso das tempestades nascentes,
e nos relâmpagos de génios incendiados
que logo se apagam e que deixam no ar o sabor amargo
da náusea, o torpor do ópio.
.
Eram os vagabundos da sorte, filhos do esquecimento,
enredados num mar de escolhos,
até às últimas madrugadas destes dias.
.
Traziam tudo o que para eles já fora perdido,
ou inimaginado de perder.
.
Nada ficava de fora, nem a agonia das formas ainda vivas.
.
Mas ainda e sempre, traziam em si a levedura do sonho,
que faz advir o pão imperioso,
na patética travessia dos desertos,
para derribar,
rasar,
alisar as montanhas que se vêm ao longe,
dentro da alma.
ç
inédito
(desenho do autor)

+

sexta-feira, 14 de março de 2008

l
BREVE PROPOSIÇÃO CONJUNTA

DE EINSTEIN E EU
ç
A lei da relatividade
ç
ou
n
a grei da relativida?
ç
em POEMETOS I, ed. litoral, (esg)

terça-feira, 11 de março de 2008

POEMA À MEMÓRIA DO TEU CORPO


ç

A memória do teu corpo é a paisagem dum tumulto

um cântico absorto antes de arrebatadas chuvas.

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Traz o vestígio incandescente dos mares de levante

a ardência duma praia restituída de lembranças.

.

É uma semente a colorir os teus quadris de incenso

uma celebração ofegante sobre o umbral dum leito.

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Relembro-o pela terra, os frutos, as formas macias

do respirar do vento como em teus olhos de alecrim.

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E nunca hei-de renunciar ao seu apelo mágico,

para não desmerecer, num sonho, o teu pretérito.

.,

....Este poema pertence a "TRANSPARÊNCIAS",

....e segue na aquisição do meu mais recente livro,

...."ARABESCOS" (a título de oferta),

.....pelo preço global de 5 euros.

l

........Ver postagem anterior (ou a de 1 de Março)

sexta-feira, 7 de março de 2008

HOMENAGEM

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JOEL d´ ÁVILA


Usava o pseudónimo desde os tempos de estudante, em Coimbra, sempre que escrevia poesia ou a recitava, em público. Conheci-o pouco antes de seguir para além Pirenéus, para desembaraçar-me da mordaça do Fascismo.
Quando regressei, largos anos depois, voltei a encontrá-lo e fiquei a saber (também por amigos comuns), que durante esse tempo, fora um constante divulgador da minha poesia. O seu favorito era Poema para Hoje, escrito em 1963 (ou 64), mas que só viria a ser publicado quando regressei, num livro intitulado precisamente «POEMA PARA HOJE», há muito esgotado.
Declamava por toda a parte, fosse em almoços de antigos estudantes, ou colegas profissão, Casas de Fado, ou mesmo em Cafés e Tascas.
A sua voz e o seu arrebatamento, encantavam e empolgavam, principalmente em poemas de exaltação e incitamento à liberdade e à luta, como no muito extenso Poema para Hoje, que começa assim:

É a hora, irmão!

Vencer, ou morrer!

Mil vezes vencerás
se mil vezes fincares os pés na terra -
norte da luta, pelo ideal vincado nas mãos.

(…)

Um tarde, num Café, começou a recitar-me uns versos.
Depois, ante o meu silêncio interrogativo, perguntou-me se eu não me lembrava deles. Disse-lhe que tinha uma vaga ideia que escrevera um poema algo semelhante, mas que se perdera, há muito, na minha ausência.
- O poema é teu! – exclamou ele.
Eu perdera-o, ele gravara-o na sua mente! E aqui o publico, como singela homenagem a um grande amigo, que a morte, cedo, levou.

TU

Negros sãos teus cabelos louros
amarelos também teus olhos cinza
de branco tingirei minha alma gris

E se gosto tanto dos teus olhos
o verde intenso dos teus seios
o rosa velho dos teus lábios
e me fica tão bem a alma azul

é porque demais adoro
os tons variados do arco-íris

poema de.. ARABESCOS......

................em promoção..

livros.ARABESCOS + TRANSPARÊNCIAS - 5 euros

conforme postagem anterior