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Um pau
um triângulo negro entre as pernas
uma pedra
um coup de poing
um biface muito polido
uns olhos – provavelmente uns olhos
uma faca afiada
uma funda e um calhau
uma espada
uns olhos – aqueles olhos
uma taça de rhum
um mosquete
uma espingarda por dois cálices de absinto
uma granada
uma metralhadora máquina de costura
um obus
duas papoilas de ópio para enfeitar a alma
um canhão sem recuo e outro no cu
uma bebedeira de vodka
um foguete
a minha vida pela menina dos teus olhos
um sabre
uma V5 voadora
os teus olhos mil cores
..mil formas
....mil desejos
......mil vezes mil a eternidade
num cigarro de marijuana
um míssil
uma bomba atómica e outra de hidrogénio
um super-canhão
uma bomba de neutrões
um chuto na viola
um tiro na testa
meu amor
minha heroína de todos os sonhos
meu amor
meu amor
meu amor
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............inédito
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sábado, 4 de fevereiro de 2012
A GUERRA E A PAZ (2)
sábado, 4 de abril de 2009
TRÂNSITO
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as árvores respiram o ópio da noite
o frio tépido do sol em transe
Crisálida.... insecto-tépido voa
voa nas folhas.... em transe a seiva
E há.... o.... a.... insecto em transe
no canto puro da seiva
À noite o ópio é puro
manhã vem cumprir
a lei das coisas
E nasce em transe
o fogo.... o fumo
de.... o.... a.... insecto eterno
em trânsito.
-
em "O FRIO DOS DIAS"
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sexta-feira, 21 de março de 2008
OS VAGABUNDOS DA SORTE

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Vinham de longe, duma lonjura distraída,
os pés doridos por cima de pedras
impassíveis às chuvas que se avizinhavam,
vultos frágeis de vertigens, entre sóis e abismos,
para semear ruínas sobre as horas inertes, sem data.
os pés doridos por cima de pedras
impassíveis às chuvas que se avizinhavam,
vultos frágeis de vertigens, entre sóis e abismos,
para semear ruínas sobre as horas inertes, sem data.
Seguiam pelo caminho estreito afeiçoado aos séculos,
enquanto uma sombra passava sobre o sol moribundo
e um rio macilento se afogava de nudez, no seio da serra.
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Traziam fantasmas de medo nos olhos,
o frio das trevas longamente vividas em profundezas
de claustros cheios de incenso,
no decurso das tempestades nascentes,
e nos relâmpagos de génios incendiados
que logo se apagam e que deixam no ar o sabor amargo
da náusea, o torpor do ópio.
Traziam fantasmas de medo nos olhos,
o frio das trevas longamente vividas em profundezas
de claustros cheios de incenso,
no decurso das tempestades nascentes,
e nos relâmpagos de génios incendiados
que logo se apagam e que deixam no ar o sabor amargo
da náusea, o torpor do ópio.
Eram os vagabundos da sorte, filhos do esquecimento,
enredados num mar de escolhos,
até às últimas madrugadas destes dias.
Traziam tudo o que para eles já fora perdido,
ou inimaginado de perder.
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Nada ficava de fora, nem a agonia das formas ainda vivas.
Nada ficava de fora, nem a agonia das formas ainda vivas.
Mas ainda e sempre, traziam em si a levedura do sonho,
que faz advir o pão imperioso,
na patética travessia dos desertos,
para derribar,
rasar,
alisar as montanhas que se vêm ao longe,
dentro da alma.
ç
inédito (desenho do autor)
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