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domingo, 26 de setembro de 2010
DESÍGNIO
quarta-feira, 16 de abril de 2008
É O VENTO A INTERPRETAR
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É o vento a interpretar o verdadeiro desígnio destes campos,
migalhas de pó que se transportam ondeando as ervas e os matos
para um tempo breve, onde dispor um incêndio, junto ao corpo
das excessivas lembranças, no anónimo exílio das cidades.
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a asa dum insecto que se recorta no azul perdurável da terra.
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o estorninho escondido dos olhares, desconfiado dos destinos.
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deste pastor imperturbável às formas fulgurantes do silêncio
que soa entre as árvores, o trânsito liberto, perpétuo, das seivas,
a exacta, útil degenerescência do conceito urbano de solidão.
em Terrachã, ed AJEA/2004
sábado, 10 de novembro de 2007
POEMA À CIDADE
A cidade irá permanecer depois da minha morte:
irá permanecer em metamorfoses de claridade
o céu esvanecendo a reminiscência duma elipse
num sentimento ainda vago pelas ausências.
a de exercer a utopia num casulo de teias indeléveis
só perceptíveis nas mais ocultas noites
onde os sonhos abusam dos olhos comovidos.
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insondável, de mistérios irrevelados,
insolúveis, mas destros de memórias
doutros tempos, do tempo ausente, de ontem.
de raízes demoradas sobre a terra, na solidão dos dias
e irá até ao limite a luminescência da noite
flutuando sobre o infinito de outras vidas interinas.