| em "LAGOS ONTEM", 2ª ed. Câmara Municipal de Lagos, esg |
,
Mostrar mensagens com a etiqueta perfume. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta perfume. Mostrar todas as mensagens
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Etiquetas:
azenha poema,
Câmara Municipal de Lagos,
camponês,
engrenagem poema,
eterno retorno,
Lagos Ontem,
mecanismo,
perfume,
trigo,
vala
domingo, 26 de setembro de 2010
DESÍGNIO
.
São os ventos a interpretar o verdadeiro desígnio destes campos,
migalhas de pó que se transportam ondeando as ervas e os matos
para um tempo breve, onde dispor um incêndio, junto ao corpo
das excessivas lembranças, no anónimo exílio das cidades.
.
Quanto basta é o sossego dos lugares soltos ao festim do sol,
a asa dum insecto que se recorta no azul perdurável da terra.
.
Assim me ensinaram os perfumes da urze, que chegam de longe,
o estorninho escondido dos olhares, desconfiado dos destinos.
.
E aqui reconheço, no chão caminho das águas, a serenidade
deste pastor imperturbável às formas fulgurantes do silêncio
que soa entre as árvores, o trânsito liberto, perpétuo, das seivas,
a exacta, útil degenerescência do conceito urbano de solidão.
-
em "Terrachã", ed. AJEA, 2004
terça-feira, 9 de setembro de 2008
.
À memória de Irene Silva
que foi dedicada companheira durante anos
.
.
Retomemos o caminho de regresso
pela tarde que não volta ao lugar
donde partimos.
.
Amanhã será noite.
.
Nem o silêncio dirá a tua perda.
.
Nem sequer a mesma árvore que se estende
pelas sombras até ao infinito.
Lírios e rosas não calam a memória
do tempo raso do retorno aos perfumes
que sopravam os teus olhos
em mar e serras.
.
O horizonte acaba aqui:
.
onde temos os pés
e a saudade.
.
5 de Setembro de 2008 (entre Lisboa e Lagos)
À memória de Irene Silva
que foi dedicada companheira durante anos
.
.
Retomemos o caminho de regresso
pela tarde que não volta ao lugar
donde partimos.
.
Amanhã será noite.
.
Nem o silêncio dirá a tua perda.
.
Nem sequer a mesma árvore que se estende
pelas sombras até ao infinito.
Lírios e rosas não calam a memória
do tempo raso do retorno aos perfumes
que sopravam os teus olhos
em mar e serras.
.
O horizonte acaba aqui:
.
onde temos os pés
e a saudade.
.
5 de Setembro de 2008 (entre Lisboa e Lagos)
Etiquetas:
horizonte,
perda,
perfume,
poema à memória,
poema à saudade,
poema ao infinito,
poema de saudade,
regresso,
saudade,
silêncio
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
POEMA A UMA VELHA ÁRVORE
. .
O perfil duma velha árvore enche-nos de alegria.
A sua sombra traz-nos a presença tranquila da terra,
a forma da própria Terra, a sua frescura fraterna.
É uma pátria renovada de palavras anunciadas, lidas
nas vozes do rio, nas rotas do sol transbordante;
ela restitui os desvelos relembrados desde infância,
a cândida explicação dos perfumes pronunciados
noutros tempos imateriais, mágicos de plenitude;
traz a serenidade neutra, a harmonia dos outonos
na imagem dum rebanho que regressa pela tarde,
nas chuvas temporãs próprias do cheiro do barro,
a secular legítima ideia dum tecto restaurado;
organiza os enxames, une os sons do ar instável,
esvanece o orvalho vagaroso deslizante do corpo.
O colo duma velha árvore é o sonho duma criança
perpetuando a redobrada paz, e acende na água
rumorejante das fontes a sedução dos pássaros.
em Terrachã, ed. AJEA
O perfil duma velha árvore enche-nos de alegria.
A sua sombra traz-nos a presença tranquila da terra,
a forma da própria Terra, a sua frescura fraterna.
É uma pátria renovada de palavras anunciadas, lidas
nas vozes do rio, nas rotas do sol transbordante;
ela restitui os desvelos relembrados desde infância,
a cândida explicação dos perfumes pronunciados
noutros tempos imateriais, mágicos de plenitude;
traz a serenidade neutra, a harmonia dos outonos
na imagem dum rebanho que regressa pela tarde,
nas chuvas temporãs próprias do cheiro do barro,
a secular legítima ideia dum tecto restaurado;
organiza os enxames, une os sons do ar instável,
esvanece o orvalho vagaroso deslizante do corpo.
O colo duma velha árvore é o sonho duma criança
perpetuando a redobrada paz, e acende na água
rumorejante das fontes a sedução dos pássaros.
em Terrachã, ed. AJEA
Subscrever:
Mensagens (Atom)