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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

PAZ

… para ver se alcanço
que minha alma durma, tenha paz, descanso (…)
Guerra Junqueiro (1850-1923)
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Já viste um sonho a afastar-se para longe
do horizonte de teus olhos,
a alma da tua vida a despedaçar os últimos restos da luz?
 .
Quanto sentiste pela tempestade dum ovo
que se desfaz antes do primeiro raio de sol
ou uma velha árvore caída de borco sobre a terra
a um obstinado sopro do vento!?
 .
Onde procuras a paz para a tua alma
senão ouvindo ainda a música
da voz longínqua que embalou os teus verdes anos
no manso mar dum búzio colado ao teu ouvido?
 .
O teu descanso vem longe, quanto distante
é o minuto que esperas para vir outro minuto.
 .
Dorme ainda sobre o silêncio da terra e a voz do mar,
num cântico martirizado pelas esperas ‒
mas que não morre,
enquanto a vida te der o eterno,
na vida.
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Inédito. Vai para "Dicionário de Citações" (em preparação)

terça-feira, 9 de setembro de 2008

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À memória de Irene Silva
que foi dedicada companheira durante anos
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Retomemos o caminho de regresso
pela tarde que não volta ao lugar
donde partimos.
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Amanhã será noite.
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Nem o silêncio dirá a tua perda.
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Nem sequer a mesma árvore que se estende
pelas sombras até ao infinito.

Lírios e rosas não calam a memória
do tempo raso do retorno aos perfumes
que sopravam os teus olhos
em mar e serras.

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O horizonte acaba aqui:
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onde temos os pés
e a saudade.
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5 de Setembro de 2008 (entre Lisboa e Lagos)