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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

MEMÓRIAS

MEMÓRIAS
.
Ainda restam uns pedaços do sonho
porque os sonhos perduram para além do sonho
porque a tua lembrança acende todas as lembranças
porque outras imagens murmuram a tua imagem.
.
É pois, o tempo das memórias,
da água que desliza sobre as águas
o vento que se dilui nos ares
a pedra petrificada restituindo a pedra.
.
Restos de palavras que dizem outras palavras,
de alegrias que imitam a alegria,
de pequenos silêncios no vazio silente
irrepetível do sonho
que fez de ti a tua imagem em outrem,
despedaçando-se,
até vir o ágil mar do sono.

sábado, 16 de junho de 2012

SEM TÍTULO 3


outra maneira de dizer o silêncio


é fechar a porta ao sonho

.

inédito

vai para "POEMETOS", 3º Volume


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

OS CAMINHOS DA VIDA


 -
Os caminhos da vida trazem-me indícios
dum silêncio por desvendar.
 .
Na grande planície soa uma serenidade
sem bermas, como as iluminuras donde luz o sol
eterno olhando a terra com bonomia.
 .
Será esse o segredo das grandes travessias
indiferentes à resolução dos mistérios extensivos
do pó que cobre as árvores desfeitas
em turfa, fósseis modelados por milénios?
 -
Será esse o segredo que desconheço
ou ignoro, das vivências minúsculas dos seres simples
que apenas procuram um rastro de luz
para abençoar, cumprir os seus dias?

domingo, 26 de dezembro de 2010

NO ANO 3000

 .
No ano 3000
aquele burro triste do prado verde
aquele burro pardo preso ao círculo verde
da corda antiquíssima
enfim    virá nas patas livres
percorrendo o prado imenso
.
No ano 3000
na minha rua
a relva tenra de entre as pedras florescendo
cobrirá especiosa em manto verde
as pedras variadas que hoje piso
.
No ano 3000
no sol     a máquina dos átomos   
..estável  
….consciente
apenas pulsará no éter do sistema
as partículas + ou – que precisa o ciclo dos dias
para ser
.
No ano 3000
irmãos iremos mudos no silêncio
as mãos em flor cobrindo o mundo imenso
imenso verde enorme e verde
que eu já não vejo
...tão perto e longe de ver que já não vejo
mas quero e creio e vejo e penso
….ah pobre de mim
o verde o verde o verde imenso
.
em POEMA PARA HOJE
 .
 DESEJO UM BOM ANO DE 2011
. 
PARA TODOS OS MEUS ESTIMADOS LEITORES
 .

sábado, 2 de outubro de 2010

POEMA AO PÓ

  .
A redescoberta que é ver o pó, cheirar o pó,
cheirar a pó. É um rumor inerte, um retrato
tangível de outras memórias perfurantes,
um vazio entre azuis e baços no chão da terra
gritando segredos abatidos ao silêncio ileso.
.
Praticar a ciência do pó é viajar pelos gelos
da montanha, um texto insondável de signos
sobre a água, reminiscência doutras águas
de apenas a cognição nua, virgem, das fontes
.
é desvendar a erosão, o murmúrio de colunas
gregas, efémeras, a inocente exaltação das aves
assim que o sol reacende a festa inadiável

-
e contemplar uma indústria sem nome e sem data,
sem prólogo, divina, puríssima, demoníaca.

 .
em "Terrachã", ed. AJEA
 
  .

domingo, 26 de setembro de 2010

DESÍGNIO

.
São os ventos a interpretar o verdadeiro desígnio destes campos,
migalhas de pó que se transportam ondeando as ervas e os matos
para um tempo breve, onde dispor um incêndio, junto ao corpo
das excessivas lembranças, no anónimo exílio das cidades.
 .
Quanto basta é o sossego dos lugares soltos ao festim do sol,
a asa dum insecto que se recorta no azul perdurável da terra.
 .
Assim me ensinaram os perfumes da urze, que chegam de longe,
o estorninho escondido dos olhares, desconfiado dos destinos.
.
E aqui reconheço, no chão caminho das águas, a serenidade
deste pastor imperturbável às formas fulgurantes do silêncio
que soa entre as árvores, o trânsito liberto, perpétuo, das seivas,
a exacta, útil degenerescência do conceito urbano de solidão.
 -
 em "Terrachã", ed. AJEA, 2004

terça-feira, 9 de setembro de 2008

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À memória de Irene Silva
que foi dedicada companheira durante anos
.

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Retomemos o caminho de regresso
pela tarde que não volta ao lugar
donde partimos.
.
Amanhã será noite.
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Nem o silêncio dirá a tua perda.
.
Nem sequer a mesma árvore que se estende
pelas sombras até ao infinito.

Lírios e rosas não calam a memória
do tempo raso do retorno aos perfumes
que sopravam os teus olhos
em mar e serras.

.
O horizonte acaba aqui:
.
onde temos os pés
e a saudade.
.
5 de Setembro de 2008 (entre Lisboa e Lagos)

sábado, 17 de maio de 2008

poema ao pó

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PÓ

..

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Um dia acende-se o vazio do palco

cai o pano sobre o pó

.

evaporam as palavras dos teus olhos

.

um pássaro boceja à beira do tempo

.

depois

.

não haverá antes nem depois

apenas um silêncio

um perfume ecoando pelo vale

uma folha dolorida levada pelo rio.

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Este poema é um dos que integram o livro "Transparências". .Este livro, editado pela AJEA (Associação dos Jornalistas e Escritores do Algarve), acompanha o recentemente publicado "Arabescos", pelo preço global de 5 euros.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

É O VENTO A INTERPRETAR

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É o vento a interpretar o verdadeiro desígnio destes campos,
migalhas de pó que se transportam ondeando as ervas e os matos
para um tempo breve, onde dispor um incêndio, junto ao corpo
das excessivas lembranças, no anónimo exílio das cidades.

.
Quanto basta é o sossego dos lugares soltos ao festim do sol,
a asa dum insecto que se recorta no azul perdurável da terra.

.
Assim me ensinaram os perfumes da urze, que chegam de longe,
o estorninho escondido dos olhares, desconfiado dos destinos.

.
E aqui reconheço, no chão caminho das águas, a serenidade
deste pastor imperturbável às formas fulgurantes do silêncio
que soa entre as árvores, o trânsito liberto, perpétuo, das seivas,
a exacta, útil degenerescência do conceito urbano de solidão.

em Terrachã, ed AJEA/2004

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

POEMA À MIRAGEM

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.....Este dia é apenas uma miragem
.....restos de sombras, sombra.

.....Dos seus beirais caiem fugidias ruas
.....em estilhaços sobre o lancil da luz,
.....pedaços de memórias, ruínas
.....de palavras nunca ditas.

.....Tudo é silêncio e névoa
.....nas grandes viagens transcendentais
.....ao coração matinal dos pássaros, à núbil
.....ciência abstracta dos insectos.

.....Imagem que se desfaz em imagens
.....de pólen, circunscrito a um lugar
.....cada vez mais longínquo


.....que se ateia e logo morre
.....em nossas mãos.

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..............inédito