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domingo, 26 de dezembro de 2010

NO ANO 3000

 .
No ano 3000
aquele burro triste do prado verde
aquele burro pardo preso ao círculo verde
da corda antiquíssima
enfim    virá nas patas livres
percorrendo o prado imenso
.
No ano 3000
na minha rua
a relva tenra de entre as pedras florescendo
cobrirá especiosa em manto verde
as pedras variadas que hoje piso
.
No ano 3000
no sol     a máquina dos átomos   
..estável  
….consciente
apenas pulsará no éter do sistema
as partículas + ou – que precisa o ciclo dos dias
para ser
.
No ano 3000
irmãos iremos mudos no silêncio
as mãos em flor cobrindo o mundo imenso
imenso verde enorme e verde
que eu já não vejo
...tão perto e longe de ver que já não vejo
mas quero e creio e vejo e penso
….ah pobre de mim
o verde o verde o verde imenso
.
em POEMA PARA HOJE
 .
 DESEJO UM BOM ANO DE 2011
. 
PARA TODOS OS MEUS ESTIMADOS LEITORES
 .

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

POEMA ÀS CORES

.
Atenta nesta paleta de cores
estes sinais de opulência da luz breve
símbolos que acordam a manhã dos nossos olhos
para a flor do sol
que insistem na múltipla transfiguração
das imagens que dão forma às nossas vidas;
repara no preto e no branco
como se a sinfonia dos acasos
não fosse mais que a simetria dos ocasos
ou no azul que desfalece
os matizes infindáveis do cinzento
que vai nos olhos, no sangue de cada um
porque é o sol magenta dos alvores matinais
que trai os sonhos da madrugada
a reflexão das cores e do entendimento.
Vê como o verde decai
em tonalidades martirizadas pelo ocre e o amarelo
sustentando a linha melódica dos barros;
Observa a cor do céu na fria latitude
dos gelos glaciares,
na transparência da água dos oceanos
resolvida em anémonas e corais de luz.
Atenta no rosa dos frutos da primavera
entre as folhas a captar o sol
para a maturidade corrompida pelo granizo
onde a imagem da noite baila
no esmorecimento das cores e a sua ausência
o negro
.....o presente persistindo
.....curvado à sapiência do eterno.
Atenta nas cores
e ouve o timbre os tons da música
capazes de trazer violetas e rosas
ao patamar da euforia
o clímax de licores de carmim e rosa
em púrpura desfeita virgindade
na face da menina
já mulher.
Lê a tua sina em esmeraldas
e em rubis cristalizados
proscritos até ao fim do tempo
ou o ébano das noites frias envenenando
o brilho diáfano de ametistas e turquesas
que resolvem a cinza em azul e oiro
e vê como tudo se encaminha para um grande abraço
num arco-íris que vincula a terra à terra
o sangue ao rubro sangue das entranhas dum vulcão
que derrama todas as cores,
os símbolos e os signos
o magma que há de florescer nas sensações
a percepção subjectiva
do real.
inédito

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

POEMA DO FINGIDOR

...................................
. .........Arriscar tudo na roleta
........ como o verde em violeta,
.........fingindo fingidor
.........que fingiu o mal de amor.

.........Deslumbrar-se de perder
.........quando tudo estava a ver
.........que só perde o vencedor
.........que se imagina perdedor.

.........Confessar ao confessado
.........que não fui o mal amado
.........e na noite principal
.........encomendar o funeral

.........fingindo fingidor
.........que fingiu o mal do amor.