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terça-feira, 11 de outubro de 2011

AS CORES DIZEM O TEMPO

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As cores dizem o tempo,
o granizo que embranquece as arestas do granito,
o hortelã respirando pequenas flores de sabor a sul.
-
Ó a antiga sapiência das árvores
e dos caminhos
e da plenitude nas planícies de verdura!
-
Como não hei-de segredar o teu nome
ó bonina de incenso, em noites de paixão,
nos pântanos que parecem eternizar os teus segredos?
-
És o pólen e a cegueira
de espirais hipnóticas de paz e medo,
em águas nascentes de musgo e de frescura.
-
És a vertigem duns olhos feridos pelo orvalho
das manhãs, ao cair da tarde
.
e eu te invoco na busca dos limites
que fazem o fascínio, a vigília perturbada
do teu violoncelo  tocando ao vento.
...
-----em Poemas Soltos & Dispersos, 2º volume
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       Veja também a nova postagem sobre "A Febre do Ouro"

sábado, 22 de janeiro de 2011

AS CORES DIZEM O TEMPO



.As cores dizem o tempo,
.o granizo que embranquece as arestas do granito,
.o hortelã respirando pequenas flores de sabor a sul.

.Ó a antiga sapiência das árvores
.e dos caminhos
.e da plenitude nas planícies de verdura!

.Como não hei-de segredar o teu nome
.ó bonina de incenso, em noites de paixão,
.nos pântanos que parecem eternizar os teus segredos?

.És o pólen e a cegueira
.de espirais hipnóticas de paz e medo,
.em águas nascentes de musgo e de frescura.

.És a vertigem duns olhos feridos pelo orvalho
.das manhãs, ao cair da tarde
.e eu te invoco na busca dos limites
.que fazem o fascínio, a vigília perturbada
.do teu violoncelo tocando ao vento.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

O MECANISMO DO VENTO


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Entender o mecanismo do vento, o seu carácter transitório,
o caminho das pétalas duma flor sobre um vidro transparente
que reflecte a imagem do próprio frio do vidro colado ao tempo
.
é um acto que pressupõe a elaboração cuidada dum inventário
das causas remotas, um roteiro para o exacto declive das águas
que vêm da montanha, coabitando na terra, unindo-se à terra.
.
Essa é a verdadeira ciência dos musgos e do pólen que alaga
os nossos olhos com círculos irisados de sol, que transfigura
o nome que se dá a uma maçã, mesmo se na forma duma pedra;

e dessa textura é a frágil química dos sonhos, da predestinação
das noites caindo devagar sobre as nossas mãos demoradas,
a sua eterna transfiguração, o ciclo da água, o círculo do planeta.
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em Terrachã, ed. AJEA

segunda-feira, 29 de março de 2010

Dia de Graças

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Festejemos este dia de graças, este sol
como um floco de neve despertando o inverno,

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linha azul de luz sobre a terra
cumprindo os desígnios duma flor
no seu pólen de frescura,
para o berço virginal da vida!

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Ah, festejemos este dia,
murmúrio de flautas e alegorias

.
ardência interior tranquilidade de ignorar
os ludíbrios, a intransigência do tempo

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na sua peregrina missão
de dar-nos um dia de graças
para festejar um dia, numa vida!

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inédito

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

UM POEMA AO VENTO

.....
O mecanismo do vento
.
Entender o mecanismo do vento, o seu carácter transitório,
o caminho das pétalas duma flor sobre um vidro transparente
que reflecte a imagem do próprio frio do vidro colado ao tempo
.
é um acto que pressupõe a elaboração cuidada dum inventário
das causas remotas, um roteiro para o exacto declive das águas
que vêm da montanha, coabitando na terra, unindo-se à terra.
.
Essa é a verdadeira ciência dos musgos e do pólen que alaga
os nossos olhos com círculos irisados de sol, que transfigura
o nome que se dá a uma maçã, mesmo se na forma duma pedra;

e dessa textura é a frágil química dos sonhos, da predestinação
das noites caindo devagar sobre as nossas mãos demoradas,
a sua eterna transfiguração, o ciclo da água, o círculo do planeta.
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em Terrachã, ed. AJEA

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

POEMA À MIRAGEM

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.....Este dia é apenas uma miragem
.....restos de sombras, sombra.

.....Dos seus beirais caiem fugidias ruas
.....em estilhaços sobre o lancil da luz,
.....pedaços de memórias, ruínas
.....de palavras nunca ditas.

.....Tudo é silêncio e névoa
.....nas grandes viagens transcendentais
.....ao coração matinal dos pássaros, à núbil
.....ciência abstracta dos insectos.

.....Imagem que se desfaz em imagens
.....de pólen, circunscrito a um lugar
.....cada vez mais longínquo


.....que se ateia e logo morre
.....em nossas mãos.

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..............inédito