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sábado, 22 de janeiro de 2011

AS CORES DIZEM O TEMPO



.As cores dizem o tempo,
.o granizo que embranquece as arestas do granito,
.o hortelã respirando pequenas flores de sabor a sul.

.Ó a antiga sapiência das árvores
.e dos caminhos
.e da plenitude nas planícies de verdura!

.Como não hei-de segredar o teu nome
.ó bonina de incenso, em noites de paixão,
.nos pântanos que parecem eternizar os teus segredos?

.És o pólen e a cegueira
.de espirais hipnóticas de paz e medo,
.em águas nascentes de musgo e de frescura.

.És a vertigem duns olhos feridos pelo orvalho
.das manhãs, ao cair da tarde
.e eu te invoco na busca dos limites
.que fazem o fascínio, a vigília perturbada
.do teu violoncelo tocando ao vento.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

DO QUE EU GOSTO

 .
(Da autenticidade à metáfora)
.
Do que eu gosto é da chuva e do vento,
tremores de terra, relâmpagos
que enchem os céus de luz e dúvida,
e enlevo, pela extraordinária energia
que fez a vida dos bichos maiores
e dos bichos menores,

,
ah, como eu gosto das tempestades
de neve e de areia,
os vulcões a jorrar
as entranhas do magma!
,
Também gosto dos sóis violentos do sul,
as enxurradas do rio
trazendo a lama e o húmus,
as árvores e o inverno
antes da primavera doutras ervas.
,
O que eu não gosto é ver
meninos de áfrica de pés trucidados
por granadas
e bombas B 52,
napalm,
odeio.
.
O que eu gosto é do sabor violento
dos grandes temporais do mar
galgando a terra
com as suas enormes cores de frescura
e fantasia,

.
o frio árctico das montanhas
dum deserto árido,
no meio duma floresta tropical,
adoro.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

POEMA A UMA VELHA ÁRVORE

 .
O perfil duma velha árvore enche-nos de alegria.
,
A sua sombra traz-nos a presença tranquila da terra,
a forma da própria Terra, a sua frescura fraterna.
.
É uma pátria renovada de palavras anunciadas, lidas
nas vozes do rio, nas rotas do sol transbordante;
.
ela restitui os desvelos relembrados desde infância,
a cândida explicação dos perfumes pronunciados
noutros tempos imateriais, mágicos de plenitude;
.
traz a serenidade neutra, a harmonia dos outonos
na imagem dum rebanho que regressa pela tarde,
nas chuvas temporãs próprias do cheiro do barro,
a secular legítima ideia dum tecto restaurado;
.
organiza os enxames, une os sons do ar instável,
esvanece o orvalho vagaroso deslizante do corpo.
.
O colo duma velha árvore é o sonho duma criança
perpetuando a redobrada paz, e acende na água
rumorejante das fontes a sedução dos pássaros.

.
em Terrachã, ed. AJEA

segunda-feira, 29 de março de 2010

Dia de Graças

.

Festejemos este dia de graças, este sol
como um floco de neve despertando o inverno,

.
linha azul de luz sobre a terra
cumprindo os desígnios duma flor
no seu pólen de frescura,
para o berço virginal da vida!

.
Ah, festejemos este dia,
murmúrio de flautas e alegorias

.
ardência interior tranquilidade de ignorar
os ludíbrios, a intransigência do tempo

-

na sua peregrina missão
de dar-nos um dia de graças
para festejar um dia, numa vida!

.

inédito

quinta-feira, 25 de março de 2010

DO QUE EU GOSTO

.
Do que eu gosto é da chuva e do vento,
tremores de terra, relâmpagos
que enchem os céus de luz e dúvida,
e enlevo, pela extraordinária energia
que fez a vida dos bichos maiores
e dos bichos menores,
.
ah, como eu gosto das tempestades
de neve e de areia,
os vulcões a jorrar
as entranhas do magma!

Também gosto dos sóis violentos do sul,
as enxurradas do rio
trazendo a lama e o húmus,
as árvores e o inverno
antes da primavera doutras ervas.

O que eu não gosto é ver
meninos de áfrica de pés trucidados
por granadas
e bombas B 52,
napalm,
odeio.

O que eu gosto é do sabor violento
dos grandes temporais do mar
galgando a terra
com as suas enormes cores de frescura
e fantasia,
o frio árctico das montanhas
dum deserto árido,
no meio duma floresta tropical,
adoro.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

POEMA A UMA VELHA ÁRVORE

. .

O perfil duma velha árvore enche-nos de alegria.

A sua sombra traz-nos a presença tranquila da terra,
a forma da própria Terra, a sua frescura fraterna.

É uma pátria renovada de palavras anunciadas, lidas
nas vozes do rio, nas rotas do sol transbordante;

ela restitui os desvelos relembrados desde infância,
a cândida explicação dos perfumes pronunciados
noutros tempos imateriais, mágicos de plenitude;

traz a serenidade neutra, a harmonia dos outonos
na imagem dum rebanho que regressa pela tarde,
nas chuvas temporãs próprias do cheiro do barro,
a secular legítima ideia dum tecto restaurado;

organiza os enxames, une os sons do ar instável,
esvanece o orvalho vagaroso deslizante do corpo.

O colo duma velha árvore é o sonho duma criança
perpetuando a redobrada paz, e acende na água
rumorejante das fontes a sedução dos pássaros.


em Terrachã, ed. AJEA