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sábado, 22 de janeiro de 2011

AS CORES DIZEM O TEMPO



.As cores dizem o tempo,
.o granizo que embranquece as arestas do granito,
.o hortelã respirando pequenas flores de sabor a sul.

.Ó a antiga sapiência das árvores
.e dos caminhos
.e da plenitude nas planícies de verdura!

.Como não hei-de segredar o teu nome
.ó bonina de incenso, em noites de paixão,
.nos pântanos que parecem eternizar os teus segredos?

.És o pólen e a cegueira
.de espirais hipnóticas de paz e medo,
.em águas nascentes de musgo e de frescura.

.És a vertigem duns olhos feridos pelo orvalho
.das manhãs, ao cair da tarde
.e eu te invoco na busca dos limites
.que fazem o fascínio, a vigília perturbada
.do teu violoncelo tocando ao vento.

domingo, 19 de dezembro de 2010

POEMA DE NATAL

 .
Vem das profundezas da memória do fim das trevas
um caminho mítico para os exercícios da alegria
do barro ainda mole dos objectos.
.
Assim o pressentimos com fogos de encantamento
a enorme plenitude do orvalho das manhãs.
.
Talvez nos enredemos em ludíbrios ágeis
pela cerimónia de louvar a imagem virtual dum deus
em seu nicho distante negligenciando as vozes da planície
.
mas vale a pena tentarmos nós próprios a utopia
porque os deuses estão longe delidos noutros dilemas
noutras abstractas equações inatingíveis
porventura ainda mais utópicas que as nossas.
.
Diremos Natal como se diz um bálsamo
ou um violino tangendo as cores dum perdido chão
testemunhando os alicerces duma fogueira na água
e no pó do nosso destino também um murmúrio incerto
alheio à vontade transparente das estrelas.
. 
DESEJO UM FELIZ NATAL 
A TODOS 
OS MEUS ESTIMADOS LEITORES

segunda-feira, 5 de julho de 2010

POEMA A UMA VELHA ÁRVORE

 .
O perfil duma velha árvore enche-nos de alegria.
,
A sua sombra traz-nos a presença tranquila da terra,
a forma da própria Terra, a sua frescura fraterna.
.
É uma pátria renovada de palavras anunciadas, lidas
nas vozes do rio, nas rotas do sol transbordante;
.
ela restitui os desvelos relembrados desde infância,
a cândida explicação dos perfumes pronunciados
noutros tempos imateriais, mágicos de plenitude;
.
traz a serenidade neutra, a harmonia dos outonos
na imagem dum rebanho que regressa pela tarde,
nas chuvas temporãs próprias do cheiro do barro,
a secular legítima ideia dum tecto restaurado;
.
organiza os enxames, une os sons do ar instável,
esvanece o orvalho vagaroso deslizante do corpo.
.
O colo duma velha árvore é o sonho duma criança
perpetuando a redobrada paz, e acende na água
rumorejante das fontes a sedução dos pássaros.

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em Terrachã, ed. AJEA