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domingo, 19 de dezembro de 2010

POEMA DE NATAL

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Vem das profundezas da memória do fim das trevas
um caminho mítico para os exercícios da alegria
do barro ainda mole dos objectos.
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Assim o pressentimos com fogos de encantamento
a enorme plenitude do orvalho das manhãs.
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Talvez nos enredemos em ludíbrios ágeis
pela cerimónia de louvar a imagem virtual dum deus
em seu nicho distante negligenciando as vozes da planície
.
mas vale a pena tentarmos nós próprios a utopia
porque os deuses estão longe delidos noutros dilemas
noutras abstractas equações inatingíveis
porventura ainda mais utópicas que as nossas.
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Diremos Natal como se diz um bálsamo
ou um violino tangendo as cores dum perdido chão
testemunhando os alicerces duma fogueira na água
e no pó do nosso destino também um murmúrio incerto
alheio à vontade transparente das estrelas.
. 
DESEJO UM FELIZ NATAL 
A TODOS 
OS MEUS ESTIMADOS LEITORES

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

PROFESSAR ESTA LUZ

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Professar esta luz, aceitar a eternidade dum sonho,
um fluido inquieto salpicado de murmúrios
que se constroem pela sua essência, em seu ovo
de intensidade latente, viva, de seu próprio fluido.
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Assistir à discreta cerimónia de ver arder o fogo
como quem ouve, ou julga ouvir num búzio o mar
e ater-se à tarefa inteira de respirar a paisagem,
a sua presença nua, o seu ofício perpétuo de cinzas. 
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Para isso habitaremos as casas, os seus tectos serenos
apenas perturbados pelo gelo amargo dos invernos
e só temos a interpretar o tranquilo perfil das árvores
para entender as suas flores e o seu silêncio.
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Em Terrachã, ed. AEA

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

NAS LADEIRAS

.......
    Nas ladeiras procuramos a utopia 
....que nivelou o chão das nossas vidas, 
....o sol em promontórios procuramos
....para acalentar parábolas do amor.

....Procuramos a tranquilidade no delírio
....de interpretar enigmas perduráveis,
....mas o nosso destino alado só achamos
....na cerimónia dum beijo peregrino.

....Assim nos cercamos de águas frias
....caindo sobre a fronte desde a noite
....e morremos de mortes mal vividas
....pela vida que tivemos nos caminhos.