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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

PROFESSAR ESTA LUZ

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Professar esta luz, aceitar a eternidade dum sonho,
um fluido inquieto salpicado de murmúrios
que se constroem pela sua essência, em seu ovo
de intensidade latente, viva, de seu próprio fluido.
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Assistir à discreta cerimónia de ver arder o fogo
como quem ouve, ou julga ouvir num búzio o mar
e ater-se à tarefa inteira de respirar a paisagem,
a sua presença nua, o seu ofício perpétuo de cinzas. 
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Para isso habitaremos as casas, os seus tectos serenos
apenas perturbados pelo gelo amargo dos invernos
e só temos a interpretar o tranquilo perfil das árvores
para entender as suas flores e o seu silêncio.
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Em Terrachã, ed. AEA

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

PAISAGEM

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Percorro esta paisagem com os olhos
e vejo grandes árvores perfiladas contra o vento,
mas o vento é a luz que esvanece nos meus olhos
as árvores que não vejo como vejo ou imagino.

Nos meus olhos há florestas
ervas que se erguem para ser árvores
no seio interior da paisagem,
esta paisagem que eu percorro com os olhos.

E é esse o caminho liberto a esvoaçar em bandos de aves
que vêm de longe, donde o vento sopra
o ânimo dum milagre feito mágica
de azuis e verdes no cinzento da minha terra.


inédito

domingo, 29 de junho de 2008

poema às memórias

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São as memórias que sustentam

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São as memórias que sustentam a leveza do ar,

num exercício renovado de mistérios lentos

anunciadores dos sonhos.

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Vivem em nichos vagabundos

perto do ruído das ruínas,

longe dos rios que não descansam

no ombro da margem

num tempo para fruir a leveza dos malmequeres

abruptos dos caminhos.

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Acendem-se noutras memórias

e refazem os aromas antigos,

as cores redundantes

da paisagem que flui, .já ontem.

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Um dos meus poemas que saiu no nº 11 da série DiVersos, (colectivo) edições Sempre-em-pé, Verão de 2007.

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Também com a chancela das Edições Sempre-em-pé vão ser apresentados o nº13 da série DiVersos e, ainda, os livros “Gloria Victis”, de Carlos Garcia de Castro e “Rio Abaixo, Rio Acima”, de Tobias Burghardt, edição bilingue português-alemão, com tradução de Maria de Nazaré Sanches, na Casa Fernando Pessoa, Campo de Ourique, em Lisboa. As apresentações têm lugar no dia 3 de Julho, às 18 horas. A entrada é livre.

Mais informações:

www.sempreempe.pt
contacto@sempreempe.pt

terça-feira, 11 de março de 2008

POEMA À MEMÓRIA DO TEU CORPO


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A memória do teu corpo é a paisagem dum tumulto

um cântico absorto antes de arrebatadas chuvas.

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Traz o vestígio incandescente dos mares de levante

a ardência duma praia restituída de lembranças.

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É uma semente a colorir os teus quadris de incenso

uma celebração ofegante sobre o umbral dum leito.

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Relembro-o pela terra, os frutos, as formas macias

do respirar do vento como em teus olhos de alecrim.

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E nunca hei-de renunciar ao seu apelo mágico,

para não desmerecer, num sonho, o teu pretérito.

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....Este poema pertence a "TRANSPARÊNCIAS",

....e segue na aquisição do meu mais recente livro,

...."ARABESCOS" (a título de oferta),

.....pelo preço global de 5 euros.

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........Ver postagem anterior (ou a de 1 de Março)