O perfil duma velha árvore enche-nos de alegria. ,
A sua sombra traz-nos a presença tranquila da terra,
a forma da própria Terra, a sua frescura fraterna. .
É uma pátria renovada de palavras anunciadas, lidas
nas vozes do rio, nas rotas do sol transbordante; .
ela restitui os desvelos relembrados desde infância,
a cândida explicação dos perfumes pronunciados
noutros tempos imateriais, mágicos de plenitude; .
traz a serenidade neutra, a harmonia dos outonos
na imagem dum rebanho que regressa pela tarde,
nas chuvas temporãs próprias do cheiro do barro,
a secular legítima ideia dum tecto restaurado; .
organiza os enxames, une os sons do ar instável,
esvanece o orvalho vagaroso deslizante do corpo. .
O colo duma velha árvore é o sonho duma criança
perpetuando a redobrada paz, e acende na água
rumorejante das fontes a sedução dos pássaros. . em Terrachã, ed. AJEA
. - Abraçar o acto no seu corpo, no seu leito, soprar-lhe a leveza rosa dum aroma, enquanto dorme em sonhos a substância desta vida noutras vidas, ou noutros mundos de outras vidas. . Refazer a doçura tranquila das manhãs interiores, o fio de luz que dá voz ao dia por onde se estende o legítimo anseio das aves , e em gestos de outros rostos esbatidos e uma pequena imagem de lembranças, regressar à mágica simplicidade das origens, a pureza chã, rústica, do aroma virginal. . Publicado emTRANSPARÊNCIAS,Ed. AJEA
. Percorro esta paisagem com os olhos e vejo grandes árvores perfiladas contra o vento, mas o vento é a luz que esvanece nos meus olhos as árvores que não vejo como vejo ou imagino.
Nos meus olhos há florestas ervas que se erguem para ser árvores no seio interior da paisagem, esta paisagem que eu percorro com os olhos.
E é esse o caminho liberto a esvoaçar em bandos de aves que vêm de longe, donde o vento sopra o ânimo dum milagre feito mágica de azuis e verdes no cinzento da minha terra.