Poemas de amor # 2
.
.
Que te cubram as folhas do plátano
quando a tarde esmaece nos jardins
a claridade gasta em fins de outubro.
Que sejas a mais solene a mais alta
nas lonjuras da abstracta serenidade
nas glórias do incenso na abnegação.
Que sejas a mais firme a mais ágil
nos desfiladeiros rudes da montanha
na transparência na nudez da água
na fortuna na mágoa alheia.
E que te cubram os mistérios até ao fim
na estrada por onde adoro o teu regaço:
a interior presença cintilante, encoberta,
das palavras que ressoam nos meus olhos.
,
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sábado, 24 de abril de 2010
POEMA A UMA DEUSA TERRENA
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quarta-feira, 7 de abril de 2010
POEMA AO MAR
...Domingo, 11 de Abril
---
* * *
...
Olhava pela última vez o mar
porque ontem é a abstracção da ambiguidade
e a última vez já é hoje
no vácuo de ontem, sem sofisma ou bruma.
.
Olhava-o e sorria
não fora ele ainda uma criança
sem medos, sem o drama
de olhar o mar pela última vez.
.
Aí nascera
sabia-o há milhões de anos
depois do colapso dos dias
.,
como o vento das searas
e a nuvem que esbate o céu
.
na onda que dissolve as noções de tempo
nos silêncios, na bruma da claridade
.
a abstracção de ontem
a última vez a ver o mar
em seu silêncio
.
o colapso do tempo
já hoje.
inédito
---
Porque todo o texto literário tem a sua história, veio-me à ideia, revelar as razões que levaram à escrita do poema, desta postagem.
O facto poético que inspirou o texto, é dos domínios do reconto oral.
A estória é simples:
um velho almirante, de visita à cidade, pediu a um amigo para o levar ao Cabo de S. Vicente.
Aí chegados, com o esboço dum sorriso a bailar-lhe nos olhos durante uns instantes, o almirante olhou em silêncio a imensidade daquele mar redondo, e depois disse em voz contida e embargada:
– João... é a última vez que vejo este cão!...
Voltaram para Lagos e pouco depois, o velho lobo do mar morria.
.* * *
...
Olhava pela última vez o mar
porque ontem é a abstracção da ambiguidade
e a última vez já é hoje
no vácuo de ontem, sem sofisma ou bruma.
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Olhava-o e sorria
não fora ele ainda uma criança
sem medos, sem o drama
de olhar o mar pela última vez.
.
Aí nascera
sabia-o há milhões de anos
depois do colapso dos dias
.,
como o vento das searas
e a nuvem que esbate o céu
.
na onda que dissolve as noções de tempo
nos silêncios, na bruma da claridade
.
a abstracção de ontem
a última vez a ver o mar
em seu silêncio
.
o colapso do tempo
já hoje.
inédito
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bruma,
colapso,
drama,
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sexta-feira, 2 de abril de 2010
AROMA VIRGINAL
. -
Abraçar o acto no seu corpo, no seu leito,
soprar-lhe a leveza rosa dum aroma,
enquanto dorme em sonhos a substância desta vida
noutras vidas, ou noutros mundos de outras vidas.
.
Refazer a doçura tranquila das manhãs
interiores, o fio de luz que dá voz ao dia
por onde se estende o legítimo anseio das aves
,
e em gestos de outros rostos esbatidos
e uma pequena imagem de lembranças,
regressar à mágica simplicidade das origens,
a pureza chã, rústica, do aroma virginal.
.
Publicado em TRANSPARÊNCIAS, Ed. AJEA
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virginal
quarta-feira, 17 de março de 2010
POEMA AOS CAMINHOS DO MAR
.
É nos caminhos do mar, na estrutura mutante
do seu programa de memórias, de murmúrios
é no testemunho da transparência das águas
na sua dimensão ecuménica, admirável
de unir o sangue e os bálsamos apetecíveis
que nos banhamos numa vertigem de ludíbrios
trazendo as neblinas e o cheiro forte da luz
de meridianos horizontes, uma voz bilingue
para as apetências da plenitude, do equilíbrio
instável da nossa instante intranquilidade.
E é pelo mar que nos vinculamos à terra
que entendemos o cheiro acre da terra
e seus crisântemos repletos de inocências
para o reanimar do nosso berço anfíbio
a praia onde havemos de viver e morrer.
inédito
Lagos, 2003
É nos caminhos do mar, na estrutura mutante
do seu programa de memórias, de murmúrios
é no testemunho da transparência das águas
na sua dimensão ecuménica, admirável
de unir o sangue e os bálsamos apetecíveis
que nos banhamos numa vertigem de ludíbrios
trazendo as neblinas e o cheiro forte da luz
de meridianos horizontes, uma voz bilingue
para as apetências da plenitude, do equilíbrio
instável da nossa instante intranquilidade.
E é pelo mar que nos vinculamos à terra
que entendemos o cheiro acre da terra
e seus crisântemos repletos de inocências
para o reanimar do nosso berço anfíbio
a praia onde havemos de viver e morrer.
inédito
Lagos, 2003
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quinta-feira, 15 de novembro de 2007
POEMA ÀS ARTES MÁGICAS
.......
.......Por artes mágicas
.......e outras lógicas
.......nos rigores do mar
.......nas velas brancas
.......como espuma de ar
.......derribando os continentes
.......e as ilhas
.......por onde andei
.......nas noites e nos dias
.......me aventurei
.......ao interior dos vulcões
.......e vi
.......nas noites do sonho
.......e utopia
.......a lua clara
.......em pleno dia.
.......Por artes mágicas
.......e outras lógicas
.......nos rigores do mar
.......nas velas brancas
.......como espuma de ar
.......derribando os continentes
.......e as ilhas
.......por onde andei
.......nas noites e nos dias
.......me aventurei
.......ao interior dos vulcões
.......e vi
.......nas noites do sonho
.......e utopia
.......a lua clara
.......em pleno dia.
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