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terça-feira, 30 de novembro de 2010

AS CASAS HABITAM A CIDADE


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As casas habitam a cidade
revolvem as ruas e seus ciclos,
o acto solene de preservar a rotina
das gerações,
o célere perpassar pelos dias da ambiguidade.
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O fogo e o fumo ilustram a paisagem.
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Não há veleidade para o desgaste intransigente
das pedras, o pó que é levado pelas águas.
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Só o tempo se mantém imóvel
pairando como uma luz violenta, nítida
até quando se apagarem as luzes
na cidade,
dentro da nossa casa.
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em  "CAUSAS DE HABITUAÇÃO"  (em projecto)

sábado, 24 de abril de 2010

POEMA A UMA DEUSA TERRENA

Poemas de amor # 2
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Que te cubram as folhas do plátano
quando a tarde esmaece nos jardins
a claridade gasta em fins de outubro.

Que sejas a mais solene a mais alta
nas lonjuras da abstracta serenidade
nas glórias do incenso na abnegação.

Que sejas a mais firme a mais ágil
nos desfiladeiros rudes da montanha
na transparência na nudez da água
na fortuna na mágoa alheia.

E que te cubram os mistérios até ao fim
na estrada por onde adoro o teu regaço:
a interior presença cintilante, encoberta,
das palavras que ressoam nos meus olhos.