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domingo, 19 de agosto de 2012

Bar da noite

Cigarros voam por cima dum balcão
em movimento
à beira da vertigem
prolongada pelo fumo.
 -
Evapora o tempo dentro dos copos
cheios de névoa
abundantes do ar
que respiramos com os olhos. 
 -
Correm os fluidos no pensamento absorto
em labaredas de palavras.
 -
E tudo é a efervescência dos dias vagos
imersos numa taça de marfim
no dia noite
por onde passam os instantes
que refazem o discurso das origens.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

BAR DA NOITE

-
Cigarros voam por cima do fumo
no balcão em movimento,
à beira da vertigem
prolongada pela música.
-
Evapora o tempo dentro dos copos
cheios de névoa
abundantes do ar
que respiramos com os olhos. 
.
Correm os fluidos no pensamento absorto
em labaredas de palavras.
.
E tudo é a efervescência dos sonhos vagos
imersos numa taça de marfim
no dia noite
por onde passam os instantes
que refazem o decurso
dos dias frustres.

.
em "Arabescos", esgotado

terça-feira, 30 de novembro de 2010

AS CASAS HABITAM A CIDADE


 .
As casas habitam a cidade
revolvem as ruas e seus ciclos,
o acto solene de preservar a rotina
das gerações,
o célere perpassar pelos dias da ambiguidade.
.
O fogo e o fumo ilustram a paisagem.
.
Não há veleidade para o desgaste intransigente
das pedras, o pó que é levado pelas águas.
.
Só o tempo se mantém imóvel
pairando como uma luz violenta, nítida
até quando se apagarem as luzes
na cidade,
dentro da nossa casa.
. 
em  "CAUSAS DE HABITUAÇÃO"  (em projecto)

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Muros

....

Onde inventar um caminho legítimo
para o êxodo, uma porta entreaberta
respirando o ar que vem da terra?


Os muros da cidade sustentam-se
destas incertezas, destas cortinas
de fogo, este balbuciar de cansaços
inexactos, intranquilos como o fumo
esparso, dispersando vozes alheias.

.
Não nos inclina a dureza das pedras,
a sua fiel sabedoria de intransigências.

.
Mas tarde é inútil, para fingir exílios.


Hoje já é ontem, para o fim indiciado.

em Terrachã, ed. AJEA