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sábado, 9 de março de 2013
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
A NOSSA VIDA
A nossa vida é um lugar na luz, um artifício
da sua transparência, uma vertigem volátil
na redundância dos ares que respiramos.
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Somos submergidos pelo eterno tambor do tempo
e habitamos a sua fronte nua, o limbo cristalino
das suas mãos feitas de água, a bruma absurda.
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Vamos desbravando um caminho austero, interino,
com um silêncio inquieto manchado de murmúrios,
a cinza anónima, perecível, do cristal que fomos.
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Essa é a nossa condição, o declínio da claridade
que inunda os espaços onde soa a dúvida
de não sermos senão a imagem virtual da ideia
que temos de nós mesmos, do que julgamos ser.
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É excessivo este julgamento, mas é o possível,
porque não conhecemos outra alquimia
para explicar o sossego dum morto, recém vivo.
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em "Por Detrás das Palavras", ed. Beco dos Poetas, S. Paulo, Brasil.
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ESTÁ PATENTE, NO BAR "FIM DA LINHA"
.- JUNTO À ESTAÇÃO DA CP, EM LAGOS -,
......um conjunto (10 dos 16) quadros
......que compõem a minha exposição
........clicar..."AS CORES DO POEMA"
Etiquetas:
caminho austero,
claridade,
julgamento,
lugar na luz,
murmúrio,
perecível,
transparência,
vertigem
domingo, 19 de dezembro de 2010
POEMA DE NATAL
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Vem das profundezas da memória do fim das trevas
um caminho mítico para os exercícios da alegria
do barro ainda mole dos objectos.
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Assim o pressentimos com fogos de encantamento
a enorme plenitude do orvalho das manhãs.
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Talvez nos enredemos em ludíbrios ágeis
pela cerimónia de louvar a imagem virtual dum deus
em seu nicho distante negligenciando as vozes da planície
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mas vale a pena tentarmos nós próprios a utopia
porque os deuses estão longe delidos noutros dilemas
noutras abstractas equações inatingíveis
porventura ainda mais utópicas que as nossas.
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Diremos Natal como se diz um bálsamo
ou um violino tangendo as cores dum perdido chão
testemunhando os alicerces duma fogueira na água
e no pó do nosso destino também um murmúrio incerto
alheio à vontade transparente das estrelas.
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DESEJO UM FELIZ NATAL
A TODOS
OS MEUS ESTIMADOS LEITORES
OS MEUS ESTIMADOS LEITORES
Etiquetas:
barro mole,
cerimónia,
deus,
encantamento,
imagem virtual,
manhã,
mítico,
murmúrio,
orvalho,
plenitude,
trevas,
utopia,
violino
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
PROFESSAR ESTA LUZ
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Professar esta luz, aceitar a eternidade dum sonho,
um fluido inquieto salpicado de murmúrios
que se constroem pela sua essência, em seu ovo
de intensidade latente, viva, de seu próprio fluido.
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Assistir à discreta cerimónia de ver arder o fogo
como quem ouve, ou julga ouvir num búzio o mar
e ater-se à tarefa inteira de respirar a paisagem,
a sua presença nua, o seu ofício perpétuo de cinzas.
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Para isso habitaremos as casas, os seus tectos serenos
apenas perturbados pelo gelo amargo dos invernos
e só temos a interpretar o tranquilo perfil das árvores
para entender as suas flores e o seu silêncio.
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Em Terrachã, ed. AEA
Etiquetas:
arder,
búzio,
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cinza,
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fogo,
intensidade,
murmúrio,
ovo,
paisagem,
poema à eternidade,
professar
sábado, 2 de outubro de 2010
POEMA AO PÓ
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A redescoberta que é ver o pó, cheirar o pó,
cheirar a pó. É um rumor inerte, um retrato
tangível de outras memórias perfurantes,
um vazio entre azuis e baços no chão da terra
gritando segredos abatidos ao silêncio ileso.
cheirar a pó. É um rumor inerte, um retrato
tangível de outras memórias perfurantes,
um vazio entre azuis e baços no chão da terra
gritando segredos abatidos ao silêncio ileso.
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Praticar a ciência do pó é viajar pelos gelos
da montanha, um texto insondável de signos
sobre a água, reminiscência doutras águas
de apenas a cognição nua, virgem, das fontes
Praticar a ciência do pó é viajar pelos gelos
da montanha, um texto insondável de signos
sobre a água, reminiscência doutras águas
de apenas a cognição nua, virgem, das fontes
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é desvendar a erosão, o murmúrio de colunas
gregas, efémeras, a inocente exaltação das aves
assim que o sol reacende a festa inadiável
-
é desvendar a erosão, o murmúrio de colunas
gregas, efémeras, a inocente exaltação das aves
assim que o sol reacende a festa inadiável
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e contemplar uma indústria sem nome e sem data,
sem prólogo, divina, puríssima, demoníaca.
sem prólogo, divina, puríssima, demoníaca.
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em "Terrachã", ed. AJEA
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quarta-feira, 17 de março de 2010
POEMA AOS CAMINHOS DO MAR
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É nos caminhos do mar, na estrutura mutante
do seu programa de memórias, de murmúrios
é no testemunho da transparência das águas
na sua dimensão ecuménica, admirável
de unir o sangue e os bálsamos apetecíveis
que nos banhamos numa vertigem de ludíbrios
trazendo as neblinas e o cheiro forte da luz
de meridianos horizontes, uma voz bilingue
para as apetências da plenitude, do equilíbrio
instável da nossa instante intranquilidade.
E é pelo mar que nos vinculamos à terra
que entendemos o cheiro acre da terra
e seus crisântemos repletos de inocências
para o reanimar do nosso berço anfíbio
a praia onde havemos de viver e morrer.
inédito
Lagos, 2003
É nos caminhos do mar, na estrutura mutante
do seu programa de memórias, de murmúrios
é no testemunho da transparência das águas
na sua dimensão ecuménica, admirável
de unir o sangue e os bálsamos apetecíveis
que nos banhamos numa vertigem de ludíbrios
trazendo as neblinas e o cheiro forte da luz
de meridianos horizontes, uma voz bilingue
para as apetências da plenitude, do equilíbrio
instável da nossa instante intranquilidade.
E é pelo mar que nos vinculamos à terra
que entendemos o cheiro acre da terra
e seus crisântemos repletos de inocências
para o reanimar do nosso berço anfíbio
a praia onde havemos de viver e morrer.
inédito
Lagos, 2003
Etiquetas:
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anfíbeo,
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