OS MEUS ESTIMADOS LEITORES
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domingo, 19 de dezembro de 2010
POEMA DE NATAL
OS MEUS ESTIMADOS LEITORES
quarta-feira, 9 de julho de 2008
poema à casa
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Também a casa tem seus recantos
Também a casa tem seus recantos ocultos
que se encolhem em umbrais austeros,
numa obscuridade sinuosa, impermeável
São a matéria excedente do latejar do sangue,
uma fogueira extinta pelo seu próprio fumo
caída sobre a cinza de magoadas flores
Não impedem ao tempo o seu galgar sereno
fechado na missão de arrefecer as cinzas
para a dispersão programada dos vestígios
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Estão ali porque completam a função do lar
os seus esteios multicolores, o seu espectro,
uma luta verdadeira entre as trevas e a luz
Este poema faz parte do livro "Causas de Habituação" (em preparação)
segunda-feira, 7 de abril de 2008
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Sem saber como nem donde
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Sem saber como nem donde eu vinha,
enfiei os pés na água escorrendo daqueles olhos escuros
que fitavam a eternidade.
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Estava o caminho recoberto de musgo, líquens sobre a pedra,
pedaços de ervas e árvores decaindo aos bolores do tempo.
Ao lado, uma bola prateada, redonda, rodava na roleta
e caía num poço
que se estendia às fragas da montanha
a avultar na minha frente,
derruindo.
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Sinto um baque no barro do coração.
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Amanhã virá a manhã a sair das trevas.
Sonho, logo ainda existo.
E é pelo sonho que resisto.
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Mas não há maneira de sair dali.
O meu cérebro trabalha tão depressa como a seiva,
o coração da terra reclamando os seus mártires;
tanto mais que eu e ela nos aproximávamos tanto,
nos colávamos tanto na mesma visão de fogo e cinzas,
que eu comecei a perceber que não havia nada
como aquele calor
que me chegava ao sangue e me transformava num ser repleto,
saturado da ternura daquele momento,
daquela suprema verdade.
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Bebi da água
que aos poucos ia dissolvendo o barro do meu coração.
Deixei correr as estradas, as estrelas,
os rios do mesmo deslumbramento.
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Era dia, em todas as madrugadas da minha paixão.
.inédito
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
POEMA À MOSCA
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Pobre irmã mosca, triste insecto díptero, abundante de olhos
para não ver a teia, para não respirar as trevas à luz do dia!
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Como eu te invejo, mas martirizo com vidros transparentes
azuis-brancos, imitações de fruta, aromas a romã, outras sinais
com que perdes a cabeça e ganhas o engenho da cópula,
nas lides, nas tardes chãs de apenas buscar a seiva árida!
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Ah, minha querida mosca, meu devaneio de ser homem
com olhos dentro dos olhos, para ver outras realidades, cores,
dimensões que tu nunca mediste, na tua inocência agrária
de apenas medir o tamanho do teu voo, das tuas patas ágeis
para desembarcar nos espaços nus onde reina a tranquilidade
um lugar para existir devagar sobre as coisas que são as tuas
onde encontrar outra mosca irmã, para completar a crónica.
em Terrachã, ed. AJEA