,

,
Mostrar mensagens com a etiqueta plenitude. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta plenitude. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A NOSSA CASA


A nossa casa é um lugar ao vento, mas buscamos
o absoluto, a bárbara verdade duma onda sobre a praia.
 .
Tudo nos pertence porque guardamos na memória
os restos do apego às coisas que tivemos, os gestos
de gratidão que vimos no coração dos dias violentos.
 .
Esta época não é a nossa. Subverte os conceitos
do ânimo, os desígnios legítimos de plenitude
 .
Mas por isso ainda somos a centelha que arde devagar
na paisagem estreita de árvores estóicas, em momentos
de tempestade, na consciência das opções sublevadas.
.
em Transparências, ed AJEA

sábado, 23 de março de 2013

O SONHO DOS DEUSES

Está publicado o 2º Volume de "POÉTICA", 
da Editorial Minerva. 
Nesta Antologia colaboram 75 autores da CPLP, 
num volume de 448 páginas.

Eis um dos poemas da minha participação:
 .
 O SONHO DOS DEUSES
 .
              “Os homens são o sonho dos deuses”
                                                 Da mitologia hindu
 .
Assentemos em que a vida é um acto que transporta
um minúsculo sobressalto dos deuses, o seu sonho:
o homem, com quem partilhar uma taça cheia
de barro para derramar nos rios que correm.
 .
Comentaremos o nosso próprio sonho
numa grinalda que nos trará um tremor de lábios
um ombro também a partilhar a mesma solidão.
 .
Porque o mistério dum olhar tranquilo, ali perto,
é a inocência das raízes que buscam o lago extinto
 .
e se esgota na génese das paixões,
no impassível decurso dos sóis sobre o desespero,
irmão dos deuses, no mesmo sobressalto
na mesma solidão dos deuses, o seu sonho,
como o nosso, de plenitude.

terça-feira, 10 de maio de 2011

POEMA EM MAIO

.
Barcos de azul
lavrando o céu do mar
 .
na cor da brisa
que a vela dá
ao vento
 .
.
na plenitude
do cio
do tempo.
 .
 inédito

sexta-feira, 1 de abril de 2011

UM POEMA


Em S. Paulo

 ,
Do meu livro "Por detrás das Palavras", 
recentemente publicado no Brasil, um poema. 
.
Como não havemos de questionar este mundo,
as suas estrelas transgressoras, na aventura temível
de erigir uma flor e destruí-la com um bafo de vento
vindo duma ciência longínqua, um destino indecifrável?
.
É nestes fósseis da pedra, que se lê a impressão digital
dum crepúsculo, uma lâmina de vertigens breves,
ah, um deus ignorante da plenitude do amor terreno,
amor que não se esgota com a morte das espécies.
-
Como deveremos interpretar as manifestações
de apego à terra, dos humildes bichos da terra,
uma fogueira inextinguível que há-de ver-se ao longe
quando se apagarem os últimos restos do sol?
-
.

domingo, 19 de dezembro de 2010

POEMA DE NATAL

 .
Vem das profundezas da memória do fim das trevas
um caminho mítico para os exercícios da alegria
do barro ainda mole dos objectos.
.
Assim o pressentimos com fogos de encantamento
a enorme plenitude do orvalho das manhãs.
.
Talvez nos enredemos em ludíbrios ágeis
pela cerimónia de louvar a imagem virtual dum deus
em seu nicho distante negligenciando as vozes da planície
.
mas vale a pena tentarmos nós próprios a utopia
porque os deuses estão longe delidos noutros dilemas
noutras abstractas equações inatingíveis
porventura ainda mais utópicas que as nossas.
.
Diremos Natal como se diz um bálsamo
ou um violino tangendo as cores dum perdido chão
testemunhando os alicerces duma fogueira na água
e no pó do nosso destino também um murmúrio incerto
alheio à vontade transparente das estrelas.
. 
DESEJO UM FELIZ NATAL 
A TODOS 
OS MEUS ESTIMADOS LEITORES

segunda-feira, 5 de julho de 2010

POEMA A UMA VELHA ÁRVORE

 .
O perfil duma velha árvore enche-nos de alegria.
,
A sua sombra traz-nos a presença tranquila da terra,
a forma da própria Terra, a sua frescura fraterna.
.
É uma pátria renovada de palavras anunciadas, lidas
nas vozes do rio, nas rotas do sol transbordante;
.
ela restitui os desvelos relembrados desde infância,
a cândida explicação dos perfumes pronunciados
noutros tempos imateriais, mágicos de plenitude;
.
traz a serenidade neutra, a harmonia dos outonos
na imagem dum rebanho que regressa pela tarde,
nas chuvas temporãs próprias do cheiro do barro,
a secular legítima ideia dum tecto restaurado;
.
organiza os enxames, une os sons do ar instável,
esvanece o orvalho vagaroso deslizante do corpo.
.
O colo duma velha árvore é o sonho duma criança
perpetuando a redobrada paz, e acende na água
rumorejante das fontes a sedução dos pássaros.

.
em Terrachã, ed. AJEA

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

A NOSSA CASA

.

A nossa casa é um lugar ao vento, mas buscamos

o absoluto, a bárbara verdade duma onda sobre a praia.

.

Tudo nos pertence porque guardamos na memória

os restos do apego às coisas que tivemos, os gestos

de gratidão que vimos no coração dos dias violentos.

.

Esta época não é a nossa. Subverte os conceitos

do ânimo, os desígnios legítimos de plenitude.

.

Mas por isso ainda somos a centelha que arde devagar

na paisagem estreita de árvores estóicas, em momentos

de tempestade, na consciência das opções sublevadas.

.

em "Transparências", ed. AJEA

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

VIAGEM ATRAVÉS DA LUZ

-

As primeiras estrofes

do poema "Viagem através da Luz" (4.900 palavras),

,

Transitamos através da luz

somos a pura contemplação da luz

a linguagem o cinzel dum barco

em perpétuas lúdicas viagens

ao interior dum mapa

-

e os nossos olhos acendem as manhãs

ébrios pela plenitude das manhãs

na linguagem alada dos sentidos e das seivas

-

buscam o segredo subterrâneo da alegria

por onde se estende o seio dos rios

as ervas que ecoam pelos caminhos claros.

-

São a nossa mais delicada ansiedade

mas também a nossa paixão as suas divagações

pelo oculto obscurecido dos olhos

que ignoram o modo sereno da luz e do pó

-

ou as imagens que fixam os contornos do tempo

em figuras intemporais seduzidas

pela linguagem das águas, o caos

do rumor do vento

na dimensão do céu animado pelo voo das aves.

-

E são os contornos da paisagem o nosso mundo

a nossa dedicada veneração

este modo quase ausente de persistir

na busca de formas transcendentes

de imagens de modelos de palavras

gémeas do abstracto imaginário dos nossos olhos

.

por onde guiaremos os passos

nas veredas insondáveis

da luz que se acende e apaga

a nossos pés

dentro de nós mesmos.

-

-(...)


domingo, 30 de março de 2008

POEMA JUNTO AO MAR

.


A amiga sophiamar, administradora do blog a ver o mar, teve a gentileza de elaborar uma postagem sobre um poema meu e, mais, compor a cena com a minha fotografia e excertos de alguma da minha biografia patente no livro “Escritores Portugueses do Algarve”. O poema agora transcrito foi um dos que a Professora Ilena Gonçalves seleccionou para a citada antologia, editada pelas prestigiadas edições Colibri, em 2006. Aqui fica o poema, e o meu muito obrigado à sophiamar, pela cortesia.

JUNTO AO MAR

Sempre encontrei a plenitude na plenitude junto ao mar.
Talvez (e talvez seja a palavra imprecisa por excelência/
assim uma irremediável certeza na dúvida certa/
um latejar súbito apressado inquieto coração/
ao impulso da adrenalina/) talvez, dizia,
junto ao mar sinta eu o ruído da terra o mais profundo
confundindo-se com o do mar
e com este o do meu pulsar inquieto coração
que trago debaixo destes olhos de horizontes.

Junto ao mar, talvez (porque o mar foi – e é –
o princípio das coisas e se prolonga
por subsequente cadência ou consequente inércia)
talvez, dizia, tenha eu o inconsciente lampejo
de omnisciente consciência abarcando o todo
a terra e o mar, e o meu ser de água e pó,
a inconsciente consciência que traz a plenitude
que só encontro plenamente na plenitude junto ao mar.

E ele aí está – mar, ó mar que vens das raízes do sal/
que mantém em equilíbrio o desequilíbrio constante
do meu sangue/ mar onde se acalma o desassossego
dos meus dias inquietos/ mar onde descanso o olhar
olhando olhando apenas a tua imensidade ó mar.

Ou talvez apenas,
talvez
porque eu tenha nascido junto ao mar.

Poema originariamente publicado em "Como um Relógio de Areia", ed. Mic, 1988

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

POEMA A UMA VELHA ÁRVORE

. .

O perfil duma velha árvore enche-nos de alegria.

A sua sombra traz-nos a presença tranquila da terra,
a forma da própria Terra, a sua frescura fraterna.

É uma pátria renovada de palavras anunciadas, lidas
nas vozes do rio, nas rotas do sol transbordante;

ela restitui os desvelos relembrados desde infância,
a cândida explicação dos perfumes pronunciados
noutros tempos imateriais, mágicos de plenitude;

traz a serenidade neutra, a harmonia dos outonos
na imagem dum rebanho que regressa pela tarde,
nas chuvas temporãs próprias do cheiro do barro,
a secular legítima ideia dum tecto restaurado;

organiza os enxames, une os sons do ar instável,
esvanece o orvalho vagaroso deslizante do corpo.

O colo duma velha árvore é o sonho duma criança
perpetuando a redobrada paz, e acende na água
rumorejante das fontes a sedução dos pássaros.


em Terrachã, ed. AJEA