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sexta-feira, 1 de abril de 2011

UM POEMA


Em S. Paulo

 ,
Do meu livro "Por detrás das Palavras", 
recentemente publicado no Brasil, um poema. 
.
Como não havemos de questionar este mundo,
as suas estrelas transgressoras, na aventura temível
de erigir uma flor e destruí-la com um bafo de vento
vindo duma ciência longínqua, um destino indecifrável?
.
É nestes fósseis da pedra, que se lê a impressão digital
dum crepúsculo, uma lâmina de vertigens breves,
ah, um deus ignorante da plenitude do amor terreno,
amor que não se esgota com a morte das espécies.
-
Como deveremos interpretar as manifestações
de apego à terra, dos humildes bichos da terra,
uma fogueira inextinguível que há-de ver-se ao longe
quando se apagarem os últimos restos do sol?
-
.

quarta-feira, 9 de março de 2011

AS COISAS


 .
Olho demoradamente as coisas
que me rodeiam.
 .
Elas aí estão, paradas, em seu esplendor
de existir
no seu tempo de lugar absoluto.
 .
Mas apenas consomem o tempo -
o meu questionar
no seu esplendor parado,
como um poema escrito
e nunca verdadeiramente entendido.
. 
inédito