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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

PROFESSAR ESTA LUZ

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Professar esta luz, aceitar a eternidade dum sonho,
um fluido inquieto salpicado de murmúrios
que se constroem pela sua essência, em seu ovo
de intensidade latente, viva, de seu próprio fluido.
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Assistir à discreta cerimónia de ver arder o fogo
como quem ouve, ou julga ouvir num búzio o mar
e ater-se à tarefa inteira de respirar a paisagem,
a sua presença nua, o seu ofício perpétuo de cinzas. 
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Para isso habitaremos as casas, os seus tectos serenos
apenas perturbados pelo gelo amargo dos invernos
e só temos a interpretar o tranquilo perfil das árvores
para entender as suas flores e o seu silêncio.
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Em Terrachã, ed. AEA

quinta-feira, 3 de abril de 2008

A BORBOLETA

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HOMENAGEM À PRIMAVERA


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Borboleta bonitita versejando
sobre as flores do quintal
pôs os ovos numa couve -
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oh, céu, menina!,
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a beleza principal!...

segunda-feira, 30 de julho de 2007

O VOO DO OVO

Poesia Experimental # 3


Dimensões do quadro em Exposições: 40x24

Arranjo gráfico de Francisco L.

Este quadro tem suscitado comentários muito interessantes. Mas deixo-vos um desafio: Há pelo menos mais um elemento patente na gravura e que ainda não foi aflorado. (1 de Agosto)

(4 de Agosto) - O VOO DO OVO (o pássaro que somos),suscitou variados comentários dos visitantes deste blog.
Na generalidade, eles foram no sentido de interpretar o quadro. Assim, muitos dos meus estimados leitores referiram as cores (implícita ou explicitamente, do arco-íris), o ovo, o voo (dum pássaro) e a terra. Obviamente o castanho não é uma cor do arco-íris e é geralmente conotada com a terra. A terra onde (ou donde) nasce o ovo, para dar as asas (dum pássaro) e subir atravessando as cores do arco-íris, até ao azul (de imediata conotação com o céu). Mas… não nascemos nós próprios dum ovo, na terra! E quem, de nós, não passou por todas as cores (com todas as conotações que isso possa ter)?
Aspiramos ao azul (não será esse o símbolo da plenitude: o céu, o grande mar, onde reina a tranquilidade e a pureza?) E então as asas? E este foi o desfio que lancei, a um dado momento: mal atingimos o azul, ou estamos em vias de fazê-lo, já as nossas asas começam a pender, a descair… a curvar-se… para a terra, o mar, onde tudo recomeça.
Inexoravelmente.