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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A NOSSA VIDA


A nossa vida é um lugar na luz, um artifício
da sua transparência, uma vertigem volátil
na redundância dos ares que respiramos.
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Somos submergidos pelo eterno tambor do tempo
e habitamos a sua fronte nua, o limbo cristalino
das suas mãos feitas de água, a bruma absurda.
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Vamos desbravando um caminho austero, interino,
com um silêncio inquieto manchado de murmúrios,
a cinza anónima, perecível, do cristal que fomos.
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Essa é a nossa condição, o declínio da claridade
que inunda os espaços onde soa a dúvida
de não sermos senão a imagem virtual da ideia
que temos de nós mesmos, do que julgamos ser.
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É excessivo este julgamento, mas é o possível,
porque não conhecemos outra alquimia
para explicar o sossego dum morto, recém vivo.

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em "Por Detrás das Palavras", ed. Beco dos Poetas, S. Paulo, Brasil
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ESTÁ PATENTE, NO BAR "FIM DA LINHA"
.- JUNTO À ESTAÇÃO DA CP, EM LAGOS -,
......um conjunto (10 dos 16) quadros
......que compõem a minha exposição
........clicar..."AS CORES DO POEMA"


As ilustrações são em A 3
elaboradas unicamente com meios informáticos

sábado, 23 de julho de 2011

MERIDIONAL PRAIA LUSITANA


....
Uma generosa imagem de mar,
a liberdade abstracta dos horizontes
na transparência de limites inexactos.
 .
Uma vela ancha, um reino antigo
– esta meridional praia lusitana
no pensamento íntimo do marinheiro.
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E as cores de leveza no chão das águas
expondo os seus búzios e anémonas
como um cristal perfeito do perfil do céu.
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........em "ALGARVE ONTEM", a sair brevemente


quarta-feira, 17 de março de 2010

POEMA AOS CAMINHOS DO MAR

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É nos caminhos do mar, na estrutura mutante
do seu programa de memórias, de murmúrios

é no testemunho da transparência das águas
na sua dimensão ecuménica, admirável
de unir o sangue e os bálsamos apetecíveis

que nos banhamos numa vertigem de ludíbrios
trazendo as neblinas e o cheiro forte da luz
de meridianos horizontes, uma voz bilingue
para as apetências da plenitude, do equilíbrio
instável da nossa instante intranquilidade.

E é pelo mar que nos vinculamos à terra
que entendemos o cheiro acre da terra
e seus crisântemos repletos de inocências
para o reanimar do nosso berço anfíbio
a praia onde havemos de viver e morrer.

inédito
Lagos, 2003