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quinta-feira, 3 de março de 2011

sonho



Adormeci a contar-lhe uma história.
 -
Uma estória antiga da cidade
uma estória que ele diz que não conhece
mas vejo-o a sorrir
com um sorriso de menino embevecido
 -
e só então vejo
que ele já morreu
 .
mas no meu sonho
sorri como se ainda cá estivesse
ao ouvir aquela estória da sua cidade
como se ainda cá estivesse
como se ainda cá estivesse.
 .
inédito

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

SONETO CLÁSSICO


sonetos #3
 .
Boiando sobre as águas inquietas
do lago macilento e oleoso,
vai ficando, parado e duvidoso,
o barco das viagens incompletas.
 .
E a Lua, dos amantes e poetas,
reflecte a vela branca do formoso
batel, no lago espelho tenebroso,
como ideais desfeitos de profetas.
 .
E as sombras errantes dos salgueiros
pintam fantasmas negros e medonhos,
no batel de esperanças e de sonhos.
 .
E o poeta e eu, os marinheiros,
escondem-se nas sombras do luar
e abraçam-se e beijam-se a chorar.
. 
em "37 Poemas", 1961, esg 

terça-feira, 11 de março de 2008

POEMA À MEMÓRIA DO TEU CORPO


ç

A memória do teu corpo é a paisagem dum tumulto

um cântico absorto antes de arrebatadas chuvas.

.

Traz o vestígio incandescente dos mares de levante

a ardência duma praia restituída de lembranças.

.

É uma semente a colorir os teus quadris de incenso

uma celebração ofegante sobre o umbral dum leito.

.

Relembro-o pela terra, os frutos, as formas macias

do respirar do vento como em teus olhos de alecrim.

.

E nunca hei-de renunciar ao seu apelo mágico,

para não desmerecer, num sonho, o teu pretérito.

.,

....Este poema pertence a "TRANSPARÊNCIAS",

....e segue na aquisição do meu mais recente livro,

...."ARABESCOS" (a título de oferta),

.....pelo preço global de 5 euros.

l

........Ver postagem anterior (ou a de 1 de Março)

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

.......
Lembranças
......
,
Ainda restam uns pedaços do sonho
porque os sonhos perduram para além do sonho
porque a tua lembrança acende todas as lembranças
porque outras imagens murmuram a tua imagem.
.
É pois, o tempo das memórias,
da água que desliza sobre as águas
o vento que se dilui nos ares
a pedra petrificada restituindo a pedra.
.
Restos de palavras que dizem outras palavras,
de alegrias que imitam a alegria,
de pequenos silêncios no vazio silente
irrepetível do sonho
que fez de ti a tua imagem em outrem,
despedaçando-se,
até vir o ágil mar do sono.
,
em TRANSPARÊNCIAS, ed AJEA

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

POEMA ÀS ARTES MÁGICAS

.......
.......Por artes mágicas

.......e outras lógicas

.......nos rigores do mar
.......nas velas brancas
.......como espuma de ar

.......derribando os continentes
.......e as ilhas
.......por onde andei

.......nas noites e nos dias
.......me aventurei
.......ao interior dos vulcões

.......e vi
.......nas noites do sonho
.......e utopia

.......a lua clara
.......em pleno dia.