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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

SONETO CLÁSSICO


sonetos #3
 .
Boiando sobre as águas inquietas
do lago macilento e oleoso,
vai ficando, parado e duvidoso,
o barco das viagens incompletas.
 .
E a Lua, dos amantes e poetas,
reflecte a vela branca do formoso
batel, no lago espelho tenebroso,
como ideais desfeitos de profetas.
 .
E as sombras errantes dos salgueiros
pintam fantasmas negros e medonhos,
no batel de esperanças e de sonhos.
 .
E o poeta e eu, os marinheiros,
escondem-se nas sombras do luar
e abraçam-se e beijam-se a chorar.
em "37 Poemas", 1961, esg 

sexta-feira, 4 de julho de 2008

poema às manhãs

.

.MANHÃS


.

Ah manhãs distantes

da minha infância

.

como vos lembro e relembro

e choro e me entristeço

.

Aqui

apenas me apareço

espectador dos outros e de mim

.

barco de rumo incerto

ao provir ou ao fim.

.

em "37 Poemas", o meu 1º livro, 1961, esg.