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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

SEM TÍTULO III


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Tudo o que se ilumina se desfaz.
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Só a água perdura
no seio do mar
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como as palavras ditas
por dentro das palavras.

em "POEMETOS", livro II
em preparação


sábado, 26 de dezembro de 2009

POEMA À MINHA VIDA

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A minha vida é o que eu penso que é a minha vida,
um golpe de vento o que eu penso ser um golpe de vento.

Vejo no vaivém das ondas apenas a ligeireza das ondas,
a mesma sensualidade das areias que arrastam o vento
e por ele se deixam arrastar numa profunda comunhão
como a água que cai sobre as águas, sem angústia.


E nunca me arrependo de olhar o azul, fazer um gesto
de vigiar o céu, à procura duma estrela imperturbável
apenas a dizer que está ali, longe, contemplando a terra.
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.em Transparências, ed. AJEA
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quarta-feira, 21 de novembro de 2007

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Lembranças
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Ainda restam uns pedaços do sonho
porque os sonhos perduram para além do sonho
porque a tua lembrança acende todas as lembranças
porque outras imagens murmuram a tua imagem.
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É pois, o tempo das memórias,
da água que desliza sobre as águas
o vento que se dilui nos ares
a pedra petrificada restituindo a pedra.
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Restos de palavras que dizem outras palavras,
de alegrias que imitam a alegria,
de pequenos silêncios no vazio silente
irrepetível do sonho
que fez de ti a tua imagem em outrem,
despedaçando-se,
até vir o ágil mar do sono.
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em TRANSPARÊNCIAS, ed AJEA