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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

MEMÓRIAS

MEMÓRIAS
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Ainda restam uns pedaços do sonho
porque os sonhos perduram para além do sonho
porque a tua lembrança acende todas as lembranças
porque outras imagens murmuram a tua imagem.
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É pois, o tempo das memórias,
da água que desliza sobre as águas
o vento que se dilui nos ares
a pedra petrificada restituindo a pedra.
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Restos de palavras que dizem outras palavras,
de alegrias que imitam a alegria,
de pequenos silêncios no vazio silente
irrepetível do sonho
que fez de ti a tua imagem em outrem,
despedaçando-se,
até vir o ágil mar do sono.

domingo, 12 de dezembro de 2010

O MECANISMO DO VENTO

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Entender o mecanismo do vento, o seu carácter transitório,
o caminho das pétalas duma flor sobre um vidro transparente
que reflecte a imagem do próprio frio do vidro colado ao tempo
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é um acto que pressupõe a elaboração cuidada dum inventário
das causas remotas, um roteiro para o exacto declive das águas
que vêm da montanha, coabitando na terra, unindo-se à terra.
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Essa é a verdadeira ciência dos musgos e do pólen que alaga
os nossos olhos com círculos irisados de sol, que transfigura
o nome que se dá a uma maçã, mesmo se na forma duma pedra;

e dessa textura é a frágil química dos sonhos, da predestinação
das noites caindo devagar sobre as nossas mãos demoradas,
a sua eterna transfiguração, o ciclo da água, o círculo do planeta.
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em Terrachã, ed. AJEA

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

DILEMA

Dicionário de Citações # 1
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.....“Se alguma vez quisermos ter um pouco
.....de conhecimento de qualquer coisa,
.....é necessário separar-nos dela e olhar
.....apenas com a alma, as coisas em si mesmas
”
.....Sócrates


É preciso olhar as coisas com uma cuidada distracção
distanciamento quanto baste, fora do seu quadro de referências,
as imagens que correm, que corrompem outras imagens,
formando abstracções, outras realidades concretas,
da mesma cor dos estratos geológicos, lâminas sobre lâminas
horizontais, nas raízes movediças da terra.


Esta discrição permite ao raciocínio um perfeito raios x
capaz de ler noções como tempo, silêncio, drama,
o patamar incontestado dos segredos guardados em altas torres
só conhecidos dos iniciados na ciência dos magmas da terra.


E permite mostrar como é possível a serenidade comovente
de apenas olhar, sem paixão pelos gelos dos altos cumes,
desligado do fervor endémico de ver crescer o trigo
ou conhecer o imediato destino dum pássaro caído de asa
sem procurar as suas origens, o dilema de ser coerente.

inédito

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

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Lembranças
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Ainda restam uns pedaços do sonho
porque os sonhos perduram para além do sonho
porque a tua lembrança acende todas as lembranças
porque outras imagens murmuram a tua imagem.
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É pois, o tempo das memórias,
da água que desliza sobre as águas
o vento que se dilui nos ares
a pedra petrificada restituindo a pedra.
.
Restos de palavras que dizem outras palavras,
de alegrias que imitam a alegria,
de pequenos silêncios no vazio silente
irrepetível do sonho
que fez de ti a tua imagem em outrem,
despedaçando-se,
até vir o ágil mar do sono.
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em TRANSPARÊNCIAS, ed AJEA