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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Poema de "Por detrás das Palavras"

 .
Oh, a minha tendência para ver na bruma
figuras acesas de intenso brilho
como estrelas na noite nítida, prodigiosas
de enigmas e pronúncios de duradoiro sol.

Sei de cor as suas feições cinzeladas
pela fria e opaca ilusão da claridade,
uma iluminura de símbolos, de búzios.

Apenas não aceito a sua persistente
aparição, os ecos sempre devolvidos
pelo muro das evidências claras
dum outro mundo de miragens genuínas.

em "Por detrás das Palavras", ed. Beco dos Poetas, S.Paulo, pp 21

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Expirados são os Prazos

 .
Um dos poemas do meu livro
 .
"Por detrás das Palavras"
.
(esgotado em Portugal)
,
a sair brevemente, em S. Paulo, no Brasil
 .
Expirados são os prazos, expostas estão as certezas
dos migrantes da terra direito às profundezas
- a nossa mais delicada reflexão.

É breve o juízo que fazemos das coisas. Breve
a matéria conhecida dos afectos, das dúvidas,
para deduzir equações inteligíveis.

Sofremos a candura dum olhar benévolo
por cada passo, por cada aceno de mão
dum outro viandante que se perde na estrada,
às escuras dum novo dia
e entendemos nessa predestinação a nossa luta.

Mas o caminho foi rasgado num golpe de vento
numa ravina cheia de indícios de fogo morto
num rio indolente que sabe o vigor do mar,
as rédeas dum chicote brandido à noite.

Percebemos o milagre violento dos magmas
por ver as cinzas jazidas nos corpos ardentes,
ao nascer da aurora inquieta das palavras.

Experimentamos o encolerizar das últimas
vozes da terra, nuas de desespero,
frias de lembranças destroçadas e acesas
pelo sal cristalizado num deserto de água.

Mas somos o nosso último pretexto para amar a terra
e os seus enigmas instintivos mas obscuros,
com que descrevemos a laboriosa seiva das árvores.
 ,
em "Por detrás das Palavras", Edição Beco dos Poetas, S. Paulo

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

NAS LADEIRAS

.......
    Nas ladeiras procuramos a utopia 
....que nivelou o chão das nossas vidas, 
....o sol em promontórios procuramos
....para acalentar parábolas do amor.

....Procuramos a tranquilidade no delírio
....de interpretar enigmas perduráveis,
....mas o nosso destino alado só achamos
....na cerimónia dum beijo peregrino.

....Assim nos cercamos de águas frias
....caindo sobre a fronte desde a noite
....e morremos de mortes mal vividas
....pela vida que tivemos nos caminhos.