,

,
Mostrar mensagens com a etiqueta sossego. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta sossego. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 29 de julho de 2011

POEMA ÀQUELE SILÊNCIO

.
Inúteis as palavras voam
sob o verme escaldante da poeira
 .
que em fogo rebentam pelo vento
dos olhos do exorcista
na cidade.
 .
Tal o rosto do teu sossego
a notícia inscrita
em teu silêncio.
 .
E assim te quero
– liberto
no chão lavrado
da semente  –
 .
calmo   destroços
frágil pavio
ardendo sobre um mar
de frio.
. 
em O FRIO DOS DIAS, esg

quarta-feira, 16 de abril de 2008

É O VENTO A INTERPRETAR

.

É o vento a interpretar o verdadeiro desígnio destes campos,
migalhas de pó que se transportam ondeando as ervas e os matos
para um tempo breve, onde dispor um incêndio, junto ao corpo
das excessivas lembranças, no anónimo exílio das cidades.

.
Quanto basta é o sossego dos lugares soltos ao festim do sol,
a asa dum insecto que se recorta no azul perdurável da terra.

.
Assim me ensinaram os perfumes da urze, que chegam de longe,
o estorninho escondido dos olhares, desconfiado dos destinos.

.
E aqui reconheço, no chão caminho das águas, a serenidade
deste pastor imperturbável às formas fulgurantes do silêncio
que soa entre as árvores, o trânsito liberto, perpétuo, das seivas,
a exacta, útil degenerescência do conceito urbano de solidão.

em Terrachã, ed AJEA/2004