,
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Volta a Portugal em Bicicleta (homenagem)
.
Homenagem ao ciclista
.
Corre pela planície sem fim,
ó aventureiro do deslumbramento
e do delírio das engrenagens
porque a roda obedece a um sistema de rodas
que aceleram o movimento das estradas
e o teu corpo é apenas um espasmo de esferas
pulsações, ácido lácteo e ureia
em busca da alegria!
A distância é o asfalto abstracto,
um fantasma de quilómetros sem medida
suspenso de imateriais sonhos de ir longe
sobre a ligeireza da miragem perto.
Corre, ó aventureiro,
pelas veias do país,
pela planície abstracta do teu contentamento,
do teu delírio de ir longe, além da miragem
do movimento da estrada rasa,
para desvendar seus frutos
e a raiz inquieta da tua alma!
(Peço desculpa a todos os amigos blogistas, por não estar a responder a todos os comentários mas, neste momento encontro-me muito limitado e com difícil acesso a um computador.)
sexta-feira, 7 de março de 2008
HOMENAGEM
JOEL d´ ÁVILA
Usava o pseudónimo desde os tempos de estudante, em Coimbra, sempre que escrevia poesia ou a recitava,
Quando regressei, largos anos depois, voltei a encontrá-lo e fiquei a saber (também por amigos comuns), que durante esse tempo, fora um constante divulgador da minha poesia. O seu favorito era Poema para Hoje, escrito em 1963 (ou 64), mas que só viria a ser publicado quando regressei, num livro intitulado precisamente «POEMA PARA HOJE», há muito esgotado.
Declamava por toda a parte, fosse em almoços de antigos estudantes, ou colegas profissão, Casas de Fado, ou mesmo em Cafés e Tascas.
A sua voz e o seu arrebatamento, encantavam e empolgavam, principalmente em poemas de exaltação e incitamento à liberdade e à luta, como no muito extenso Poema para Hoje, que começa assim:
Vencer, ou morrer!
se mil vezes fincares os pés na terra -
norte da luta, pelo ideal vincado nas mãos.
Um tarde, num Café, começou a recitar-me uns versos.
Depois, ante o meu silêncio interrogativo, perguntou-me se eu não me lembrava deles. Disse-lhe que tinha uma vaga ideia que escrevera um poema algo semelhante, mas que se perdera, há muito, na minha ausência.
- O poema é teu! – exclamou ele.
Eu perdera-o, ele gravara-o na sua mente! E aqui o publico, como singela homenagem a um grande amigo, que a morte, cedo, levou.
Negros sãos teus cabelos louros
amarelos também teus olhos cinza
de branco tingirei minha alma gris
o verde intenso dos teus seios
o rosa velho dos teus lábios
e me fica tão bem a alma azul
os tons variados do arco-íris
................em promoção..
livros.ARABESCOS + TRANSPARÊNCIAS - 5 euros
conforme postagem anterior