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sábado, 30 de janeiro de 2010

ALGARVE ONTEM

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Contemplemos esta imagem, esta barca doutros séculos,

essas personagens concretas que viveram outras vidas,

outras balbúrdias de céus e mar, sob o tecto exíguo

dum amanhecer limpo de comparanças a outros tempos

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navegando a sóis e luas, ventos de sueste a norte

e marés de angústia ou fé na crença dos presságios

que liam nas cores inscritas em sinais do céu nocturno

ou búzios que luziam promessas de corvinas e robalos.

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Contemplar esta imagem é navegar estas águas, a crença

que presidia aos destinos, para sempre desprendidos

duma onda que veio de longe aqui morrer, junto à praia

onde se extingue a luz que desce devagar sobre os olhos.

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em ALGARVE ONTEM, a publicar
O livro terá um Prefácio de Vilhena Mesquita, Professor da UAlg
e Notas Etnográficas de Brazão Gonçalves (o autor do Dicionário do Falar Algarvio)


segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

POEMA DE NATAL

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Naquela noite fazia frio fazia pena
ver almas despedaçadas deitadas corpos entrouxados
dispersos nas calçadas luzidias do passeio das ruas
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Caía uma névoa fina que simulava chuva punhais
de raiva e resignação ou antes uma levada de mágoa
de murmúrios sem data sem fumo sem restos de cio
perdidos num mar de pedras nas calçadas da rua
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Era uma noite de claustros tambores rufando clamando
os clamores da vida a náusea descrente na boca sofrida
o granito fundido já duro das lutas perdidas
pisado nos ossos nos ombros nos olhos que olham
as coisas por fora nas coisas por dentro
e as noites nos dias e os búzios na praia sem vento
soprando as pedras do passeio da rua
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Doía a quem doía não fora a noite uma noite
de aprazimento em todas as aldeias da cidade
tempo de alegrias acepipes farturas alvarinho
em casas abastadas sobranceiras aos passeios da rua
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o mais vago grave desígnio dum oráculo de plenitude
na inocência das crianças nas crenças na sentença
dos mecanismos que levam ao enternecimento
por ver a chuva a cair sobre corpos alheios
prostrados enrodilhados no manto do passeio das ruas.
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