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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

ALGARVE ONTEM

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....Gente humilde habitou séculos estes vales,

....na condição imponderável da angústia

....pelo fruto incerto da terra, pela sedução

....de apenas ver crescer o trigo, as chuvas

....do inverno anunciador da seara renovada.

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....Fazia-o em sua inocência agrária, medieval,

....trespassada por voláteis alegrias da luz

....a imaginar os crepúsculos esbeltos

....duma manhã irreprimível de harmonias.

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....E pouco entendia a náusea da afronta

....em que vivia: o pão exíguo, a obediência

....sem retorno ou gratidão, apenas uma enxada

....com que cavar a própria vida, a charneca

....onde semeava a ruína de seus sonhos.

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.....em "Algarve Ontem", a publicar

sexta-feira, 20 de junho de 2008

poema ao verão

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POEMA AO VERÃO
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Vem ....Verão.... com pétalas de sol zunindo
a tarde ameaçada pelo incêndio da noite
súbita de harmonias, rasgada de ocultas aves
ciciando a espuma translúcida dos olhos,
devorada de penumbra.

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Vem.... Verão.... coberto de sonhos rente ao rio
exausto, de vermes apodrecido
sob o hálito fugidio das folhas secas
– de sol e mistério breve –
num harpejo de searas e semente.

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Vem.... Verão..... dócil sonâmbulo abrindo
as entranhas da terra grávida,
de secura e pólen amarela
em crepúsculos voando o inverno
num violino de cigarras.

em "O FRIO DOS DIAS", edição do autor, 1986