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segunda-feira, 3 de março de 2014

A VISTA E O OUVIDO


...A vista e o ouvido oferecem aos homens alguma certeza, 
ou não será verdade, 
 como não cessam de contar os poetas,
que não ouvimos nem vemos seja o que seja de exacto?” 
Sócrates
 .
Para entender o que os olhos vêm, a inexactidão das coisas,
o vigor do tomilho que ateima em seduzir os lábios
que soam nas palavras as cores da utopia

é preciso uma voz que diga a brisa da frescura na planície
sem tempestades de areia e pó
a oferecer uma flauta para ler os horizontes.

Nada do que é parece ser, nem a dor que permanece
ao fim do dia no declinar das rosas
ou dos enganos transparentes.
Nem de ouvir
pela pele ressequida duma flor.
Nem de sentir perfumes de mulher sob as escadas
como parecia que era o céu.
Nem o fogo que queima a plenitude do amor.
Nada é senão o brilho ofuscante igual aos nossos olhos,
um diamante translúcido, a iluminura duma estampa antiga
que deita uma sombra sobre a sombra dos orvalhos.
em "Diccionário de Citações", a publicar