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segunda-feira, 14 de julho de 2008

quarta-feira, 9 de julho de 2008

poema à casa

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Também a casa tem seus recantos

...
Também a casa tem seus recantos ocultos
que se encolhem em umbrais austeros,
numa obscuridade sinuosa, impermeável

..
São a matéria excedente do latejar do sangue,
uma fogueira extinta pelo seu próprio fumo
caída sobre a cinza de magoadas flores

...
Não impedem ao tempo o seu galgar sereno
fechado na missão de arrefecer as cinzas
para a dispersão programada dos vestígios

.

Estão ali porque completam a função do lar

os seus esteios multicolores, o seu espectro,
uma luta verdadeira entre as trevas e a luz

...
Este poema faz parte do livro "Causas de Habituação" (em preparação)

sexta-feira, 4 de julho de 2008

poema às manhãs

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.MANHÃS


.

Ah manhãs distantes

da minha infância

.

como vos lembro e relembro

e choro e me entristeço

.

Aqui

apenas me apareço

espectador dos outros e de mim

.

barco de rumo incerto

ao provir ou ao fim.

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em "37 Poemas", o meu 1º livro, 1961, esg.

domingo, 29 de junho de 2008

poema às memórias

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São as memórias que sustentam

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São as memórias que sustentam a leveza do ar,

num exercício renovado de mistérios lentos

anunciadores dos sonhos.

.

Vivem em nichos vagabundos

perto do ruído das ruínas,

longe dos rios que não descansam

no ombro da margem

num tempo para fruir a leveza dos malmequeres

abruptos dos caminhos.

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Acendem-se noutras memórias

e refazem os aromas antigos,

as cores redundantes

da paisagem que flui, .já ontem.

:
Um dos meus poemas que saiu no nº 11 da série DiVersos, (colectivo) edições Sempre-em-pé, Verão de 2007.

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Também com a chancela das Edições Sempre-em-pé vão ser apresentados o nº13 da série DiVersos e, ainda, os livrosGloria Victis”, de Carlos Garcia de Castro e “Rio Abaixo, Rio Acima”, de Tobias Burghardt, edição bilingue português-alemão, com tradução de Maria de Nazaré Sanches, na Casa Fernando Pessoa, Campo de Ourique, em Lisboa. As apresentações têm lugar no dia 3 de Julho, às 18 horas. A entrada é livre.

Mais informações:

www.sempreempe.pt
contacto@sempreempe.pt

sexta-feira, 20 de junho de 2008

poema ao verão

:..
POEMA AO VERÃO
-

-
Vem ....Verão.... com pétalas de sol zunindo
a tarde ameaçada pelo incêndio da noite
súbita de harmonias, rasgada de ocultas aves
ciciando a espuma translúcida dos olhos,
devorada de penumbra.

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Vem.... Verão.... coberto de sonhos rente ao rio
exausto, de vermes apodrecido
sob o hálito fugidio das folhas secas
de sol e mistério breve –
num harpejo de searas e semente.

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Vem.... Verão..... dócil sonâmbulo abrindo
as entranhas da terra grávida,
de secura e pólen amarela
em crepúsculos voando o inverno
num violino de cigarras.

em "O FRIO DOS DIAS", edição do autor, 1986

sábado, 17 de maio de 2008

poema ao pó

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..

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Um dia acende-se o vazio do palco

cai o pano sobre o pó

.

evaporam as palavras dos teus olhos

.

um pássaro boceja à beira do tempo

.

depois

.

não haverá antes nem depois

apenas um silêncio

um perfume ecoando pelo vale

uma folha dolorida levada pelo rio.

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Este poema é um dos que integram o livro "Transparências". .Este livro, editado pela AJEA (Associação dos Jornalistas e Escritores do Algarve), acompanha o recentemente publicado "Arabescos", pelo preço global de 5 euros.

terça-feira, 13 de maio de 2008

a pacificação

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A pacificação das massas

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Concertados os adjuvantes, os catalisadores,
os adjudicadores da síntese que presidiu à ideia


.....a ideia era resolver a punho (mas a contento!)
.....o gume que se punha como o sol a pino
.....sobre o alto das nossas cabeças

e que (sabe-se lá desde quando!...)
nos tem vindo a re partir a alma em duas
o cu e o banco (à mesa) em dois.


Vieram os de em baixo tecer uma grande alcatifa
até cima.


Assim foi a cintilante pirâmide de Mikerinos
hoje exaustivamente medida
em todos os possíveis ângulos
sempre que a terra treme
ao longo da grande falha de S. Francisco.


Paralelamente (a dar fé a um persistente fluxo hertziano
que corre de norte para sul
e muito particularmente de ocidente para ocidente)


foi o apaziguamento dos espíritos

(a panificação das massas)

democraticamente

amen

em "Poemas Satíricos e Outros" (Bodas de Prata), ed. Mic do Fernando Grade.

sábado, 10 de maio de 2008

................poemetos #9
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Belo


é música abstracta dos teus olhos

a leveza dum peão num jogo de xadrez

o silêncio do vento

anunciador da tempestade.


inédito

terça-feira, 6 de maio de 2008

POEMA AO PÂNTANO DO SOL

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Esta indolência do ar,

o calor ainda húmido da terra

aberta a um olhar fecundo


que apodrece o pântano do sol

em imagem de poeiras imprecisas

pairando à luz do dia


como um tímido cristal

reflectindo a luz na brisa -


águas breves

caindo sobre a fronte


escorrendo

para o interior dos olhos indolentes

de quem conhece a terra

coberta pelo sol.



inédito

segunda-feira, 28 de abril de 2008

25 de ABRIL - dias depois...

postais ilustrados #6
clique para melhor ler o texto

A ilustração é da autoria de Jorge Norvick e foi elaborada segundo a técnica do linóleo, a que o autor ajuntou outros elementos, ou texturas. Dela se tiraram 1.000 exemplares que, dadas as características do próprio linóleo e o seu carácter artesanal, são sempre muito ligeiramente diferentes umas das outras. Tem acompanhado (a título de oferta extra), juntamente com o livro de poesia "Transparências" a promoção de "Arabescos", o meu mais recente livro de poesia.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

.25 de ABRIL

-.
....
uma bandeira na mão
....outra no peito

.ç
....atrás da razão
... .o direito.

em "Poemetos II" (em preparação)

quarta-feira, 16 de abril de 2008

É O VENTO A INTERPRETAR

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É o vento a interpretar o verdadeiro desígnio destes campos,
migalhas de pó que se transportam ondeando as ervas e os matos
para um tempo breve, onde dispor um incêndio, junto ao corpo
das excessivas lembranças, no anónimo exílio das cidades.

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Quanto basta é o sossego dos lugares soltos ao festim do sol,
a asa dum insecto que se recorta no azul perdurável da terra.

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Assim me ensinaram os perfumes da urze, que chegam de longe,
o estorninho escondido dos olhares, desconfiado dos destinos.

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E aqui reconheço, no chão caminho das águas, a serenidade
deste pastor imperturbável às formas fulgurantes do silêncio
que soa entre as árvores, o trânsito liberto, perpétuo, das seivas,
a exacta, útil degenerescência do conceito urbano de solidão.

em Terrachã, ed AJEA/2004

segunda-feira, 7 de abril de 2008

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Sem saber como nem donde

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Sem saber como nem donde eu vinha,

enfiei os pés na água escorrendo daqueles olhos escuros

que fitavam a eternidade.

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Estava o caminho recoberto de musgo, líquens sobre a pedra,

pedaços de ervas e árvores decaindo aos bolores do tempo.

Ao lado, uma bola prateada, redonda, rodava na roleta

e caía num poço

que se estendia às fragas da montanha

a avultar na minha frente,

derruindo.

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Sinto um baque no barro do coração.

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Amanhã virá a manhã a sair das trevas.

Sonho, logo ainda existo.

E é pelo sonho que resisto.

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Mas não há maneira de sair dali.


O meu cérebro trabalha tão depressa como a seiva,

o coração da terra reclamando os seus mártires;

tanto mais que eu e ela nos aproximávamos tanto,

nos colávamos tanto na mesma visão de fogo e cinzas,

que eu comecei a perceber que não havia nada

como aquele calor

que me chegava ao sangue e me transformava num ser repleto,

saturado da ternura daquele momento,

daquela suprema verdade.

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Bebi da água

que aos poucos ia dissolvendo o barro do meu coração.

Deixei correr as estradas, as estrelas,

os rios do mesmo deslumbramento.

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Era dia, em todas as madrugadas da minha paixão.

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inédito

quinta-feira, 3 de abril de 2008

A BORBOLETA

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HOMENAGEM À PRIMAVERA


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Borboleta bonitita versejando
sobre as flores do quintal
pôs os ovos numa couve -
.
oh, céu, menina!,
:
a beleza principal!...

domingo, 30 de março de 2008

POEMA JUNTO AO MAR

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A amiga sophiamar, administradora do blog a ver o mar, teve a gentileza de elaborar uma postagem sobre um poema meu e, mais, compor a cena com a minha fotografia e excertos de alguma da minha biografia patente no livro “Escritores Portugueses do Algarve”. O poema agora transcrito foi um dos que a Professora Ilena Gonçalves seleccionou para a citada antologia, editada pelas prestigiadas edições Colibri, em 2006. Aqui fica o poema, e o meu muito obrigado à sophiamar, pela cortesia.

JUNTO AO MAR

Sempre encontrei a plenitude na plenitude junto ao mar.
Talvez (e talvez seja a palavra imprecisa por excelência/
assim uma irremediável certeza na dúvida certa/
um latejar súbito apressado inquieto coração/
ao impulso da adrenalina/) talvez, dizia,
junto ao mar sinta eu o ruído da terra o mais profundo
confundindo-se com o do mar
e com este o do meu pulsar inquieto coração
que trago debaixo destes olhos de horizontes.

Junto ao mar, talvez (porque o mar foi – e é –
o princípio das coisas e se prolonga
por subsequente cadência ou consequente inércia)
talvez, dizia, tenha eu o inconsciente lampejo
de omnisciente consciência abarcando o todo
a terra e o mar, e o meu ser de água e pó,
a inconsciente consciência que traz a plenitude
que só encontro plenamente na plenitude junto ao mar.

E ele aí está – mar, ó mar que vens das raízes do sal/
que mantém em equilíbrio o desequilíbrio constante
do meu sangue/ mar onde se acalma o desassossego
dos meus dias inquietos/ mar onde descanso o olhar
olhando olhando apenas a tua imensidade ó mar.

Ou talvez apenas,
talvez
porque eu tenha nascido junto ao mar.

Poema originariamente publicado em "Como um Relógio de Areia", ed. Mic, 1988

terça-feira, 25 de março de 2008

A LEI DE LAVOISIER


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nada se perde nada se forma
-
tudo se trans-
-torna
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em POEMETOS I - ed. litoral (esgotado)


sexta-feira, 21 de março de 2008

OS VAGABUNDOS DA SORTE






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ç




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-
Vinham de longe, duma lonjura distraída,
os pés doridos por cima de pedras
impassíveis às chuvas que se avizinhavam,
vultos frágeis de vertigens, entre sóis e abismos,
para semear ruínas sobre as horas inertes, sem data.
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Seguiam pelo caminho estreito afeiçoado aos séculos,
enquanto uma sombra passava sobre o sol moribundo
e um rio macilento se afogava de nudez, no seio da serra.
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Traziam fantasmas de medo nos olhos,
o frio das trevas longamente vividas em profundezas
de claustros cheios de incenso,
no decurso das tempestades nascentes,
e nos relâmpagos de génios incendiados
que logo se apagam e que deixam no ar o sabor amargo
da náusea, o torpor do ópio.
.
Eram os vagabundos da sorte, filhos do esquecimento,
enredados num mar de escolhos,
até às últimas madrugadas destes dias.
.
Traziam tudo o que para eles já fora perdido,
ou inimaginado de perder.
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Nada ficava de fora, nem a agonia das formas ainda vivas.
.
Mas ainda e sempre, traziam em si a levedura do sonho,
que faz advir o pão imperioso,
na patética travessia dos desertos,
para derribar,
rasar,
alisar as montanhas que se vêm ao longe,
dentro da alma.
ç
inédito
(desenho do autor)

+

sexta-feira, 14 de março de 2008

l
BREVE PROPOSIÇÃO CONJUNTA

DE EINSTEIN E EU
ç
A lei da relatividade
ç
ou
n
a grei da relativida?
ç
em POEMETOS I, ed. litoral, (esg)

terça-feira, 11 de março de 2008

POEMA À MEMÓRIA DO TEU CORPO


ç

A memória do teu corpo é a paisagem dum tumulto

um cântico absorto antes de arrebatadas chuvas.

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Traz o vestígio incandescente dos mares de levante

a ardência duma praia restituída de lembranças.

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É uma semente a colorir os teus quadris de incenso

uma celebração ofegante sobre o umbral dum leito.

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Relembro-o pela terra, os frutos, as formas macias

do respirar do vento como em teus olhos de alecrim.

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E nunca hei-de renunciar ao seu apelo mágico,

para não desmerecer, num sonho, o teu pretérito.

.,

....Este poema pertence a "TRANSPARÊNCIAS",

....e segue na aquisição do meu mais recente livro,

...."ARABESCOS" (a título de oferta),

.....pelo preço global de 5 euros.

l

........Ver postagem anterior (ou a de 1 de Março)

sexta-feira, 7 de março de 2008

HOMENAGEM

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JOEL d´ ÁVILA


Usava o pseudónimo desde os tempos de estudante, em Coimbra, sempre que escrevia poesia ou a recitava, em público. Conheci-o pouco antes de seguir para além Pirenéus, para desembaraçar-me da mordaça do Fascismo.
Quando regressei, largos anos depois, voltei a encontrá-lo e fiquei a saber (também por amigos comuns), que durante esse tempo, fora um constante divulgador da minha poesia. O seu favorito era Poema para Hoje, escrito em 1963 (ou 64), mas que só viria a ser publicado quando regressei, num livro intitulado precisamente «POEMA PARA HOJE», há muito esgotado.
Declamava por toda a parte, fosse em almoços de antigos estudantes, ou colegas profissão, Casas de Fado, ou mesmo em Cafés e Tascas.
A sua voz e o seu arrebatamento, encantavam e empolgavam, principalmente em poemas de exaltação e incitamento à liberdade e à luta, como no muito extenso Poema para Hoje, que começa assim:

É a hora, irmão!

Vencer, ou morrer!

Mil vezes vencerás
se mil vezes fincares os pés na terra -
norte da luta, pelo ideal vincado nas mãos.

(…)

Um tarde, num Café, começou a recitar-me uns versos.
Depois, ante o meu silêncio interrogativo, perguntou-me se eu não me lembrava deles. Disse-lhe que tinha uma vaga ideia que escrevera um poema algo semelhante, mas que se perdera, há muito, na minha ausência.
- O poema é teu! – exclamou ele.
Eu perdera-o, ele gravara-o na sua mente! E aqui o publico, como singela homenagem a um grande amigo, que a morte, cedo, levou.

TU

Negros sãos teus cabelos louros
amarelos também teus olhos cinza
de branco tingirei minha alma gris

E se gosto tanto dos teus olhos
o verde intenso dos teus seios
o rosa velho dos teus lábios
e me fica tão bem a alma azul

é porque demais adoro
os tons variados do arco-íris

poema de.. ARABESCOS......

................em promoção..

livros.ARABESCOS + TRANSPARÊNCIAS - 5 euros

conforme postagem anterior

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

POEMETO

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..................e aqui veio cair

..

........um pássaro inteiro


as asas abertas ao calor da terra

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....Poemeto de abertura para Poemetos II (em preparação)



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

POEMA MUITO RITMADO

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............Musgo d’água.....
luz..... escuna d’ar
............em que país..... ou praia limpa..... ou mar


Em que outro gesto..... de ver..... olhando
ó terra..... ó pedra obscura..... quando


Em que país...... ou febre...... ou fogo
certeza certa...... miragem...... logro


És sonho..... és vento...... espuma d`água
raiz do nada...... escolho...... ou fraga


ou te não vejo..... de tanto olhar
neste país..... na praia limpa..... neste mar


Acorda...... Luz...... A noite olvida
Dou-te uma flor..... meu sonho..... a vida


Em "ARABESCOS"; edição litoral.
A ser apresentado no próximo Domingo, dia 24 de Fevereiro,
pelas 16 horas, em Artebúrguer, Praia da Luz, Lagos.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

UM POEMA AO VENTO

.....
O mecanismo do vento
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Entender o mecanismo do vento, o seu carácter transitório,
o caminho das pétalas duma flor sobre um vidro transparente
que reflecte a imagem do próprio frio do vidro colado ao tempo
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é um acto que pressupõe a elaboração cuidada dum inventário
das causas remotas, um roteiro para o exacto declive das águas
que vêm da montanha, coabitando na terra, unindo-se à terra.
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Essa é a verdadeira ciência dos musgos e do pólen que alaga
os nossos olhos com círculos irisados de sol, que transfigura
o nome que se dá a uma maçã, mesmo se na forma duma pedra;

e dessa textura é a frágil química dos sonhos, da predestinação
das noites caindo devagar sobre as nossas mãos demoradas,
a sua eterna transfiguração, o ciclo da água, o círculo do planeta.
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em Terrachã, ed. AJEA