,
terça-feira, 25 de março de 2008
A LEI DE LAVOISIER
sexta-feira, 21 de março de 2008
OS VAGABUNDOS DA SORTE

.
.
os pés doridos por cima de pedras
impassíveis às chuvas que se avizinhavam,
vultos frágeis de vertigens, entre sóis e abismos,
para semear ruínas sobre as horas inertes, sem data.
Seguiam pelo caminho estreito afeiçoado aos séculos,
enquanto uma sombra passava sobre o sol moribundo
e um rio macilento se afogava de nudez, no seio da serra.
Traziam fantasmas de medo nos olhos,
o frio das trevas longamente vividas em profundezas
de claustros cheios de incenso,
no decurso das tempestades nascentes,
e nos relâmpagos de génios incendiados
que logo se apagam e que deixam no ar o sabor amargo
da náusea, o torpor do ópio.
Eram os vagabundos da sorte, filhos do esquecimento,
enredados num mar de escolhos,
até às últimas madrugadas destes dias.
Traziam tudo o que para eles já fora perdido,
ou inimaginado de perder.
Nada ficava de fora, nem a agonia das formas ainda vivas.
Mas ainda e sempre, traziam em si a levedura do sonho,
que faz advir o pão imperioso,
na patética travessia dos desertos,
para derribar,
rasar,
alisar as montanhas que se vêm ao longe,
dentro da alma.
(desenho do autor)
segunda-feira, 17 de março de 2008
POSTAIS ILUSTRADOS DE POESIA
sexta-feira, 14 de março de 2008
BREVE PROPOSIÇÃO CONJUNTA
DE EINSTEIN E EU
ç
A lei da relatividade
ç
ou
n
a grei da relativida?
ç
em POEMETOS I, ed. litoral, (esg)
terça-feira, 11 de março de 2008
POEMA À MEMÓRIA DO TEU CORPO
ç
A memória do teu corpo é a paisagem dum tumulto
um cântico absorto antes de arrebatadas chuvas.
Traz o vestígio incandescente dos mares de levante
a ardência duma praia restituída de lembranças.
É uma semente a colorir os teus quadris de incenso
uma celebração ofegante sobre o umbral dum leito.
Relembro-o pela terra, os frutos, as formas macias
do respirar do vento como em teus olhos de alecrim.
E nunca hei-de renunciar ao seu apelo mágico,
para não desmerecer, num sonho, o teu pretérito.
.,
....Este poema pertence a "TRANSPARÊNCIAS",
....e segue na aquisição do meu mais recente livro,
...."ARABESCOS" (a título de oferta),
.....pelo preço global de 5 euros.
l
........Ver postagem anterior (ou a de 1 de Março)
sexta-feira, 7 de março de 2008
HOMENAGEM
JOEL d´ ÁVILA
Usava o pseudónimo desde os tempos de estudante, em Coimbra, sempre que escrevia poesia ou a recitava,
Quando regressei, largos anos depois, voltei a encontrá-lo e fiquei a saber (também por amigos comuns), que durante esse tempo, fora um constante divulgador da minha poesia. O seu favorito era Poema para Hoje, escrito em 1963 (ou 64), mas que só viria a ser publicado quando regressei, num livro intitulado precisamente «POEMA PARA HOJE», há muito esgotado.
Declamava por toda a parte, fosse em almoços de antigos estudantes, ou colegas profissão, Casas de Fado, ou mesmo em Cafés e Tascas.
A sua voz e o seu arrebatamento, encantavam e empolgavam, principalmente em poemas de exaltação e incitamento à liberdade e à luta, como no muito extenso Poema para Hoje, que começa assim:
Vencer, ou morrer!
se mil vezes fincares os pés na terra -
norte da luta, pelo ideal vincado nas mãos.
Um tarde, num Café, começou a recitar-me uns versos.
Depois, ante o meu silêncio interrogativo, perguntou-me se eu não me lembrava deles. Disse-lhe que tinha uma vaga ideia que escrevera um poema algo semelhante, mas que se perdera, há muito, na minha ausência.
- O poema é teu! – exclamou ele.
Eu perdera-o, ele gravara-o na sua mente! E aqui o publico, como singela homenagem a um grande amigo, que a morte, cedo, levou.
Negros sãos teus cabelos louros
amarelos também teus olhos cinza
de branco tingirei minha alma gris
o verde intenso dos teus seios
o rosa velho dos teus lábios
e me fica tão bem a alma azul
os tons variados do arco-íris
................em promoção..
livros.ARABESCOS + TRANSPARÊNCIAS - 5 euros
conforme postagem anterior
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
POEMETO
..................e aqui veio cair
..
........um pássaro inteiro
as asas abertas ao calor da terra
.
....Poemeto de abertura para Poemetos II (em preparação)
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
POEMA MUITO RITMADO
............Musgo d’água..... luz..... escuna d’ar
............em que país..... ou praia limpa..... ou mar
Em que outro gesto..... de ver..... olhando
ó terra..... ó pedra obscura..... quando
Em que país...... ou febre...... ou fogo
certeza certa...... miragem...... logro
És sonho..... és vento...... espuma d`água
raiz do nada...... escolho...... ou fraga
ou te não vejo..... de tanto olhar
neste país..... na praia limpa..... neste mar
Acorda...... Luz...... A noite olvida
Dou-te uma flor..... meu sonho..... a vida
A ser apresentado no próximo Domingo, dia 24 de Fevereiro,
pelas 16 horas, em Artebúrguer, Praia da Luz, Lagos.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
UM POEMA AO VENTO
o caminho das pétalas duma flor sobre um vidro transparente
que reflecte a imagem do próprio frio do vidro colado ao tempo
das causas remotas, um roteiro para o exacto declive das águas
que vêm da montanha, coabitando na terra, unindo-se à terra.
os nossos olhos com círculos irisados de sol, que transfigura
o nome que se dá a uma maçã, mesmo se na forma duma pedra;
e dessa textura é a frágil química dos sonhos, da predestinação
das noites caindo devagar sobre as nossas mãos demoradas,
a sua eterna transfiguração, o ciclo da água, o círculo do planeta.
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
POEMA À MOSCA
.
Pobre irmã mosca, triste insecto díptero, abundante de olhos
para não ver a teia, para não respirar as trevas à luz do dia!
.
Como eu te invejo, mas martirizo com vidros transparentes
azuis-brancos, imitações de fruta, aromas a romã, outras sinais
com que perdes a cabeça e ganhas o engenho da cópula,
nas lides, nas tardes chãs de apenas buscar a seiva árida!
.
Ah, minha querida mosca, meu devaneio de ser homem
com olhos dentro dos olhos, para ver outras realidades, cores,
dimensões que tu nunca mediste, na tua inocência agrária
de apenas medir o tamanho do teu voo, das tuas patas ágeis
para desembarcar nos espaços nus onde reina a tranquilidade
um lugar para existir devagar sobre as coisas que são as tuas
onde encontrar outra mosca irmã, para completar a crónica.
em Terrachã, ed. AJEA
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
POEMA ÀS ARTES MÁGICAS
.......Por artes mágicas
.......e outras lógicas
.......nos rigores do mar
.......nas velas brancas
.......como espuma de ar
.......derribando os continentes
.......e as ilhas
.......por onde andei
.......nas noites e nos dias
.......me aventurei
.......ao interior dos vulcões
.......e vi
.......nas noites do sonho
.......e utopia
.......a lua clara
.......em pleno dia.
sábado, 10 de novembro de 2007
POEMA À CIDADE
A cidade irá permanecer depois da minha morte:
irá permanecer em metamorfoses de claridade
o céu esvanecendo a reminiscência duma elipse
num sentimento ainda vago pelas ausências.
a de exercer a utopia num casulo de teias indeléveis
só perceptíveis nas mais ocultas noites
onde os sonhos abusam dos olhos comovidos.
-
insondável, de mistérios irrevelados,
insolúveis, mas destros de memórias
doutros tempos, do tempo ausente, de ontem.
de raízes demoradas sobre a terra, na solidão dos dias
e irá até ao limite a luminescência da noite
flutuando sobre o infinito de outras vidas interinas.
terça-feira, 6 de novembro de 2007
AGRADECIMENTOS
as postagens que duas amigas
tiveram a amabilidade de elaborar,
a respeito da recente 3ª edição do meu livro
"Merdock, um cão em Faro, anos 50".
Acontece que tive a felicidade de encontrar uma e outra.
Sophiamar - http://sophiamar.blogspot.com
no próprio dia do lançamento do livro,
e Kalinka - http://Kaliynka.blogspot.com
durante uma sua recente viagem,
para passar um fim de semana no Algarve.
A postagem de Sophiamar é do dia 7 de Outubro
e a de Kalinka, do dia 31 de Outubro.
(mas que não sei de que blog vêm, e gostava de agradecer),
com os 5 euros respeitantes à 3ª edição do meu livro Merdock (conto)
+ Como um Relógio de Areia (poemas),
promoção que, aliás, continua até ao fim do mês.
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
POEMA ÀS CORES
estes sinais de opulência da luz breve
símbolos que acordam a manhã dos nossos olhos
para a flor do sol
que insistem na múltipla transfiguração
das imagens que dão forma às nossas vidas;
como se a sinfonia dos acasos
não fosse mais que a simetria dos ocasos
os matizes infindáveis do cinzento
que vai nos olhos, no sangue de cada um
que trai os sonhos da madrugada
a reflexão das cores e do entendimento.
em tonalidades martirizadas pelo ocre e o amarelo
sustentando a linha melódica dos barros;
dos gelos glaciares,
resolvida em anémonas e corais de luz.
entre as folhas a captar o sol
para a maturidade corrompida pelo granizo
onde a imagem da noite baila
no esmorecimento das cores e a sua ausência
.....curvado à sapiência do eterno.
e ouve o timbre os tons da música
capazes de trazer violetas e rosas
ao patamar da euforia
o clímax de licores de carmim e rosa
em púrpura desfeita virgindade
na face da menina
já mulher.
e em rubis cristalizados
proscritos até ao fim do tempo
ou o ébano das noites frias envenenando
o brilho diáfano de ametistas e turquesas
que resolvem a cinza em azul e oiro
num arco-íris que vincula a terra à terra
o sangue ao rubro sangue das entranhas dum vulcão
que derrama todas as cores,
os símbolos e os signos
do real.
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Poema ao Mosteiro da Batalha
................... Creio na geometria
...................no rigor da pedra
...................no obscurantismo
...................e na cegueira.
...................Que a luz se faça
...................no sótão
...................das vossas mentes
...................amén.
...........................inédito.
.
Em 1388, para comemorar a vitória na Batalha de Aljubarrota, contra os Castelhanos, e como agradecimento pelo auxílio divino, D. João I encarregou Afonso Domingues de construir um mosteiro, próximo do local da contenda, onde já se haviam instalado os Dominicanos.
No entanto, algum tempo depois de começadas as obras, Afonso Domingues cegou e o rei resolveu entregar a obra a um mestre irlandês de nome Ouguet, convencido de que o português estava incapacitado para prosseguir a obra.
Ouguet modificou os planos iniciais, pois achava que a abóbada desenhada por Afonso Domingues era muito achatada e não seria capaz de manter-se.
No entanto, ao fim dos largos anos que demorou o empreendimento, dois dias depois de construído o novo traçado - da lavra de Ouguet -, a abóbada ruiu estrondosamente, pondo os frades em pânico, a esconjurar o irlandês.
D. João voltou a entregar a obra a Afonso Domingues que, apesar de cego, levou a o projecto até ao fim.
E para mostrar que os seus cálculos estavam certos, permaneceu sentado numa pedra, debaixo da “sua” abóbada, durante três dias e três noites. Morreu, pouco tempo depois. Mas a abóbada ainda lá está, enfrentando as vicissitudes do tempo e o correr dos séculos.
O mosteiro foi proclamado "património mundial" da UNESCO.
domingo, 21 de outubro de 2007
POEMA ÀS PALAVRAS
Há sempre uma palavra dentro da palavra
um gesto por exemplo
ou o zumbir dum insecto a
levantar o vento morto
Traz uma mensagem fugidia uma essência
que luz ao ritmo do tumulto da claridade
só perceptível pelos reflexos da própria luz
transparente interior das coisas
A sua transcendência identifica o fogo
o perfil exterior e seus artifícios intemporais
E apenas se lê em sinais indicativos
de virtuosos alquimistas procurando o oiro
na flecha no círculo dum arco íris caindo
magnânimo sobre o cinzento da terra
.
em Por detrás das Palavras, ed. Mic
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
EFEMÉRIDE
O meu livro de poesia “Os Sinais da Terra”, foi proibido pela Censura/Pide, em 1962, pouco tempo depois de ter saído. O livro consta da obra “Livros Proibidos no Regime Fascista”, da autoria de Maria Luísa Alvim e está catalogado com o número 360.
domingo, 23 de setembro de 2007
POEMA AO PÓ
A redescoberta que é ver o pó, cheirar o pó,
cheirar a pó. É um rumor inerte, um retrato
tangível de outras memórias perfurantes,
um vazio entre azuis e baços no chão da terra
gritando segredos abatidos ao silêncio ileso.
Praticar a ciência do pó é viajar pelos gelos
da montanha, um texto insondável de signos
sobre a água, reminiscência doutras águas
de apenas a cognição nua, virgem, das fontes
é desvendar a erosão, o murmúrio de colunas
gregas, efémeras, a inocente exaltação das aves
assim que o sol reacende a festa inadiável
e contemplar uma indústria sem nome e sem data,
sem prólogo, divina, puríssima, demoníaca.
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
POEMA À MIRAGEM
.....Este dia é apenas uma miragem
.....restos de sombras, sombra.
.....Dos seus beirais caiem fugidias ruas
.....em estilhaços sobre o lancil da luz,
.....pedaços de memórias, ruínas
.....de palavras nunca ditas.
.....Tudo é silêncio e névoa
.....nas grandes viagens transcendentais
.....ao coração matinal dos pássaros, à núbil
.....ciência abstracta dos insectos.
.....Imagem que se desfaz em imagens
.....de pólen, circunscrito a um lugar
.....cada vez mais longínquo
.....que se ateia e logo morre
.....em nossas mãos.
.
..............inédito
terça-feira, 4 de setembro de 2007
POEMA ÀS FLORES DE OUTONO
..........Agora vou reclinando o corpo
..........entre a terra e as estrelas.
..........O espaço é breve
..........para a brisa do mar
..........que ainda soa.
..........E no entanto adormeço
..........no meu sonho,
..........sereno de harmonias
..........incendiando o fino pó
..........da terra
..........com estas flores violentas,
..........exíguas, do outono.
..........em Transparências, ed. AJEA
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
POEMA A UMA VELHA ÁRVORE
O perfil duma velha árvore enche-nos de alegria.
A sua sombra traz-nos a presença tranquila da terra,
a forma da própria Terra, a sua frescura fraterna.
É uma pátria renovada de palavras anunciadas, lidas
nas vozes do rio, nas rotas do sol transbordante;
ela restitui os desvelos relembrados desde infância,
a cândida explicação dos perfumes pronunciados
noutros tempos imateriais, mágicos de plenitude;
traz a serenidade neutra, a harmonia dos outonos
na imagem dum rebanho que regressa pela tarde,
nas chuvas temporãs próprias do cheiro do barro,
a secular legítima ideia dum tecto restaurado;
organiza os enxames, une os sons do ar instável,
esvanece o orvalho vagaroso deslizante do corpo.
O colo duma velha árvore é o sonho duma criança
perpetuando a redobrada paz, e acende na água
rumorejante das fontes a sedução dos pássaros.
em Terrachã, ed. AJEA
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
O EDIFÍCIO DAS PALAVRAS
..........O edifício das palavras,
..........o projecto inerente à ideia
..........e aos degraus da leitura,
..........o processo linear dos sons
..........e dos afectos
..........um pouco de embriaguês
..........para questionar as sombras e a luz
..........eis a explosão programada
..............o poema
..........a desobediência aos mistérios
..........no desassossego e na emoção
..........de dizer o indizível
..........à luz do dia.
.............................inédito
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
POEMA DO FINGIDOR
. .........Arriscar tudo na roleta
........ como o verde em violeta,
.........fingindo fingidor
.........que fingiu o mal de amor.
.........Deslumbrar-se de perder
.........quando tudo estava a ver
.........que só perde o vencedor
.........que se imagina perdedor.
.........Confessar ao confessado
.........que não fui o mal amado
.........e na noite principal
.........encomendar o funeral
.........fingindo fingidor
.........que fingiu o mal do amor.
segunda-feira, 30 de julho de 2007
O VOO DO OVO
Dimensões do quadro em Exposições: 40x24
Arranjo gráfico de Francisco L.
Este quadro tem suscitado comentários muito interessantes. Mas deixo-vos um desafio: Há pelo menos mais um elemento patente na gravura e que ainda não foi aflorado. (1 de Agosto)
(4 de Agosto) - O VOO DO OVO (o pássaro que somos),suscitou variados comentários dos visitantes deste blog.
Na generalidade, eles foram no sentido de interpretar o quadro. Assim, muitos dos meus estimados leitores referiram as cores (implícita ou explicitamente, do arco-íris), o ovo, o voo (dum pássaro) e a terra. Obviamente o castanho não é uma cor do arco-íris e é geralmente conotada com a terra. A terra onde (ou donde) nasce o ovo, para dar as asas (dum pássaro) e subir atravessando as cores do arco-íris, até ao azul (de imediata conotação com o céu). Mas… não nascemos nós próprios dum ovo, na terra! E quem, de nós, não passou por todas as cores (com todas as conotações que isso possa ter)?
Aspiramos ao azul (não será esse o símbolo da plenitude: o céu, o grande mar, onde reina a tranquilidade e a pureza?) E então as asas? E este foi o desfio que lancei, a um dado momento: mal atingimos o azul, ou estamos em vias de fazê-lo, já as nossas asas começam a pender, a descair… a curvar-se… para a terra, o mar, onde tudo recomeça.
Inexoravelmente.
