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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

POEMA AO TEMPO

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O tempo são estas asas sem memória,

um pássaro morto. Folhas ao vento

que discorrem sobre um discurso raso,

uma reminiscência de sulcos na praia,

numa praia vazia, cheia de ecos do mar.

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em "Por detrás das Palavras", ed Mic, 2002

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domingo, 23 de setembro de 2007

POEMA AO PÓ

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A redescoberta que é ver o pó, cheirar o pó,
cheirar a pó. É um rumor inerte, um retrato
tangível de outras memórias perfurantes,
um vazio entre azuis e baços no chão da terra
gritando segredos abatidos ao silêncio ileso.


Praticar a ciência do pó é viajar pelos gelos
da montanha, um texto insondável de signos
sobre a água, reminiscência doutras águas
de apenas a cognição nua, virgem, das fontes


é desvendar a erosão, o murmúrio de colunas
gregas, efémeras, a inocente exaltação das aves
assim que o sol reacende a festa inadiável

e contemplar uma indústria sem nome e sem data,
sem prólogo, divina, puríssima, demoníaca.