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terça-feira, 30 de setembro de 2008

Muros

....

Onde inventar um caminho legítimo
para o êxodo, uma porta entreaberta
respirando o ar que vem da terra?


Os muros da cidade sustentam-se
destas incertezas, destas cortinas
de fogo, este balbuciar de cansaços
inexactos, intranquilos como o fumo
esparso, dispersando vozes alheias.

.
Não nos inclina a dureza das pedras,
a sua fiel sabedoria de intransigências.

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Mas tarde é inútil, para fingir exílios.


Hoje já é ontem, para o fim indiciado.

em Terrachã, ed. AJEA

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

BARCO

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Um dia era era barco

..............................e

...........estaria certo?

um barco é só barco –

fluxo madeira ferro..... fluido bandeira ferro

louco sistemático livre no mar redondo

à espera

.

..................ah

eu era barco –

norte sem bússola..... forte sem música

e havia uma transcendência grave

na grande esfera.

.

Pouco ou nada

........sinais quadrados números

........finais princípios fumos

........ah

pouco ou nada..... ou nada.

.

........Vitórias vigília glória

........viragem ventos fúria

eu era um barco

vertiginosamente eu era um barco.....

só barco

só.

.

No barco..... um dia..... vento vertigem

do fundo da fúria..... a fúria do vento

a origem

.

..........ah

meu barco..... num dia..... barco

total.

.

Rugias oh vento

bramias oh fúria

meu casco partiu

oh frágil madeira

oh ferro já frio.

-

Lutei toda a noite

os meus passageiros

a carga fretada

................... ah

o porto distante

espera o teu nada.

.

Fui um barco meditando

.... morrer no meu posto na luta do dia

.....voltar ao meu porto..... e um dia

.....ah um dia..... na fúria do ciclo

.....entregue à sucata;

.

os meus passageiros..... deixá-los aqui

levá-los daqui ao porto distante

.....pra quê

.

.............ah

oh madeira oh meu ferro oh novíssimo nylon

......na luta do dia morrer no meu posto

......na fúria do ciclo voltar ao meu porto?


.............ah

.

TENHO DE LER A HISTÓRIA DO MUNDO

.......................DESDE O PRINCÍPIO

domingo, 14 de setembro de 2008

CANTAI AINDA

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Cantai ainda, sob as árvores
à beira rio, entre noite e dia.

Que as chuvas vos acordem
num dilúvio
de gestos feitos de alegria.

A fresca madrugada
se abra à luz
sonora e alada.

E que seja brando o vento
dos dias caindo devagar
sobre o teu rosto

de olhar, por fim, a terra amada
à luz do sol resplandecente


na pura harmonia do poema.

em Poemas Soltos & Dispersos, volume I, ed.litoral

terça-feira, 9 de setembro de 2008

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À memória de Irene Silva
que foi dedicada companheira durante anos
.

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Retomemos o caminho de regresso
pela tarde que não volta ao lugar
donde partimos.
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Amanhã será noite.
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Nem o silêncio dirá a tua perda.
.
Nem sequer a mesma árvore que se estende
pelas sombras até ao infinito.

Lírios e rosas não calam a memória
do tempo raso do retorno aos perfumes
que sopravam os teus olhos
em mar e serras.

.
O horizonte acaba aqui:
.
onde temos os pés
e a saudade.
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5 de Setembro de 2008 (entre Lisboa e Lagos)

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Volta a Portugal em Bicicleta (homenagem)

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Homenagem ao ciclista
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Corre pela planície sem fim,
ó aventureiro do deslumbramento
e do delírio das engrenagens

porque a roda obedece a um sistema de rodas
que aceleram o movimento das estradas
e o teu corpo é apenas um espasmo de esferas
pulsações, ácido lácteo e ureia
em busca da alegria!

A distância é o asfalto abstracto,
um fantasma de quilómetros sem medida
suspenso de imateriais sonhos de ir longe
sobre a ligeireza da miragem perto.

Corre, ó aventureiro,
pelas veias do país,
pela planície abstracta do teu contentamento,
do teu delírio de ir longe, além da miragem
do movimento da estrada rasa,
para desvendar seus frutos
e a raiz inquieta da tua alma!

(Peço desculpa a todos os amigos blogistas, por não estar a responder a todos os comentários mas, neste momento encontro-me muito limitado e com difícil acesso a um computador.)

domingo, 3 de agosto de 2008

postais de poesia

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clicar para melhor ler o poema.
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O GIGANTE DA BAÍA
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nº 4 da colecção litoral, editado pelo Bar Lionheart, Lagos
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no livro "Lagos Ontem", 2ª edição da Câmara Municipal de Lagos

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

poema ao músico

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..............os músicos os músicos
.
......ah os músicos que tocam música
.....................só pelo prazer
...................de tocar música

sexta-feira, 25 de julho de 2008

ASA

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.....Poema ainda

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........Ave e seta como a luz
........rasgando a bruma

.
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........Lume sob a cinza

..
.
........Liberta asa
........que o arco ainda tenso

.
........abrasa

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..............em "A Palavra em Duas", 1982, esgotado

domingo, 20 de julho de 2008

poemeto

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POEMA A ESTE TEMPO NOSSO

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este é o tempo que é o nosso

estas casas a cidade

os verdes campos ressequidos

.

nosso é este lugar de cinzas

estas árvores doloridas

e do fogo milenar ....já frio

dos nossos dias

segunda-feira, 14 de julho de 2008

quarta-feira, 9 de julho de 2008

poema à casa

,,

Também a casa tem seus recantos

...
Também a casa tem seus recantos ocultos
que se encolhem em umbrais austeros,
numa obscuridade sinuosa, impermeável

..
São a matéria excedente do latejar do sangue,
uma fogueira extinta pelo seu próprio fumo
caída sobre a cinza de magoadas flores

...
Não impedem ao tempo o seu galgar sereno
fechado na missão de arrefecer as cinzas
para a dispersão programada dos vestígios

.

Estão ali porque completam a função do lar

os seus esteios multicolores, o seu espectro,
uma luta verdadeira entre as trevas e a luz

...
Este poema faz parte do livro "Causas de Habituação" (em preparação)

sexta-feira, 4 de julho de 2008

poema às manhãs

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.MANHÃS


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Ah manhãs distantes

da minha infância

.

como vos lembro e relembro

e choro e me entristeço

.

Aqui

apenas me apareço

espectador dos outros e de mim

.

barco de rumo incerto

ao provir ou ao fim.

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em "37 Poemas", o meu 1º livro, 1961, esg.

domingo, 29 de junho de 2008

poema às memórias

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São as memórias que sustentam

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São as memórias que sustentam a leveza do ar,

num exercício renovado de mistérios lentos

anunciadores dos sonhos.

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Vivem em nichos vagabundos

perto do ruído das ruínas,

longe dos rios que não descansam

no ombro da margem

num tempo para fruir a leveza dos malmequeres

abruptos dos caminhos.

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Acendem-se noutras memórias

e refazem os aromas antigos,

as cores redundantes

da paisagem que flui, .já ontem.

:
Um dos meus poemas que saiu no nº 11 da série DiVersos, (colectivo) edições Sempre-em-pé, Verão de 2007.

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Também com a chancela das Edições Sempre-em-pé vão ser apresentados o nº13 da série DiVersos e, ainda, os livros “Gloria Victis”, de Carlos Garcia de Castro e “Rio Abaixo, Rio Acima”, de Tobias Burghardt, edição bilingue português-alemão, com tradução de Maria de Nazaré Sanches, na Casa Fernando Pessoa, Campo de Ourique, em Lisboa. As apresentações têm lugar no dia 3 de Julho, às 18 horas. A entrada é livre.

Mais informações:

www.sempreempe.pt
contacto@sempreempe.pt

sexta-feira, 20 de junho de 2008

poema ao verão

:..
POEMA AO VERÃO
-

-
Vem ....Verão.... com pétalas de sol zunindo
a tarde ameaçada pelo incêndio da noite
súbita de harmonias, rasgada de ocultas aves
ciciando a espuma translúcida dos olhos,
devorada de penumbra.

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Vem.... Verão.... coberto de sonhos rente ao rio
exausto, de vermes apodrecido
sob o hálito fugidio das folhas secas
– de sol e mistério breve –
num harpejo de searas e semente.

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Vem.... Verão..... dócil sonâmbulo abrindo
as entranhas da terra grávida,
de secura e pólen amarela
em crepúsculos voando o inverno
num violino de cigarras.

em "O FRIO DOS DIAS", edição do autor, 1986

sábado, 17 de maio de 2008

poema ao pó

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PÓ

..

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Um dia acende-se o vazio do palco

cai o pano sobre o pó

.

evaporam as palavras dos teus olhos

.

um pássaro boceja à beira do tempo

.

depois

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não haverá antes nem depois

apenas um silêncio

um perfume ecoando pelo vale

uma folha dolorida levada pelo rio.

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Este poema é um dos que integram o livro "Transparências". .Este livro, editado pela AJEA (Associação dos Jornalistas e Escritores do Algarve), acompanha o recentemente publicado "Arabescos", pelo preço global de 5 euros.

terça-feira, 13 de maio de 2008

a pacificação

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A pacificação das massas

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Concertados os adjuvantes, os catalisadores,
os adjudicadores da síntese que presidiu à ideia


.....a ideia era resolver a punho (mas a contento!)
.....o gume que se punha como o sol a pino
.....sobre o alto das nossas cabeças

e que (sabe-se lá desde quando!...)
nos tem vindo a re partir a alma em duas
o cu e o banco (à mesa) em dois.


Vieram os de em baixo tecer uma grande alcatifa
até cima.


Assim foi a cintilante pirâmide de Mikerinos
hoje exaustivamente medida
em todos os possíveis ângulos
sempre que a terra treme
ao longo da grande falha de S. Francisco.


Paralelamente (a dar fé a um persistente fluxo hertziano
que corre de norte para sul
e muito particularmente de ocidente para ocidente)


foi o apaziguamento dos espíritos

(a panificação das massas)

democraticamente

amen

em "Poemas Satíricos e Outros" (Bodas de Prata), ed. Mic do Fernando Grade.

sábado, 10 de maio de 2008

................poemetos #9
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Belo


é música abstracta dos teus olhos

a leveza dum peão num jogo de xadrez

o silêncio do vento

anunciador da tempestade.


inédito

terça-feira, 6 de maio de 2008

POEMA AO PÂNTANO DO SOL

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Esta indolência do ar,

o calor ainda húmido da terra

aberta a um olhar fecundo


que apodrece o pântano do sol

em imagem de poeiras imprecisas

pairando à luz do dia


como um tímido cristal

reflectindo a luz na brisa -


águas breves

caindo sobre a fronte


escorrendo

para o interior dos olhos indolentes

de quem conhece a terra

coberta pelo sol.



inédito

segunda-feira, 28 de abril de 2008

25 de ABRIL - dias depois...

postais ilustrados #6
clique para melhor ler o texto

A ilustração é da autoria de Jorge Norvick e foi elaborada segundo a técnica do linóleo, a que o autor ajuntou outros elementos, ou texturas. Dela se tiraram 1.000 exemplares que, dadas as características do próprio linóleo e o seu carácter artesanal, são sempre muito ligeiramente diferentes umas das outras. Tem acompanhado (a título de oferta extra), juntamente com o livro de poesia "Transparências" a promoção de "Arabescos", o meu mais recente livro de poesia.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

.25 de ABRIL

-.
....
uma bandeira na mão
....outra no peito

.ç
....atrás da razão
... .o direito.

em "Poemetos II" (em preparação)

quarta-feira, 16 de abril de 2008

É O VENTO A INTERPRETAR

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É o vento a interpretar o verdadeiro desígnio destes campos,
migalhas de pó que se transportam ondeando as ervas e os matos
para um tempo breve, onde dispor um incêndio, junto ao corpo
das excessivas lembranças, no anónimo exílio das cidades.

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Quanto basta é o sossego dos lugares soltos ao festim do sol,
a asa dum insecto que se recorta no azul perdurável da terra.

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Assim me ensinaram os perfumes da urze, que chegam de longe,
o estorninho escondido dos olhares, desconfiado dos destinos.

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E aqui reconheço, no chão caminho das águas, a serenidade
deste pastor imperturbável às formas fulgurantes do silêncio
que soa entre as árvores, o trânsito liberto, perpétuo, das seivas,
a exacta, útil degenerescência do conceito urbano de solidão.

em Terrachã, ed AJEA/2004

segunda-feira, 7 de abril de 2008

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Sem saber como nem donde

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Sem saber como nem donde eu vinha,

enfiei os pés na água escorrendo daqueles olhos escuros

que fitavam a eternidade.

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Estava o caminho recoberto de musgo, líquens sobre a pedra,

pedaços de ervas e árvores decaindo aos bolores do tempo.

Ao lado, uma bola prateada, redonda, rodava na roleta

e caía num poço

que se estendia às fragas da montanha

a avultar na minha frente,

derruindo.

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Sinto um baque no barro do coração.

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Amanhã virá a manhã a sair das trevas.

Sonho, logo ainda existo.

E é pelo sonho que resisto.

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Mas não há maneira de sair dali.


O meu cérebro trabalha tão depressa como a seiva,

o coração da terra reclamando os seus mártires;

tanto mais que eu e ela nos aproximávamos tanto,

nos colávamos tanto na mesma visão de fogo e cinzas,

que eu comecei a perceber que não havia nada

como aquele calor

que me chegava ao sangue e me transformava num ser repleto,

saturado da ternura daquele momento,

daquela suprema verdade.

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Bebi da água

que aos poucos ia dissolvendo o barro do meu coração.

Deixei correr as estradas, as estrelas,

os rios do mesmo deslumbramento.

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Era dia, em todas as madrugadas da minha paixão.

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inédito

quinta-feira, 3 de abril de 2008

A BORBOLETA

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HOMENAGEM À PRIMAVERA


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Borboleta bonitita versejando
sobre as flores do quintal
pôs os ovos numa couve -
.
oh, céu, menina!,
:
a beleza principal!...

domingo, 30 de março de 2008

POEMA JUNTO AO MAR

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A amiga sophiamar, administradora do blog a ver o mar, teve a gentileza de elaborar uma postagem sobre um poema meu e, mais, compor a cena com a minha fotografia e excertos de alguma da minha biografia patente no livro “Escritores Portugueses do Algarve”. O poema agora transcrito foi um dos que a Professora Ilena Gonçalves seleccionou para a citada antologia, editada pelas prestigiadas edições Colibri, em 2006. Aqui fica o poema, e o meu muito obrigado à sophiamar, pela cortesia.

JUNTO AO MAR

Sempre encontrei a plenitude na plenitude junto ao mar.
Talvez (e talvez seja a palavra imprecisa por excelência/
assim uma irremediável certeza na dúvida certa/
um latejar súbito apressado inquieto coração/
ao impulso da adrenalina/) talvez, dizia,
junto ao mar sinta eu o ruído da terra o mais profundo
confundindo-se com o do mar
e com este o do meu pulsar inquieto coração
que trago debaixo destes olhos de horizontes.

Junto ao mar, talvez (porque o mar foi – e é –
o princípio das coisas e se prolonga
por subsequente cadência ou consequente inércia)
talvez, dizia, tenha eu o inconsciente lampejo
de omnisciente consciência abarcando o todo
a terra e o mar, e o meu ser de água e pó,
a inconsciente consciência que traz a plenitude
que só encontro plenamente na plenitude junto ao mar.

E ele aí está – mar, ó mar que vens das raízes do sal/
que mantém em equilíbrio o desequilíbrio constante
do meu sangue/ mar onde se acalma o desassossego
dos meus dias inquietos/ mar onde descanso o olhar
olhando olhando apenas a tua imensidade ó mar.

Ou talvez apenas,
talvez
porque eu tenha nascido junto ao mar.

Poema originariamente publicado em "Como um Relógio de Areia", ed. Mic, 1988