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sexta-feira, 21 de novembro de 2008
POEMA EM NOVEMBRO
terça-feira, 4 de novembro de 2008
POEMA À LUA
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...........................“Vista do espaço
..............................a Terra é azul”.
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.....Os poetas vivem na Lua.
.....Por isso amam a Terra
.....e escrevem poemas
.....ao seu azul infatigável.
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
VIAGEM ATRAVÉS DA LUZ
As primeiras estrofes
do poema "Viagem através da Luz" (4.900 palavras),
,
Transitamos através da luz
somos a pura contemplação da luz
a linguagem o cinzel dum barco
em perpétuas lúdicas viagens
ao interior dum mapa
e os nossos olhos acendem as manhãs
ébrios pela plenitude das manhãs
na linguagem alada dos sentidos e das seivas
buscam o segredo subterrâneo da alegria
por onde se estende o seio dos rios
as ervas que ecoam pelos caminhos claros.
São a nossa mais delicada ansiedade
mas também a nossa paixão as suas divagações
pelo oculto obscurecido dos olhos
que ignoram o modo sereno da luz e do pó
ou as imagens que fixam os contornos do tempo
em figuras intemporais seduzidas
pela linguagem das águas, o caos
do rumor do vento
na dimensão do céu animado pelo voo das aves.
E são os contornos da paisagem o nosso mundo
a nossa dedicada veneração
este modo quase ausente de persistir
na busca de formas transcendentes
de imagens de modelos de palavras
gémeas do abstracto imaginário dos nossos olhos
.
por onde guiaremos os passos
nas veredas insondáveis
da luz que se acende e apaga
a nossos pés
dentro de nós mesmos.
-
-(...)
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
REGRESSO A CASA
......
A passagem das horas
o perpassar dos dias
o lento fervilhar do tempo em seus artifícios
de claridade e sombras
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trazem-nos a este lugar preciso
de quietude
em ondulações de silêncio e apaziguamento.
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É aqui
onde deveremos reaprender
os festejos da luz
.
a sombra do pecado original
dos fascínios
pelo regresso urgente
a nossa casa.
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inédito
domingo, 19 de outubro de 2008
PENA DE MORTE
Não é uma explicação do poema, porque o poeta não tem que explicar o que escreve. O poema, por si, deve ser suficiente e explicar-se a si próprio.
Mas ele foi escrito há muito tempo (2 de Maio de 1960) e refere acontecimentos que a maioria das pessoas de hoje não conhece, pelo simples facto de que muitas dela ainda não eram nascidas!
Desde 1954 que um cidadão americano de nome Caryl Chessman estava sentenciado à pena de morte, na prisão de S, Quentin. Travou uma longa luta contra a justiça, recorrendo a vários estratagemas e foi adiando o veredicto. Na prisão escreveu 4 livros, um dos quais, Cell 2455, Death Row, que foi um best seller na América e Europa Ocidental.
A questão, às tantas, para muitos, não era tanto aquele caso pessoal, mas a pena de morte, em si.
Figuras como Aldous Huxley, Robert Frost, Norman Mailer, um sem número de intelectuais de todo o Mundo, um prelado evangelista de nome Billy Graham, a mulher do presidente Roosevelt e tantos outros apelaram clemência para Chessman.
No entanto o prisioneiro haveria de ser executado em câmara de gás (com ácido cianídrico) a 2 de Maio de 1960.
Precisamente… no dia do meu aniversário!
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Em 22 de Outubro.
domingo, 12 de outubro de 2008
FOGO AUSTERO
...
A grandeza destas pedras vem do fogo austero
de magmas inquietos que subjugaram as montanhas,
reminiscências da antiquíssima viagem das águas
anteriores à ideia dum objecto modelado pelo tempo.
O que fascina é o seu perfil nebuloso, indulgente
perante o movimento dos sóis, os seus desígnios
no desvio dum olhar para o lado dos ocasos da luz.
O que inquieta é esta noção amarelenta do tempo,
as suas feições austeras imperfeitas desenhadas
nos veios deixados pela passagem das águas,
o paradoxo dos nossos dias idênticos absurdos.
Não há limite para as formas inacabadas do céu
as suas estrelas transgressoras da aventura temível
de erigir uma flor e destruí-la com um bafo de vento
vindo duma ciência chã, dum destino indecifrável
que se lê nestes fósseis da pedra, a impressão digital
dum deus desconhecedor dos segredos do amor.
em Terrachã, ed. AJEA
sábado, 4 de outubro de 2008
POESIA EXPERIMENTAL
clicar na imagem para melhor ler o texto
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Muros
Onde inventar um caminho legítimo
para o êxodo, uma porta entreaberta
respirando o ar que vem da terra?
Os muros da cidade sustentam-se
destas incertezas, destas cortinas
de fogo, este balbuciar de cansaços
inexactos, intranquilos como o fumo
esparso, dispersando vozes alheias.
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Não nos inclina a dureza das pedras,
a sua fiel sabedoria de intransigências.
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Mas tarde é inútil, para fingir exílios.
Hoje já é ontem, para o fim indiciado.
em Terrachã, ed. AJEA
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
BARCO
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Um dia era era barco
..............................e
...........estaria certo?
um barco é só barco –
fluxo madeira ferro..... fluido bandeira ferro
louco sistemático livre no mar redondo
à espera
.
..................ah
eu era barco –
norte sem bússola..... forte sem música
e havia uma transcendência grave
na grande esfera.
.
Pouco ou nada
........sinais quadrados números
........finais princípios fumos
........ah
pouco ou nada..... ou nada.
.
........Vitórias vigília glória
........viragem ventos fúria
eu era um barco
vertiginosamente eu era um barco.....
só barco
só.
.
No barco..... um dia..... vento vertigem
do fundo da fúria..... a fúria do vento
a origem
.
..........ah
meu barco..... num dia..... barco
total.
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Rugias oh vento
bramias oh fúria
meu casco partiu
oh frágil madeira
oh ferro já frio.
-
Lutei toda a noite
os meus passageiros
a carga fretada
................... ah
o porto distante
espera o teu nada.
Fui um barco meditando
.... morrer no meu posto na luta do dia
.....voltar ao meu porto..... e um dia
.....ah um dia..... na fúria do ciclo
.....entregue à sucata;
os meus passageiros..... deixá-los aqui
levá-los daqui ao porto distante
.....pra quê
.
.............ah
oh madeira oh meu ferro oh novíssimo nylon
......na luta do dia morrer no meu posto
......na fúria do ciclo voltar ao meu porto?
.............ah
TENHO DE LER A HISTÓRIA DO MUNDO
domingo, 14 de setembro de 2008
CANTAI AINDA
Cantai ainda, sob as árvores
à beira rio, entre noite e dia.
Que as chuvas vos acordem
num dilúvio
de gestos feitos de alegria.
A fresca madrugada
se abra à luz
sonora e alada.
E que seja brando o vento
dos dias caindo devagar
sobre o teu rosto
de olhar, por fim, a terra amada
à luz do sol resplandecente
na pura harmonia do poema.
em Poemas Soltos & Dispersos, volume I, ed.litoral
terça-feira, 9 de setembro de 2008
À memória de Irene Silva
que foi dedicada companheira durante anos
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Retomemos o caminho de regresso
pela tarde que não volta ao lugar
donde partimos.
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Amanhã será noite.
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Nem o silêncio dirá a tua perda.
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Nem sequer a mesma árvore que se estende
pelas sombras até ao infinito.
Lírios e rosas não calam a memória
do tempo raso do retorno aos perfumes
que sopravam os teus olhos
em mar e serras.
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O horizonte acaba aqui:
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onde temos os pés
e a saudade.
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5 de Setembro de 2008 (entre Lisboa e Lagos)
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Volta a Portugal em Bicicleta (homenagem)
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Homenagem ao ciclista
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Corre pela planície sem fim,
ó aventureiro do deslumbramento
e do delírio das engrenagens
porque a roda obedece a um sistema de rodas
que aceleram o movimento das estradas
e o teu corpo é apenas um espasmo de esferas
pulsações, ácido lácteo e ureia
em busca da alegria!
A distância é o asfalto abstracto,
um fantasma de quilómetros sem medida
suspenso de imateriais sonhos de ir longe
sobre a ligeireza da miragem perto.
Corre, ó aventureiro,
pelas veias do país,
pela planície abstracta do teu contentamento,
do teu delírio de ir longe, além da miragem
do movimento da estrada rasa,
para desvendar seus frutos
e a raiz inquieta da tua alma!
(Peço desculpa a todos os amigos blogistas, por não estar a responder a todos os comentários mas, neste momento encontro-me muito limitado e com difícil acesso a um computador.)
domingo, 3 de agosto de 2008
postais de poesia
O GIGANTE DA BAÍA
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nº 4 da colecção litoral, editado pelo Bar Lionheart, Lagos
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sexta-feira, 1 de agosto de 2008
poema ao músico
sexta-feira, 25 de julho de 2008
ASA
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.....Poema ainda
........Ave e seta como a luz
........rasgando a bruma
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........Lume sob a cinza
........Liberta asa
........que o arco ainda tenso
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domingo, 20 de julho de 2008
poemeto
POEMA A ESTE TEMPO NOSSO
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este é o tempo que é o nosso
estas casas a cidade
os verdes campos ressequidos
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nosso é este lugar de cinzas
estas árvores doloridas
e do fogo milenar ....já frio
dos nossos dias
segunda-feira, 14 de julho de 2008
poema a este fogo
quarta-feira, 9 de julho de 2008
poema à casa
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Também a casa tem seus recantos
Também a casa tem seus recantos ocultos
que se encolhem em umbrais austeros,
numa obscuridade sinuosa, impermeável
São a matéria excedente do latejar do sangue,
uma fogueira extinta pelo seu próprio fumo
caída sobre a cinza de magoadas flores
Não impedem ao tempo o seu galgar sereno
fechado na missão de arrefecer as cinzas
para a dispersão programada dos vestígios
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Estão ali porque completam a função do lar
os seus esteios multicolores, o seu espectro,
uma luta verdadeira entre as trevas e a luz
Este poema faz parte do livro "Causas de Habituação" (em preparação)
sexta-feira, 4 de julho de 2008
poema às manhãs
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.MANHÃS
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Ah manhãs distantes
da minha infância
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como vos lembro e relembro
e choro e me entristeço
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Aqui
apenas me apareço
espectador dos outros e de mim
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barco de rumo incerto
ao provir ou ao fim.
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em "37 Poemas", o meu 1º livro, 1961, esg.
domingo, 29 de junho de 2008
poema às memórias
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São as memórias que sustentam
num exercício renovado de mistérios lentos
anunciadores dos sonhos.
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Vivem em nichos vagabundos
perto do ruído das ruínas,
longe dos rios que não descansam
no ombro da margem
num tempo para fruir a leveza dos malmequeres
abruptos dos caminhos.
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Acendem-se noutras memórias
e refazem os aromas antigos,
as cores redundantes
da paisagem que flui, .já ontem.
Um dos meus poemas que saiu no nº 11 da série DiVersos, (colectivo) edições Sempre-em-pé, Verão de 2007.
Também com a chancela das Edições Sempre-em-pé vão ser apresentados o nº13 da série DiVersos e, ainda, os livros “Gloria Victis”, de Carlos Garcia de Castro e “Rio Abaixo, Rio Acima”, de Tobias Burghardt, edição bilingue português-alemão, com tradução de Maria de Nazaré Sanches, na Casa Fernando Pessoa, Campo de Ourique,
Mais informações:
sexta-feira, 20 de junho de 2008
poema ao verão
POEMA AO VERÃO
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Vem ....Verão.... com pétalas de sol zunindo
a tarde ameaçada pelo incêndio da noite
súbita de harmonias, rasgada de ocultas aves
ciciando a espuma translúcida dos olhos,
devorada de penumbra.
Vem.... Verão.... coberto de sonhos rente ao rio
exausto, de vermes apodrecido
sob o hálito fugidio das folhas secas
– de sol e mistério breve –
num harpejo de searas e semente.
as entranhas da terra grávida,
de secura e pólen amarela
em crepúsculos voando o inverno
num violino de cigarras.
sábado, 17 de maio de 2008
poema ao pó
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PÓ
..
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Um dia acende-se o vazio do palco
cai o pano sobre o pó
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evaporam as palavras dos teus olhos
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um pássaro boceja à beira do tempo
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depois
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não haverá antes nem depois
apenas um silêncio
um perfume ecoando pelo vale
uma folha dolorida levada pelo rio.
.terça-feira, 13 de maio de 2008
a pacificação
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A pacificação das massas
Concertados os adjuvantes, os catalisadores,
os adjudicadores da síntese que presidiu à ideia
.....o gume que se punha como o sol a pino
.....sobre o alto das nossas cabeças
nos tem vindo a re partir a alma em duas
o cu e o banco (à mesa) em dois.
até cima.
hoje exaustivamente medida
em todos os possíveis ângulos
sempre que a terra treme
ao longo da grande falha de S. Francisco.
que corre de norte para sul
e muito particularmente de ocidente para ocidente)
em "Poemas Satíricos e Outros" (Bodas de Prata), ed. Mic do Fernando Grade.
sábado, 10 de maio de 2008
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Belo
é música abstracta dos teus olhos
a leveza dum peão num jogo de xadrez
o silêncio do vento
anunciador da tempestade.
inédito
terça-feira, 6 de maio de 2008
POEMA AO PÂNTANO DO SOL
Esta indolência do ar,
o calor ainda húmido da terra
aberta a um olhar fecundo
que apodrece o pântano do sol
em imagem de poeiras imprecisas
pairando à luz do dia
como um tímido cristal
reflectindo a luz na brisa -
águas breves
caindo sobre a fronte
escorrendo
para o interior dos olhos indolentes
de quem conhece a terra
coberta pelo sol.
inédito
