Em exposição, o quadro tem as dimensões dum A3
,
quarta-feira, 14 de julho de 2010
AS CORES DO POEMA
sexta-feira, 9 de julho de 2010
POEMA A UM PARDAL
e do espaço do tempo irrepetível
segunda-feira, 5 de julho de 2010
POEMA A UMA VELHA ÁRVORE
,
A sua sombra traz-nos a presença tranquila da terra,
a forma da própria Terra, a sua frescura fraterna.
.
É uma pátria renovada de palavras anunciadas, lidas
nas vozes do rio, nas rotas do sol transbordante;
.
ela restitui os desvelos relembrados desde infância,
a cândida explicação dos perfumes pronunciados
noutros tempos imateriais, mágicos de plenitude;
.
traz a serenidade neutra, a harmonia dos outonos
na imagem dum rebanho que regressa pela tarde,
nas chuvas temporãs próprias do cheiro do barro,
a secular legítima ideia dum tecto restaurado;
.
organiza os enxames, une os sons do ar instável,
esvanece o orvalho vagaroso deslizante do corpo.
.
O colo duma velha árvore é o sonho duma criança
perpetuando a redobrada paz, e acende na água
rumorejante das fontes a sedução dos pássaros.
.
em Terrachã, ed. AJEA
quarta-feira, 30 de junho de 2010
O Edifício da Palavra
........-..O edifício das palavras,
..........o projecto inerente à ideia
..........e aos degraus da leitura,
,
..........o processo linear dos sons
..........e dos afectos
.
..........um pouco de embriagues
..........para questionar as sombras e a luz
.
..........eis a explosão programada
.
..............o poema
.
..........a desobediência aos mistérios
..........no desassossego e na emoção
..........de dizer o indizível
.
..........à luz do dia.
.............................inédito
domingo, 20 de junho de 2010
COMECEI
nem chorei.
.
Comecei
como se começa,
nem devagar
nem depressa.
.
Comecei
como se termina.
,
Começar e acabar
é mesma sina.
.
Não vale a pena ter pressa...
terça-feira, 15 de junho de 2010
quinta-feira, 10 de junho de 2010
O MECANISMO DO VENTO
o caminho das pétalas duma flor sobre um vidro transparente
que reflecte a imagem do próprio frio do vidro colado ao tempo
das causas remotas, um roteiro para o exacto declive das águas
que vêm da montanha, coabitando na terra, unindo-se à terra.
os nossos olhos com círculos irisados de sol, que transfigura
o nome que se dá a uma maçã, mesmo se na forma duma pedra;
sábado, 5 de junho de 2010
Pedro Pedra
domingo, 30 de maio de 2010
POEMETO
terça-feira, 25 de maio de 2010
O SEGREDO DOS PÁSSAROS
sexta-feira, 21 de maio de 2010
POEMA AO PAÍS
domingo, 16 de maio de 2010
RUA SEM NOME
domingo, 9 de maio de 2010
terça-feira, 4 de maio de 2010
A VIDA
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Não é senão a vida
o destino supremo da luz.
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Por isso o coração procura as suas origens
o seu âmago
na madrugada dos sonhos
.
no brilho duns olhos
que emudece a clarividência
do que se vê nas sombras.
.
Por isso a tua vida
já vale pelo tempo da tua vida
pela luz que inundou os teus olhos
o esplendor que leste num grão de trigo.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
O SORTILÉGIO DA SARDINHA
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Diante da cidade havia um lago,
às vezes a espuma do mar bravio;
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eram pétalas de amendoeira
vogando à sorte,
imitando o branco do casario.
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Mas se o vento soprava brando
nos mastros rigorosos duma proa
.
era um espelho bordado a prata,
mil escamas de sardinha
no ventre duma canoa.
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..........em "ALGARVE ONTEM", a publicar
sábado, 24 de abril de 2010
POEMA A UMA DEUSA TERRENA
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Que te cubram as folhas do plátano
quando a tarde esmaece nos jardins
a claridade gasta em fins de outubro.
Que sejas a mais solene a mais alta
nas lonjuras da abstracta serenidade
nas glórias do incenso na abnegação.
Que sejas a mais firme a mais ágil
nos desfiladeiros rudes da montanha
na transparência na nudez da água
na fortuna na mágoa alheia.
E que te cubram os mistérios até ao fim
na estrada por onde adoro o teu regaço:
a interior presença cintilante, encoberta,
das palavras que ressoam nos meus olhos.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
....Hoje comecei,
.....mas não ri
....nem chorei.
.
....Comecei
....como se começa,
....nem devagar
....nem depressa.
.
....Comecei
....como se termina.
.
....Começar e acabar
....é mesma sina.
.
....Não vale a pena ter pressa...
. .
.......em "Poemas Primeiros". Ed. AJEA - (reedição)
quarta-feira, 7 de abril de 2010
POEMA AO MAR
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Porque todo o texto literário tem a sua história, veio-me à ideia, revelar as razões que levaram à escrita do poema, desta postagem.
O facto poético que inspirou o texto, é dos domínios do reconto oral.
A estória é simples:
um velho almirante, de visita à cidade, pediu a um amigo para o levar ao Cabo de S. Vicente.
Aí chegados, com o esboço dum sorriso a bailar-lhe nos olhos durante uns instantes, o almirante olhou em silêncio a imensidade daquele mar redondo, e depois disse em voz contida e embargada:
– João... é a última vez que vejo este cão!...
Voltaram para Lagos e pouco depois, o velho lobo do mar morria.
.* * *
...
Olhava pela última vez o mar
porque ontem é a abstracção da ambiguidade
e a última vez já é hoje
no vácuo de ontem, sem sofisma ou bruma.
.
Olhava-o e sorria
não fora ele ainda uma criança
sem medos, sem o drama
de olhar o mar pela última vez.
.
Aí nascera
sabia-o há milhões de anos
depois do colapso dos dias
.,
como o vento das searas
e a nuvem que esbate o céu
.
na onda que dissolve as noções de tempo
nos silêncios, na bruma da claridade
.
a abstracção de ontem
a última vez a ver o mar
em seu silêncio
.
o colapso do tempo
já hoje.
inédito
sexta-feira, 2 de abril de 2010
AROMA VIRGINAL
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Abraçar o acto no seu corpo, no seu leito,
soprar-lhe a leveza rosa dum aroma,
enquanto dorme em sonhos a substância desta vida
noutras vidas, ou noutros mundos de outras vidas.
.
Refazer a doçura tranquila das manhãs
interiores, o fio de luz que dá voz ao dia
por onde se estende o legítimo anseio das aves
,
e em gestos de outros rostos esbatidos
e uma pequena imagem de lembranças,
regressar à mágica simplicidade das origens,
a pureza chã, rústica, do aroma virginal.
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Publicado em TRANSPARÊNCIAS, Ed. AJEA
segunda-feira, 29 de março de 2010
Dia de Graças
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Festejemos este dia de graças, este sol
como um floco de neve despertando o inverno,
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linha azul de luz sobre a terra
cumprindo os desígnios duma flor
no seu pólen de frescura,
para o berço virginal da vida!
Ah, festejemos este dia,
murmúrio de flautas e alegorias
ardência interior tranquilidade de ignorar
os ludíbrios, a intransigência do tempo
-
na sua peregrina missão
de dar-nos um dia de graças
para festejar um dia, numa vida!
.
inédito
quinta-feira, 25 de março de 2010
DO QUE EU GOSTO
Do que eu gosto é da chuva e do vento,
tremores de terra, relâmpagos
que enchem os céus de luz e dúvida,
e enlevo, pela extraordinária energia
que fez a vida dos bichos maiores
e dos bichos menores,
.
ah, como eu gosto das tempestades
de neve e de areia,
os vulcões a jorrar
as entranhas do magma!
Também gosto dos sóis violentos do sul,
as enxurradas do rio
trazendo a lama e o húmus,
as árvores e o inverno
antes da primavera doutras ervas.
O que eu não gosto é ver
meninos de áfrica de pés trucidados
por granadas
e bombas B 52,
napalm,
odeio.
O que eu gosto é do sabor violento
dos grandes temporais do mar
galgando a terra
com as suas enormes cores de frescura
e fantasia,
o frio árctico das montanhas
dum deserto árido,
no meio duma floresta tropical,
adoro.
domingo, 21 de março de 2010
PRIMAVERA
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Madrugada
Pela manhã a luz
rompe a cinza
dos meus olhos.
Regressa a cor
do dia pleno.
É primavera
no chão
do velho sonho.
quarta-feira, 17 de março de 2010
POEMA AOS CAMINHOS DO MAR
É nos caminhos do mar, na estrutura mutante
do seu programa de memórias, de murmúrios
é no testemunho da transparência das águas
na sua dimensão ecuménica, admirável
de unir o sangue e os bálsamos apetecíveis
que nos banhamos numa vertigem de ludíbrios
trazendo as neblinas e o cheiro forte da luz
de meridianos horizontes, uma voz bilingue
para as apetências da plenitude, do equilíbrio
instável da nossa instante intranquilidade.
E é pelo mar que nos vinculamos à terra
que entendemos o cheiro acre da terra
e seus crisântemos repletos de inocências
para o reanimar do nosso berço anfíbio
a praia onde havemos de viver e morrer.
inédito
Lagos, 2003
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
POESIA ILUSTRADA
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* * *
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À ATENÇÃO DOS LACOBRIGENSES.
No próximo Sábado, dia 6 de Março, pelas 17 horas e 30,
será apresentado em Lagos, na Biblioteca Municipal,
o meu 18º livro de poesia "Viagem Através da Luz".
Sobre a obra e o autor dissertará
a Professora Maria Antónia Vargas.
.
O livro foi originariamente apresentado na Livraria Barata, em Lisboa
e depois, pelo Doutor Vilhena Mesquita, no Pátio das Letras, em Faro.
Esse texto de apresentação, pode ser lido aqui.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
A SEMENTE
Aqueles que choraram nos desertos
da lonjura e do sal
.
aqueles que vieram dos desertos
e viram a cidade igual
.
aqueles que ficaram aonde havia a promessa
da vitória e do provir
.
foram todos juntamente dormir
o sono da paz
.
o sono da grande glória de ter sido
a semente da vitória e do provir.
...em "Poemas Primeiros", reedição AJEA


