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,

quarta-feira, 14 de julho de 2010

sexta-feira, 9 de julho de 2010

POEMA A UM PARDAL


 -
Quanto, pardalito,
comungas do meu tempo!

És meu irmão no espaço duma vida -
a minha e a tua vida
no tempo que é o nosso.
 .
Por isso somos irmãos irrepetíveis
no espaço do tempo
que o tempo dá às nossas vidas.
 .
Por isso, irmão,
de todos os que vivem o espaço que é o nosso,
eu te pertenço como me pertences
e todos nos pertencem
porque a todos pertencemos
e à terra ao céu e ao vento
do tempo 
e do espaço do tempo irrepetível
que é nosso! 
. 
8.7.2009

segunda-feira, 5 de julho de 2010

POEMA A UMA VELHA ÁRVORE

 .
O perfil duma velha árvore enche-nos de alegria.
,
A sua sombra traz-nos a presença tranquila da terra,
a forma da própria Terra, a sua frescura fraterna.
.
É uma pátria renovada de palavras anunciadas, lidas
nas vozes do rio, nas rotas do sol transbordante;
.
ela restitui os desvelos relembrados desde infância,
a cândida explicação dos perfumes pronunciados
noutros tempos imateriais, mágicos de plenitude;
.
traz a serenidade neutra, a harmonia dos outonos
na imagem dum rebanho que regressa pela tarde,
nas chuvas temporãs próprias do cheiro do barro,
a secular legítima ideia dum tecto restaurado;
.
organiza os enxames, une os sons do ar instável,
esvanece o orvalho vagaroso deslizante do corpo.
.
O colo duma velha árvore é o sonho duma criança
perpetuando a redobrada paz, e acende na água
rumorejante das fontes a sedução dos pássaros.

.
em Terrachã, ed. AJEA

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O Edifício da Palavra

--

........-..O edifício das palavras,
..........o projecto inerente à ideia
..........e aos degraus da leitura,
,
..........o processo linear dos sons
..........e dos afectos
.
..........um pouco de embriagues
..........para questionar as sombras e a luz
.
..........eis a explosão programada
.
..............o poema
.
..........a desobediência aos mistérios
..........no desassossego e na emoção
..........de dizer o indizível
.
..........à luz do dia.


.............................inédito

domingo, 20 de junho de 2010

COMECEI

 Hoje comecei,
mas não ri
nem chorei.
.
Comecei
como se começa,
nem devagar
nem depressa.
.
Comecei
como se termina.
,
Começar e acabar
é mesma sina.
.
Não vale a pena ter pressa...
. .

em "Poemas Primeiros". Ed. AJEA - (reedição)

quinta-feira, 10 de junho de 2010

O MECANISMO DO VENTO


.
.
Entender o mecanismo do vento, o seu carácter transitório,
o caminho das pétalas duma flor sobre um vidro transparente
que reflecte a imagem do próprio frio do vidro colado ao tempo
.
é um acto que pressupõe a elaboração cuidada dum inventário
das causas remotas, um roteiro para o exacto declive das águas
que vêm da montanha, coabitando na terra, unindo-se à terra.
.
Essa é a verdadeira ciência dos musgos e do pólen que alaga
os nossos olhos com círculos irisados de sol, que transfigura
o nome que se dá a uma maçã, mesmo se na forma duma pedra;

e dessa textura é a frágil química dos sonhos, da predestinação
das noites caindo devagar sobre as nossas mãos demoradas,
a sua eterna transfiguração, o ciclo da água, o círculo do planeta.
,
em Terrachã, ed. AJEA

sábado, 5 de junho de 2010

Pedro Pedra


 .
O que eu queria era ter sido Pedro
porque Pedro lembra a pedra, a concha
antiga, a tranquilidade da urze liberta
num cântico só de terra e de montanha.
.
Ela é feita de silêncios e sol,
a ressurreição do saber das horas
ausentadas do discurso das águas
num livro que persiste imperturbável.
.
Apenas olha os céus, não os observa
nem se imagina no acto de contemplar
as cores que ardem sob as estrelas
nas ruínas doutros limos sobre a praia.
.
O que eu queria era ter sido Pedro
porque, para arder no frio que passa,
árido e negligente aos sóis e aos sonos,
tanto faz uma rosa, como um silêncio.
.
em "Transparências", ed. AJEA

domingo, 30 de maio de 2010

POEMETO


.
O que fui, ainda sou;
o que não fui, sempre quis ser.
.
É assim, este coração
a arder.
.
em POEMETOS II, a editar

terça-feira, 25 de maio de 2010

O SEGREDO DOS PÁSSAROS


 .
O coração conhece o segredo dos pássaros,
a ânsia de horizontes para além do horizonte.
 .
O segredo dos pássaros é uma centelha
de luz rebuscando a simplicidade duma vida
,
imagens móveis que alargam o nosso chão,
apenas em memórias difusas de exiguidade
e fantasmas de veludo passando mãos inertes
sobre o nosso rosto.
-
Ou labaredas azuis duma tarde quente
e o fio dum arco-íris
em suas cores de transparência e frio.
,
O coração conhece o segredo dos pássaros
e o seu degredo.
-
E eu apenas recomeço os trabalhos
da simplicidade da minha vida
e reconheço a sua exiguidade
guiada por horizontes de bruma.
 ,
 inédito

sexta-feira, 21 de maio de 2010

POEMA AO PAÍS


.
Por todas as razões o país afunda-se
pela míngua
pela sorte dos sem sorte
pela luz que se afoga ao fundo do
tempo
pelo frio
pela velocidade com que os sedimentos apenas se diluem
na mágoa
pelas histórias repetidas
da história
pelos números
pelas letras
pelo anti-ciclone dos açores
a arredar-nos dos restos do mundo
e principalmente por um ciclone numa seara verde
varrida pelo amarelo
. 
Lagos, Maio de 2010

domingo, 16 de maio de 2010

RUA SEM NOME


......Casas #3
.
Também há uma rua sem nome, na cidade:
um caminho obscuro, em laje de basalto
cheio de perplexidades e redundâncias,
com um arco-íris num dia sem sol
 .
um caule tardio na incerteza dum pátio
ou a cicatriz duma lâmpada, no escuro
das casas disformes, desfeitas em barro.
.
É uma rua estreita habitada por sombras
de fogos extintos, numa transparência antiga
própria dos répteis que abalaram o planeta.
.
Não tem nome nem crisântemos às janelas,
é uma rota obstruída pelas ladeiras do sal
ponto de referência, aliás, da tranquilidade.
. 
em "Causas de Habituação", a publicar

domingo, 9 de maio de 2010

amar o mar

Pedimos desculpa, mas a imagem desapareceu e não a encontro no computador. Abril de 2013

terça-feira, 4 de maio de 2010

A VIDA

.

Não é senão a vida

o destino supremo da luz.

.

Por isso o coração procura as suas origens

o seu âmago

na madrugada dos sonhos

.

no brilho duns olhos

que emudece a clarividência

do que se vê nas sombras.

.

Por isso a tua vida

já vale pelo tempo da tua vida

pela luz que inundou os teus olhos

o esplendor que leste num grão de trigo.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O SORTILÉGIO DA SARDINHA

.

.....

Diante da cidade havia um lago,

às vezes a espuma do mar bravio;

.

eram pétalas de amendoeira

vogando à sorte,

imitando o branco do casario.

.

Mas se o vento soprava brando

nos mastros rigorosos duma proa

.

era um espelho bordado a prata,

mil escamas de sardinha

no ventre duma canoa.

.

..........em "ALGARVE ONTEM", a publicar

sábado, 24 de abril de 2010

POEMA A UMA DEUSA TERRENA

Poemas de amor # 2
.

.
Que te cubram as folhas do plátano
quando a tarde esmaece nos jardins
a claridade gasta em fins de outubro.

Que sejas a mais solene a mais alta
nas lonjuras da abstracta serenidade
nas glórias do incenso na abnegação.

Que sejas a mais firme a mais ágil
nos desfiladeiros rudes da montanha
na transparência na nudez da água
na fortuna na mágoa alheia.

E que te cubram os mistérios até ao fim
na estrada por onde adoro o teu regaço:
a interior presença cintilante, encoberta,
das palavras que ressoam nos meus olhos.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

....
....
Hoje comecei,

.....mas não ri
....nem chorei.
.
....Comecei
....como se começa,
....nem devagar
....nem depressa.
.
....Comecei
....como se termina.
.
....Começar e acabar
....é mesma sina.
.
....Não vale a pena ter pressa...
. .
.......em "Poemas Primeiros". Ed. AJEA - (reedição)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

POEMA AO MAR

...Domingo, 11 de Abril
---

Porque todo o texto literário tem a sua história, veio-me à ideia, revelar as razões que levaram à escrita do poema, desta postagem.

O facto poético que inspirou o texto, é dos domínios do reconto oral.

A estória é simples:

um velho almirante, de visita à cidade, pediu a um amigo para o levar ao Cabo de S. Vicente.

Aí chegados, com o esboço dum sorriso a bailar-lhe nos olhos durante uns instantes, o almirante olhou em silêncio a imensidade daquele mar redondo, e depois disse em voz contida e embargada:

– João... é a última vez que vejo este cão!...

Voltaram para Lagos e pouco depois, o velho lobo do mar morria.

.
* * *
...
Olhava pela última vez o mar
porque ontem é a abstracção da ambiguidade
e a última vez já é hoje
no vácuo de ontem, sem sofisma ou bruma.
.
Olhava-o e sorria
não fora ele ainda uma criança
sem medos, sem o drama
de olhar o mar pela última vez.
.
Aí nascera
sabia-o há milhões de anos
depois do colapso dos dias

.,
como o vento das searas
e a nuvem que esbate o céu

.
na onda que dissolve as noções de tempo
nos silêncios, na bruma da claridade

.
a abstracção de ontem
a última vez a ver o mar

em seu silêncio
.
o colapso do tempo
já hoje.

inédito

sexta-feira, 2 de abril de 2010

AROMA VIRGINAL


. -
Abraçar o acto no seu corpo, no seu leito,
soprar-lhe a leveza rosa dum aroma,
enquanto dorme em sonhos a substância desta vida
noutras vidas, ou noutros mundos de outras vidas.
.
Refazer a doçura tranquila das manhãs
interiores, o fio de luz que dá voz ao dia
por onde se estende o legítimo anseio das aves
,
e em gestos de outros rostos esbatidos
e uma pequena imagem de lembranças,
regressar à mágica simplicidade das origens,
a pureza chã, rústica, do aroma virginal.

.
Publicado em TRANSPARÊNCIAS, Ed. AJEA

segunda-feira, 29 de março de 2010

Dia de Graças

.

Festejemos este dia de graças, este sol
como um floco de neve despertando o inverno,

.
linha azul de luz sobre a terra
cumprindo os desígnios duma flor
no seu pólen de frescura,
para o berço virginal da vida!

.
Ah, festejemos este dia,
murmúrio de flautas e alegorias

.
ardência interior tranquilidade de ignorar
os ludíbrios, a intransigência do tempo

-

na sua peregrina missão
de dar-nos um dia de graças
para festejar um dia, numa vida!

.

inédito

quinta-feira, 25 de março de 2010

DO QUE EU GOSTO

.
Do que eu gosto é da chuva e do vento,
tremores de terra, relâmpagos
que enchem os céus de luz e dúvida,
e enlevo, pela extraordinária energia
que fez a vida dos bichos maiores
e dos bichos menores,
.
ah, como eu gosto das tempestades
de neve e de areia,
os vulcões a jorrar
as entranhas do magma!

Também gosto dos sóis violentos do sul,
as enxurradas do rio
trazendo a lama e o húmus,
as árvores e o inverno
antes da primavera doutras ervas.

O que eu não gosto é ver
meninos de áfrica de pés trucidados
por granadas
e bombas B 52,
napalm,
odeio.

O que eu gosto é do sabor violento
dos grandes temporais do mar
galgando a terra
com as suas enormes cores de frescura
e fantasia,
o frio árctico das montanhas
dum deserto árido,
no meio duma floresta tropical,
adoro.

domingo, 21 de março de 2010

PRIMAVERA

.

.

Madrugada

.

-

Pela manhã a luz

rompe a cinza

dos meus olhos.

.

Regressa a cor

do dia pleno.

.

É primavera

no chão

do velho sonho.



quarta-feira, 17 de março de 2010

POEMA AOS CAMINHOS DO MAR

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É nos caminhos do mar, na estrutura mutante
do seu programa de memórias, de murmúrios

é no testemunho da transparência das águas
na sua dimensão ecuménica, admirável
de unir o sangue e os bálsamos apetecíveis

que nos banhamos numa vertigem de ludíbrios
trazendo as neblinas e o cheiro forte da luz
de meridianos horizontes, uma voz bilingue
para as apetências da plenitude, do equilíbrio
instável da nossa instante intranquilidade.

E é pelo mar que nos vinculamos à terra
que entendemos o cheiro acre da terra
e seus crisântemos repletos de inocências
para o reanimar do nosso berço anfíbio
a praia onde havemos de viver e morrer.

inédito
Lagos, 2003

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

POESIA ILUSTRADA

Poesia Ilustrada # 9
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Em exposição o quadro terá as dimensões dum A 3.
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Acabado de executar em 24 de Fevereiro de 2010
.
* * *
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À ATENÇÃO DOS LACOBRIGENSES.
No próximo Sábado, dia 6 de Março, pelas 17 horas e 30,
será apresentado em Lagos, na Biblioteca Municipal,
o meu 18º livro de poesia "Viagem Através da Luz".
Sobre a obra e o autor dissertará
a Professora Maria Antónia Vargas.

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O livro foi originariamente apresentado na Livraria Barata, em Lisboa
e depois, pelo Doutor Vilhena Mesquita, no Pátio das Letras, em Faro.
Esse texto de apresentação, pode ser lido
aqui.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

A SEMENTE

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Aqueles que choraram nos desertos

da lonjura e do sal

.

aqueles que vieram dos desertos

e viram a cidade igual

.

aqueles que ficaram aonde havia a promessa

da vitória e do provir

.

foram todos juntamente dormir

o sono da paz

.

o sono da grande glória de ter sido

a semente da vitória e do provir.

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...em "Poemas Primeiros", reedição AJEA