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quinta-feira, 29 de abril de 2010

O SORTILÉGIO DA SARDINHA

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Diante da cidade havia um lago,

às vezes a espuma do mar bravio;

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eram pétalas de amendoeira

vogando à sorte,

imitando o branco do casario.

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Mas se o vento soprava brando

nos mastros rigorosos duma proa

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era um espelho bordado a prata,

mil escamas de sardinha

no ventre duma canoa.

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..........em "ALGARVE ONTEM", a publicar

quarta-feira, 11 de março de 2009

LAGAR DE AZEITE

















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Dizem do modesto ramo de oliveira a paz
e dizem-nos do seu ditoso fruto a luz
que iluminou as noites de reflexão dos gregos.
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Só por isto eu teria de louvar o puro azeite,
este lugar eleito, este lagar de azeite
onde a prensa arrebatava a flor dos fluídos
que dão perfil e força às veias da memória. 

Também nos dizem do primado do seu reino
de enfrentar o frio, a decrepitude, os rudes sóis
e nos proteger do estertor fatal da morte
graças à excelência dos seus delta colestróis.
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Mas mais que tudo pelo paladar, o gosto antigo
no bacalhau e noutros pratos celebrados,
na sardinha em lata como era nesse tempo,
na caldeirada, nas cavalas, nos charros alimados
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...Este poema e foto fazem parte do livro ALGARVE ONTEM