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domingo, 22 de maio de 2011
É A TERRA A MINHA PÁTRIA
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segunda-feira, 16 de maio de 2011
Façamos hoje o mesmo gesto
-
Façamos hoje o mesmo gesto delicado
dos nossos avós
.
em memória dos princípios que regem
o propósito antigo
de plantar uma árvore onde havia outra árvore
no chão que persiste
.
o projecto lhano do destino
de ir substituindo gerações por outras gerações
sobre a terra.
.
Façamos esse mesmo gesto delicado
em memória dos nossos avós
e do seu propósito antigo de reger-se
por processos que persistiram desde os antigos
.
que plantavam árvores para a ventura
de ver a terra coberta de flores e seus frutos
para seus filhos
,
filhos de seus gestos antigos dedicados
de ir plantando árvores
sobre a terra.
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terça-feira, 10 de maio de 2011
POEMA EM MAIO
.
Barcos de azul
lavrando o céu do mar
.
na cor da brisa
que a vela dá
ao vento
.
.
.
na plenitude
do cio
do tempo.
.
inédito
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terça-feira, 3 de maio de 2011
AROMAS
,
Cada palavra tem seu aroma
seu encanto
.
.
e seu reverso.
.
Depende das condições do tempo:
se em prosa
se em verso.
,
inédito
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quarta-feira, 27 de abril de 2011
CAMALEÃO
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sexta-feira, 1 de abril de 2011
UM POEMA
Em S. Paulo
,
Do meu livro "Por detrás das Palavras", recentemente publicado no Brasil, um poema.
.
Como não havemos de questionar este mundo,
as suas estrelas transgressoras, na aventura temível
de erigir uma flor e destruí-la com um bafo de vento
vindo duma ciência longínqua, um destino indecifrável?
.
É nestes fósseis da pedra, que se lê a impressão digital
dum crepúsculo, uma lâmina de vertigens breves,
ah, um deus ignorante da plenitude do amor terreno,
amor que não se esgota com a morte das espécies.
-
Como deveremos interpretar as manifestações
de apego à terra, dos humildes bichos da terra,
uma fogueira inextinguível que há-de ver-se ao longe
quando se apagarem os últimos restos do sol?
-
.
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domingo, 20 de março de 2011
A FLOR
.
A flor sobre o plano branco,
a palavra no meio doutras palavras brancas
de cores e chamas
.
ou o fruto maduro entre a folhagem
verde
.
novo de sabores ignorados
.
e aquelas mãos
o teu corpo de mulher entre as mulheres
o pano brando onde aprendo
a cor melhor das flores
e sabores.
-
em Soltos & Dispersos, 2º livro
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quinta-feira, 17 de março de 2011
EM S. PAULO
8º SARAU POÉTICO DO BECO DOS POETAS
20 de Março,
das 10hs ás 12hs.
Apresentação do livro
-
“POR DETRÁS DAS PALAVRAS”,
(esgotado em Portugal)
do poeta português Vieira Calado
-
E como sempre, é uma grande alegria
ver você lendo ou declamando sua poesia,
falando de suas conquistas literárias e compartilhando conosco.
Contamos com sua presença no Dia 20 de Março,
será um Domingo de alegria e muita Poesia,
você não pode faltar!
-
CEU Caminho do Mar
Av. Engº Armando de Arruda Pereira, 5.241- Jabaquara-SP
tel. 011-5021-2233
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quarta-feira, 9 de março de 2011
AS COISAS
.
Olho demoradamente as coisas
que me rodeiam.
.
Elas aí estão, paradas, em seu esplendor
de existir
no seu tempo de lugar absoluto.
.
Mas apenas consomem o tempo -
o meu questionar
no seu esplendor parado,
como um poema escrito
e nunca verdadeiramente entendido.
.
inédito
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quinta-feira, 3 de março de 2011
sonho
Adormeci a contar-lhe uma história.
-
Uma estória antiga da cidade
uma estória que ele diz que não conhece
mas vejo-o a sorrir
com um sorriso de menino embevecido
-
e só então vejo
que ele já morreu
.
mas no meu sonho
sorri como se ainda cá estivesse
ao ouvir aquela estória da sua cidade
como se ainda cá estivesse
como se ainda cá estivesse.
.
inédito
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
AS CORES DO POEMA - 2ª série
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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Expirados são os Prazos
.
Um dos poemas do meu livro
.
"Por detrás das Palavras"
.
.
(esgotado em Portugal)
,
a sair brevemente, em S. Paulo, no Brasil .
Expirados são os prazos, expostas estão as certezas
dos migrantes da terra direito às profundezas
- a nossa mais delicada reflexão.
É breve o juízo que fazemos das coisas. Breve
a matéria conhecida dos afectos, das dúvidas,
para deduzir equações inteligíveis.
Sofremos a candura dum olhar benévolo
por cada passo, por cada aceno de mão
dum outro viandante que se perde na estrada,
às escuras dum novo dia
e entendemos nessa predestinação a nossa luta.
Mas o caminho foi rasgado num golpe de vento
numa ravina cheia de indícios de fogo morto
num rio indolente que sabe o vigor do mar,
as rédeas dum chicote brandido à noite.
Percebemos o milagre violento dos magmas
por ver as cinzas jazidas nos corpos ardentes,
ao nascer da aurora inquieta das palavras.
Experimentamos o encolerizar das últimas
vozes da terra, nuas de desespero,
frias de lembranças destroçadas e acesas
pelo sal cristalizado num deserto de água.
Mas somos o nosso último pretexto para amar a terra
e os seus enigmas instintivos mas obscuros,
com que descrevemos a laboriosa seiva das árvores.
,
em "Por detrás das Palavras", Edição Beco dos Poetas, S. Paulo
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
OS CAMINHOS DA VIDA
-
Os caminhos da vida trazem-me indícios
dum silêncio por desvendar.
.
Na grande planície soa uma serenidade
sem bermas, como as iluminuras donde luz o sol
eterno olhando a terra com bonomia.
.
Será esse o segredo das grandes travessias
indiferentes à resolução dos mistérios extensivos
do pó que cobre as árvores desfeitas
em turfa, fósseis modelados por milénios?
-
Será esse o segredo que desconheço
ou ignoro, das vivências minúsculas dos seres simples
que apenas procuram um rastro de luz
para abençoar, cumprir os seus dias?
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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
SEM TÍTULO III
.
Tudo o que se ilumina se desfaz.
,
Só a água perdura
no seio do mar
.
como as palavras ditas
por dentro das palavras.
em "POEMETOS", livro II
em preparação
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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Poema aos Condenados
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Já não era possível voltar atrás,nem era possível fitar o caminho passado
com a alegria de o ter vencido.
.
Agora todo o arco do céu se recobria das suas cores nítidas
com fantasmas de luz fátua, constelações austeras,
andrómeda e hidra,
ainda o mesmo mistério obscuro
calava as serpentes de sedução que se enroscavam nas árvores,
à beira da mais pura lídima transgressora alegria.
.
As póstumas metáforas de sol dardejavam desejos imprecisos,
obsessões ímpias, espectros.
-
Soava uma melodia melancólica que anunciava o principio do fim,
como se ouvíssemos um piano moribundo indo para os graves.
-
Agora tudo se resumia a um espasmo de nocturnas
efémeras mariposas despedaçadas ao calor do dia claro,
amaldiçoando os regressos da luz,
a luz coada etérea das estrelas que para sempre brilham nos céus
e que espalham os seus ocasos imperceptíveis vagarosos,
nos olhos dos condenados.
.
Inédito
sábado, 22 de janeiro de 2011
AS CORES DIZEM O TEMPO
.As cores dizem o tempo,
.o granizo que embranquece as arestas do granito,
.o hortelã respirando pequenas flores de sabor a sul.
.Ó a antiga sapiência das árvores
.e dos caminhos
.e da plenitude nas planícies de verdura!
.Como não hei-de segredar o teu nome
.ó bonina de incenso, em noites de paixão,
.nos pântanos que parecem eternizar os teus segredos?
.És o pólen e a cegueira
.de espirais hipnóticas de paz e medo,
.em águas nascentes de musgo e de frescura.
.És a vertigem duns olhos feridos pelo orvalho
.das manhãs, ao cair da tarde
.e eu te invoco na busca dos limites
.que fazem o fascínio, a vigília perturbada
.do teu violoncelo tocando ao vento.
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