.......
Nas ladeiras procuramos a utopia
....que nivelou o chão das nossas vidas,
....o sol em promontórios procuramos
....para acalentar parábolas do amor.
....Procuramos a tranquilidade no delírio
....de interpretar enigmas perduráveis,
....mas o nosso destino alado só achamos
....na cerimónia dum beijo peregrino.
....Assim nos cercamos de águas frias
....caindo sobre a fronte desde a noite
....e morremos de mortes mal vividas
....pela vida que tivemos nos caminhos.
,
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
NAS LADEIRAS
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sexta-feira, 10 de setembro de 2010
sábado, 14 de agosto de 2010
SOMOS UM ARQUIVO
.
Somos um arquivo bucólico de memórias,
o mote rústico duma estrofe repetida
ecoada pelos vales, plena de sabores e sal
que transportamos pela vida, dentro do sangue,
e entretemo-nos na presunção de que cresçam
dos nossos actos as ervas regeneradas
pela primavera das vidas que perpassam.
Conservamos imagens bolorentas, baços
retratos de antepassados que mal conhecemos
talvez na esperança de que os nossos filhos
guardem os nossos, ou os venerem
e evoquem outros rastos de outras vidas,
entendam a frágil angústia que foi a nossa.
Elas são o espelho de cópias degeneradas
iguais à paisagem que adivinhamos na história
dos que por aqui passaram deixando lembranças
de outros dramas ou alegrias passageiras
iguais às que se avizinham no tempo que passa
por cima do grande mar que desponta os sóis.
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segunda-feira, 9 de agosto de 2010
DO QUE EU GOSTO
.
(Da autenticidade à metáfora)
.
Do que eu gosto é da chuva e do vento,tremores de terra, relâmpagos
que enchem os céus de luz e dúvida,
e enlevo, pela extraordinária energia
que fez a vida dos bichos maiores
e dos bichos menores,
,
ah, como eu gosto das tempestades
de neve e de areia,
os vulcões a jorrar
as entranhas do magma!
,
Também gosto dos sóis violentos do sul,
as enxurradas do rio
trazendo a lama e o húmus,
as árvores e o inverno
antes da primavera doutras ervas.
,
O que eu não gosto é ver
meninos de áfrica de pés trucidados
por granadas
e bombas B 52,
napalm,
odeio.
.
O que eu gosto é do sabor violento
dos grandes temporais do mar
galgando a terra
com as suas enormes cores de frescura
e fantasia,
.
o frio árctico das montanhas
dum deserto árido,
no meio duma floresta tropical,
adoro.
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quarta-feira, 4 de agosto de 2010
POEMETO
.....Poema ainda
........Ave e seta como a luz
........rasgando a bruma
.
.
........Lume sob a cinza
.
........Lume sob a cinza
........Liberta asa
........que o arco ainda tenso
.
..............em "A Palavra em Duas", 1982, esgotado
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sexta-feira, 30 de julho de 2010
APRESENTAÇÃO DE LIVRO
"BREVE HISTÓRIA DOS COMETAS"
.
![]() |
| Praia da Luz, ao entardecer : . |
.
O autor agradece a todos quantos me deram a honra de estar presentes,
e ao arq. Pedro Magalhães, Presidente da Junta de Freguesia da Luz,
sem o qual não teria sido possível esta apresentação,
na 1ª Feira do Livro, desta bonita vila do Concelho de Lagos.
na 1ª Feira do Livro, desta bonita vila do Concelho de Lagos.
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domingo, 25 de julho de 2010
segunda-feira, 19 de julho de 2010
O PASSADO ACENDE REMINISCÊNCIAS
.
- É a tarde a assomar os restos da tarde- Prosseguimos preservando o seu amparo .
O passado acende reminiscências
como reflexos de sol num lago inerte,
uma lâmina de frio ao soar das brumas
onde a luz se escoa sobre a terra chã.
a submergir as evocações derradeiras
de sal e cinza sobre o eco das sombras
num grande desassossego de memórias.
à beira das palavras ainda vivas na memória
e os nossos passos seguem no chão dizendo
o clamor da terra a reclamar seu pão.
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quarta-feira, 14 de julho de 2010
AS CORES DO POEMA
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sexta-feira, 9 de julho de 2010
POEMA A UM PARDAL
-
Quanto, pardalito,
comungas do meu tempo!
És meu irmão no espaço duma vida -
a minha e a tua vida
no tempo que é o nosso.
Por isso somos irmãos irrepetíveis
no espaço do tempo
que o tempo dá às nossas vidas.
Por isso, irmão,
de todos os que vivem o espaço que é o nosso,
eu te pertenço como me pertences
e todos nos pertencem
porque a todos pertencemos
e à terra ao céu e ao vento
do tempo
e do espaço do tempo irrepetível
e do espaço do tempo irrepetível
que é nosso!
.
8.7.2009
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viver o seu tempo.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
POEMA A UMA VELHA ÁRVORE
.
O perfil duma velha árvore enche-nos de alegria.,
A sua sombra traz-nos a presença tranquila da terra,
a forma da própria Terra, a sua frescura fraterna.
.
É uma pátria renovada de palavras anunciadas, lidas
nas vozes do rio, nas rotas do sol transbordante;
.
ela restitui os desvelos relembrados desde infância,
a cândida explicação dos perfumes pronunciados
noutros tempos imateriais, mágicos de plenitude;
.
traz a serenidade neutra, a harmonia dos outonos
na imagem dum rebanho que regressa pela tarde,
nas chuvas temporãs próprias do cheiro do barro,
a secular legítima ideia dum tecto restaurado;
.
organiza os enxames, une os sons do ar instável,
esvanece o orvalho vagaroso deslizante do corpo.
.
O colo duma velha árvore é o sonho duma criança
perpetuando a redobrada paz, e acende na água
rumorejante das fontes a sedução dos pássaros.
.
em Terrachã, ed. AJEA
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quarta-feira, 30 de junho de 2010
O Edifício da Palavra
--
........-..O edifício das palavras,
..........o projecto inerente à ideia
..........e aos degraus da leitura,
,
..........o processo linear dos sons
..........e dos afectos
.
..........um pouco de embriagues
..........para questionar as sombras e a luz
.
..........eis a explosão programada
.
..............o poema
.
..........a desobediência aos mistérios
..........no desassossego e na emoção
..........de dizer o indizível
.
..........à luz do dia.
.............................inédito
........-..O edifício das palavras,
..........o projecto inerente à ideia
..........e aos degraus da leitura,
,
..........o processo linear dos sons
..........e dos afectos
.
..........um pouco de embriagues
..........para questionar as sombras e a luz
.
..........eis a explosão programada
.
..............o poema
.
..........a desobediência aos mistérios
..........no desassossego e na emoção
..........de dizer o indizível
.
..........à luz do dia.
.............................inédito
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domingo, 20 de junho de 2010
COMECEI
Hoje comecei,
mas não ri
nem chorei.
.
Comecei
como se começa,
nem devagar
nem depressa.
.
Comecei
como se termina.
,
Começar e acabar
é mesma sina.
.
Não vale a pena ter pressa...
. .nem chorei.
.
Comecei
como se começa,
nem devagar
nem depressa.
.
Comecei
como se termina.
,
Começar e acabar
é mesma sina.
.
Não vale a pena ter pressa...
em "Poemas Primeiros". Ed. AJEA - (reedição)
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terminar,
valer a pena
terça-feira, 15 de junho de 2010
quinta-feira, 10 de junho de 2010
O MECANISMO DO VENTO
.
Entender o mecanismo do vento, o seu carácter transitório,
o caminho das pétalas duma flor sobre um vidro transparente
que reflecte a imagem do próprio frio do vidro colado ao tempo
o caminho das pétalas duma flor sobre um vidro transparente
que reflecte a imagem do próprio frio do vidro colado ao tempo
é um acto que pressupõe a elaboração cuidada dum inventário
das causas remotas, um roteiro para o exacto declive das águas
que vêm da montanha, coabitando na terra, unindo-se à terra.
das causas remotas, um roteiro para o exacto declive das águas
que vêm da montanha, coabitando na terra, unindo-se à terra.
Essa é a verdadeira ciência dos musgos e do pólen que alaga
os nossos olhos com círculos irisados de sol, que transfigura
o nome que se dá a uma maçã, mesmo se na forma duma pedra;
os nossos olhos com círculos irisados de sol, que transfigura
o nome que se dá a uma maçã, mesmo se na forma duma pedra;
e dessa textura é a frágil química dos sonhos, da predestinação
das noites caindo devagar sobre as nossas mãos demoradas,
a sua eterna transfiguração, o ciclo da água, o círculo do planeta.
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sábado, 5 de junho de 2010
Pedro Pedra
.
O que eu queria era ter sido Pedro
porque Pedro lembra a pedra, a concha
antiga, a tranquilidade da urze liberta
num cântico só de terra e de montanha.
.
Ela é feita de silêncios e sol,
a ressurreição do saber das horas
ausentadas do discurso das águas
num livro que persiste imperturbável.
.
Apenas olha os céus, não os observa
nem se imagina no acto de contemplar
as cores que ardem sob as estrelas
nas ruínas doutros limos sobre a praia.
.
O que eu queria era ter sido Pedro
porque, para arder no frio que passa,
árido e negligente aos sóis e aos sonos,
tanto faz uma rosa, como um silêncio.
.
em "Transparências", ed. AJEA
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domingo, 30 de maio de 2010
POEMETO
.
O que fui, ainda sou;
o que não fui, sempre quis ser.
É assim, este coração
a arder.
.
em POEMETOS II, a editar
terça-feira, 25 de maio de 2010
O SEGREDO DOS PÁSSAROS
O coração conhece o segredo dos pássaros,
a ânsia de horizontes para além do horizonte.
O segredo dos pássaros é uma centelha
de luz rebuscando a simplicidade duma vida
imagens móveis que alargam o nosso chão,
apenas em memórias difusas de exiguidade
e fantasmas de veludo passando mãos inertes
sobre o nosso rosto.
Ou labaredas azuis duma tarde quente
e o fio dum arco-íris
em suas cores de transparência e frio.
O coração conhece o segredo dos pássaros
e o seu degredo.
E eu apenas recomeço os trabalhos
da simplicidade da minha vida
e reconheço a sua exiguidade
guiada por horizontes de bruma.
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sexta-feira, 21 de maio de 2010
POEMA AO PAÍS
.
Por todas as razões o país afunda-se
pela míngua
pela sorte dos sem sorte
pela luz que se afoga ao fundo do
tempo
pelo frio
pela velocidade com que os sedimentos apenas se diluem
na mágoa
pelas histórias repetidas
da história
pelos números
pelas letras
pelo anti-ciclone dos açores
a arredar-nos dos restos do mundo
e principalmente por um ciclone numa seara verde
varrida pelo amarelo
.
Lagos, Maio de 2010
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domingo, 16 de maio de 2010
RUA SEM NOME
......Casas #3
.
Também há uma rua sem nome, na cidade:
um caminho obscuro, em laje de basalto
cheio de perplexidades e redundâncias,
com um arco-íris num dia sem sol
.
um caule tardio na incerteza dum pátio
ou a cicatriz duma lâmpada, no escuro
das casas disformes, desfeitas em barro.
.
É uma rua estreita habitada por sombras
de fogos extintos, numa transparência antiga
própria dos répteis que abalaram o planeta.
.
Não tem nome nem crisântemos às janelas,
é uma rota obstruída pelas ladeiras do sal
ponto de referência, aliás, da tranquilidade.
.
em "Causas de Habituação", a publicar
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sem nome
domingo, 9 de maio de 2010
terça-feira, 4 de maio de 2010
A VIDA
.
Não é senão a vida
o destino supremo da luz.
.
Por isso o coração procura as suas origens
o seu âmago
na madrugada dos sonhos
.
no brilho duns olhos
que emudece a clarividência
do que se vê nas sombras.
.
Por isso a tua vida
já vale pelo tempo da tua vida
pela luz que inundou os teus olhos
o esplendor que leste num grão de trigo.
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quinta-feira, 29 de abril de 2010
O SORTILÉGIO DA SARDINHA
.
Diante da cidade havia um lago,
às vezes a espuma do mar bravio;
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eram pétalas de amendoeira
vogando à sorte,
imitando o branco do casario.
.
Mas se o vento soprava brando
nos mastros rigorosos duma proa
.
era um espelho bordado a prata,
mil escamas de sardinha
no ventre duma canoa.
.
..........em "ALGARVE ONTEM", a publicar
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sábado, 24 de abril de 2010
POEMA A UMA DEUSA TERRENA
Poemas de amor # 2
.
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Que te cubram as folhas do plátano
quando a tarde esmaece nos jardins
a claridade gasta em fins de outubro.
Que sejas a mais solene a mais alta
nas lonjuras da abstracta serenidade
nas glórias do incenso na abnegação.
Que sejas a mais firme a mais ágil
nos desfiladeiros rudes da montanha
na transparência na nudez da água
na fortuna na mágoa alheia.
E que te cubram os mistérios até ao fim
na estrada por onde adoro o teu regaço:
a interior presença cintilante, encoberta,
das palavras que ressoam nos meus olhos.
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Que te cubram as folhas do plátano
quando a tarde esmaece nos jardins
a claridade gasta em fins de outubro.
Que sejas a mais solene a mais alta
nas lonjuras da abstracta serenidade
nas glórias do incenso na abnegação.
Que sejas a mais firme a mais ágil
nos desfiladeiros rudes da montanha
na transparência na nudez da água
na fortuna na mágoa alheia.
E que te cubram os mistérios até ao fim
na estrada por onde adoro o teu regaço:
a interior presença cintilante, encoberta,
das palavras que ressoam nos meus olhos.
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quinta-feira, 15 de abril de 2010
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....Hoje comecei,
.....mas não ri
....nem chorei.
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....Comecei
....como se começa,
....nem devagar
....nem depressa.
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....Comecei
....como se termina.
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....Começar e acabar
....é mesma sina.
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....Não vale a pena ter pressa...
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.......em "Poemas Primeiros". Ed. AJEA - (reedição)
....Hoje comecei,
.....mas não ri
....nem chorei.
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....Comecei
....como se começa,
....nem devagar
....nem depressa.
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....Comecei
....como se termina.
.
....Começar e acabar
....é mesma sina.
.
....Não vale a pena ter pressa...
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.......em "Poemas Primeiros". Ed. AJEA - (reedição)
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