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Dizem do modesto ramo de oliveira a paz
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Belo
é caminhar por entre o verde
saber que se ganha e que se perde
e ficar-se a sorrir, sempre.
Belo
é ver cair à volta o mundo
ouvir-se o lamento do moribundo
e ficar-se a rir eternamente.
Belo
é não pensar, não ler, fantasiar
e nas grandes noites
apenas sonhar, sonhar.
Belo
é o grande mar, o céu azul
e o doido que ri
sem saber o que quer ou o que não quer.
Mas o mais belo de tudo
é a mulher.
Todo o belo que existe cabe em si.
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em POEMAS PRIMEIROS (reedição)
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O tempo são estas asas sem memória,
um pássaro morto. Folhas ao vento
que discorrem sobre um discurso raso,
uma reminiscência de sulcos na praia,
numa praia vazia, cheia de ecos do mar.
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Estes muros são a nossa casa,
o modo austero de preservar
o tecto
onde encontrar um refúgio, o alento
para dizer as palavras indizíveis.
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Aqui coabitamos com as dúvidas
que escondem um instante efémero,
uma noção solene do nosso tempo breve
para discorrer sobre os acasos.
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Transpiramos as sombras espessas
que chegam depois da exígua claridade
ofuscando o brilho dos nossos olhos
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para que o amanhã de novo se construa
por cima dos nossos restos da luz morta.
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O frio
do frio dos dias
O frio
nas mãos vazias
O frio
nos olhos luz
O frio
chopin tocando
o frio
nos dedos quando
o frio
frio
chegando.
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em "O Frio dos Dias", 1980, esgotado
.
Os trabalhos da luz
explicam as sombras da luz.
Disfarçam o seu ardor íntimo
articulado em saberes próprios
da ausência da luz.
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E somos nós os destinatários
os eruditos
em suas mistificações
para encobrir
do eterno retorno dos séculos
e de outras criaturas
também ciosas de luz.
perpassando na bruma antiquíssima da montanha
e tinham o silêncio trémulo transparente das estrelas
que se extinguem ao clarim da aurora
Os teus olhos tinham a serenidade dos grandes dias
iluminando a cinza prateada das escarpas
na cor serena tranquila das memórias
que renascem ao clarim da aurora
Os teus olhos tinham o sussurro rumorejante das ervas
onde crescem os ventos ágeis da planície
a luz milenar da manhã primeira
que me acordou ao clarim da aurora.
.
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Sonhamos voar azul dos pássaros –
uma grinalda branca para enfeitar um rosto de mulher,
um cavalo de sangue lusitano no coração dum réptil.
De tempos a tempos desenterramos um diamante
dentro duma ostra
(que nunca nos pertence),
mas resistimos
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porque as águas caiem escorrendo sobre a fronte
porque a cidade se estende no interior
das árvores
porque as árvores se justificam na solidão dos ares.
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em "Transparências", ed AJEA, 1999
CIRCUNCICLO
....
I
por sobre todas as suas alucinações
e escombros
pelo delírio
que é a engrenagem fugidia do ar
e suas cores de incenso e fogo
pela vida e pela morte dos símbolos
e da roda simétrica de fortunas e ocasos
a roda que rola na roleta
o rolar lilás dum sonho.
Pela voraz decrepitude das formas
e suas deambulações sobre as águas
trazendo uma lágrima aos nossos olhos
e o esmorecimento ao fogo e ao incenso
que oscilou
entre a matéria e o frágil magistério
das essências
que povoam os ares
e que habitam o ardil das folhas das árvores
num rosto filtrando um raio de sol
uma migalha de luz
agitando o correr das águas
e se esbatendo sobre o limbo tranquilo
do rio
dentro do nosso sangue.
.
Pela veloz sincronia do tempo e das chuvas
chuvas de águas e pó
de vulcões ardendo no magma
interior dos nossos corpos
como um fogo emergindo das cinzas
cinza que fomos antes de ser fogo
anterior à ideia que temos do corpo
..
formatados ao rochedo da montanha
no móvel desafio das areias
e seduzidos à lama e ao barro
onde nascemos da afinidade do pó pelas águas
no seu ministério de construir ficções
de água e pó
.
e que fez antigas ânforas
de marinheiros e mitos
afundados no Egeu e em Creta
donde emergiram as nossas ficções
ou na longínqua noite
de ignoradas estrelas
que brilharam na infância do tempo
este é o homem que somos
um incêndio
desde a noite mágica dos sonhos
e como os deuses do barro caminhamos
por sobre o barro feito luz
o sonho dos deuses do barro que fomos
refeito em luz
no quotidiano ciclo dos fascínios
o fascínio de ir refazendo o quotidiano.
.
(...)
.
(excerto do 1º CANTO, dum poema de 518 versos)
inédito
...............Em plástico me embrulho
...............ou me plastifico;
...............e no meio do entulho
...............em plástico fico.
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...................em POEMETOS. I . (esgotado)
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...........................“Vista do espaço
..............................a Terra é azul”.
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.....Os poetas vivem na Lua.
.....Por isso amam a Terra
.....e escrevem poemas
.....ao seu azul infatigável.
As primeiras estrofes
do poema "Viagem através da Luz" (4.900 palavras),
,
Transitamos através da luz
somos a pura contemplação da luz
a linguagem o cinzel dum barco
em perpétuas lúdicas viagens
ao interior dum mapa
e os nossos olhos acendem as manhãs
ébrios pela plenitude das manhãs
na linguagem alada dos sentidos e das seivas
buscam o segredo subterrâneo da alegria
por onde se estende o seio dos rios
as ervas que ecoam pelos caminhos claros.
São a nossa mais delicada ansiedade
mas também a nossa paixão as suas divagações
pelo oculto obscurecido dos olhos
que ignoram o modo sereno da luz e do pó
ou as imagens que fixam os contornos do tempo
em figuras intemporais seduzidas
pela linguagem das águas, o caos
do rumor do vento
na dimensão do céu animado pelo voo das aves.
E são os contornos da paisagem o nosso mundo
a nossa dedicada veneração
este modo quase ausente de persistir
na busca de formas transcendentes
de imagens de modelos de palavras
gémeas do abstracto imaginário dos nossos olhos
.
por onde guiaremos os passos
nas veredas insondáveis
da luz que se acende e apaga
a nossos pés
dentro de nós mesmos.
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-(...)