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quarta-feira, 11 de março de 2009

LAGAR DE AZEITE

















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Dizem do modesto ramo de oliveira a paz
e dizem-nos do seu ditoso fruto a luz
que iluminou as noites de reflexão dos gregos.
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Só por isto eu teria de louvar o puro azeite,
este lugar eleito, este lagar de azeite
onde a prensa arrebatava a flor dos fluídos
que dão perfil e força às veias da memória. 

Também nos dizem do primado do seu reino
de enfrentar o frio, a decrepitude, os rudes sóis
e nos proteger do estertor fatal da morte
graças à excelência dos seus delta colestróis.
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Mas mais que tudo pelo paladar, o gosto antigo
no bacalhau e noutros pratos celebrados,
na sardinha em lata como era nesse tempo,
na caldeirada, nas cavalas, nos charros alimados
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...Este poema e foto fazem parte do livro ALGARVE ONTEM

domingo, 8 de março de 2009

HOMENAGEM À MULHER

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Belo

é caminhar por entre o verde

saber que se ganha e que se perde

e ficar-se a sorrir, sempre.

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Belo

é ver cair à volta o mundo

ouvir-se o lamento do moribundo

e ficar-se a rir eternamente.

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Belo

é não pensar, não ler, fantasiar

e nas grandes noites

apenas sonhar, sonhar.

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Belo

é o grande mar, o céu azul

e o doido que ri

sem saber o que quer ou o que não quer.

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Mas o mais belo de tudo

é a mulher.

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Todo o belo que existe cabe em si.

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em POEMAS PRIMEIROS (reedição)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

POEMA AO TEMPO

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O tempo são estas asas sem memória,

um pássaro morto. Folhas ao vento

que discorrem sobre um discurso raso,

uma reminiscência de sulcos na praia,

numa praia vazia, cheia de ecos do mar.

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em "Por detrás das Palavras", ed Mic, 2002

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

POEMA À CASA

casas# 4
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Estes muros são a nossa casa,

o modo austero de preservar

o tecto para as chuvas e o vento,

onde encontrar um refúgio, o alento

para dizer as palavras indizíveis.

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Aqui coabitamos com as dúvidas

que escondem um instante efémero,

uma noção solene do nosso tempo breve

para discorrer sobre os acasos.

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Transpiramos as sombras espessas

que chegam depois da exígua claridade

ofuscando o brilho dos nossos olhos

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para que o amanhã de novo se construa

por cima dos nossos restos da luz morta.

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- em "Causas de Habituação", em preparação


sábado, 31 de janeiro de 2009

O FRIO DOS DIAS


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O frio

do frio dos dias

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O frio

nas mãos vazias

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O frio

nos olhos luz

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O frio

chopin tocando

-

o frio

nos dedos quando

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o frio

frio

chegando.

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em "O Frio dos Dias", 1980, esgotado

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

OS TRABALHOS DA LUZ

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Os trabalhos da luz

explicam as sombras da luz.

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Disfarçam o seu ardor íntimo

articulado em saberes próprios

da ausência da luz.

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E somos nós os destinatários

os eruditos

em suas mistificações

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para encobrir a evidência

do eterno retorno dos séculos

e de outras criaturas

também ciosas de luz.

inédito

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

OS TEUS OLHOS

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Os teus olhos perpetuavam a lembrança dos grandes rios

perpassando na bruma antiquíssima da montanha

e tinham o silêncio trémulo transparente das estrelas

que se extinguem ao clarim da aurora

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Os teus olhos tinham a serenidade dos grandes dias

iluminando a cinza prateada das escarpas

na cor serena tranquila das memórias

que renascem ao clarim da aurora

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Os teus olhos tinham o sussurro rumorejante das ervas

onde crescem os ventos ágeis da planície

a luz milenar da manhã primeira

que me acordou ao clarim da aurora.

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

AZUL DOS PÁSSAROS

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Sonhamos voar azul dos pássaros –

uma grinalda branca para enfeitar um rosto de mulher,

um cavalo de sangue lusitano no coração dum réptil.

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De tempos a tempos desenterramos um diamante

dentro duma ostra

(que nunca nos pertence),

mas resistimos

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porque as águas caiem escorrendo sobre a fronte

porque a cidade se estende no interior

das árvores

porque as árvores se justificam na solidão dos ares.

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em "Transparências", ed AJEA, 1999

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

POEMA LONGO

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CIRCUNCICLO

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I

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Por toda a terra

por sobre todas as suas alucinações

e escombros

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pelo delírio

que é a engrenagem fugidia do ar

e suas cores de incenso e fogo

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pela vida e pela morte dos símbolos

e da roda simétrica de fortunas e ocasos

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a roda que rola na roleta

o rolar lilás dum sonho..


Pela voraz decrepitude das formas

e suas deambulações sobre as águas

trazendo uma lágrima aos nossos olhos

e o esmorecimento ao fogo e ao incenso

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na casualidade dum átomo

que oscilou

entre a matéria e o frágil magistério

das essências

que povoam os ares

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e que habitam o ardil das folhas das árvores

num rosto filtrando um raio de sol

uma migalha de luz

agitando o correr das águas

e se esbatendo sobre o limbo tranquilo

do rio

dentro do nosso sangue.

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Pela veloz sincronia do tempo e das chuvas

chuvas de águas e pó

de vulcões ardendo no magma

interior dos nossos corpos

como um fogo emergindo das cinzas

cinza que fomos antes de ser fogo

anterior à ideia que temos do corpo

..

formatados ao rochedo da montanha

no móvel desafio das areias

e seduzidos à lama e ao barro

onde nascemos da afinidade do pó pelas águas

no seu ministério de construir ficções

de água e pó

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e que fez antigas ânforas

de marinheiros e mitos

afundados no Egeu e em Creta

donde emergiram as nossas ficções

ou na longínqua noite

de ignoradas estrelas

que brilharam na infância do tempo

..

este é o homem que somos

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um incêndio

desde a noite mágica dos sonhos

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e como os deuses do barro caminhamos

por sobre o barro feito luz

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o sonho dos deuses do barro que fomos

refeito em luz

no quotidiano ciclo dos fascínios

o fascínio de ir refazendo o quotidiano.

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(...)

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(excerto do 1º CANTO, dum poema de 518 versos)

inédito

sábado, 27 de dezembro de 2008

poema em plástico

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...............Em plástico me embrulho

...............ou me plastifico;

...............e no meio do entulho

...............em plástico fico.

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...................em POEMETOS. I . (esgotado)




segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

POEMA DE NATAL

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Naquela noite fazia frio fazia pena
ver almas despedaçadas deitadas corpos entrouxados
dispersos nas calçadas luzidias do passeio das ruas
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Caía uma névoa fina que simulava chuva punhais
de raiva e resignação ou antes uma levada de mágoa
de murmúrios sem data sem fumo sem restos de cio
perdidos num mar de pedras nas calçadas da rua
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Era uma noite de claustros tambores rufando clamando
os clamores da vida a náusea descrente na boca sofrida
o granito fundido já duro das lutas perdidas
pisado nos ossos nos ombros nos olhos que olham
as coisas por fora nas coisas por dentro
e as noites nos dias e os búzios na praia sem vento
soprando as pedras do passeio da rua
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Doía a quem doía não fora a noite uma noite
de aprazimento em todas as aldeias da cidade
tempo de alegrias acepipes farturas alvarinho
em casas abastadas sobranceiras aos passeios da rua
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o mais vago grave desígnio dum oráculo de plenitude
na inocência das crianças nas crenças na sentença
dos mecanismos que levam ao enternecimento
por ver a chuva a cair sobre corpos alheios
prostrados enrodilhados no manto do passeio das ruas.
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sexta-feira, 21 de novembro de 2008

POEMA EM NOVEMBRO

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POSTAIS ILUSTRADOS # 6
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Clique para melhor ler
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a luz breve escoando os restos do vidro
a luz leve moendo a cânfora dos olhos
a luz neve abrindo o pântano do sol
 

terça-feira, 4 de novembro de 2008

POEMA À LUA

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...........................“Vista do espaço

..............................a Terra é azul”.

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.....Os poetas vivem na Lua.

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.....Por isso amam a Terra

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.....e escrevem poemas

.....ao seu azul infatigável.


quarta-feira, 29 de outubro de 2008

VIAGEM ATRAVÉS DA LUZ

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As primeiras estrofes

do poema "Viagem através da Luz" (4.900 palavras),

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Transitamos através da luz

somos a pura contemplação da luz

a linguagem o cinzel dum barco

em perpétuas lúdicas viagens

ao interior dum mapa

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e os nossos olhos acendem as manhãs

ébrios pela plenitude das manhãs

na linguagem alada dos sentidos e das seivas

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buscam o segredo subterrâneo da alegria

por onde se estende o seio dos rios

as ervas que ecoam pelos caminhos claros.

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São a nossa mais delicada ansiedade

mas também a nossa paixão as suas divagações

pelo oculto obscurecido dos olhos

que ignoram o modo sereno da luz e do pó

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ou as imagens que fixam os contornos do tempo

em figuras intemporais seduzidas

pela linguagem das águas, o caos

do rumor do vento

na dimensão do céu animado pelo voo das aves.

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E são os contornos da paisagem o nosso mundo

a nossa dedicada veneração

este modo quase ausente de persistir

na busca de formas transcendentes

de imagens de modelos de palavras

gémeas do abstracto imaginário dos nossos olhos

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por onde guiaremos os passos

nas veredas insondáveis

da luz que se acende e apaga

a nossos pés

dentro de nós mesmos.

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-(...)