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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
POEMA ILUSTRADO
sábado, 30 de janeiro de 2010
ALGARVE ONTEM
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Contemplemos esta imagem, esta barca doutros séculos,
essas personagens concretas que viveram outras vidas,
outras balbúrdias de céus e mar, sob o tecto exíguo
dum amanhecer limpo de comparanças a outros tempos
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navegando a sóis e luas, ventos de sueste a norte
e marés de angústia ou fé na crença dos presságios
que liam nas cores inscritas em sinais do céu nocturno
ou búzios que luziam promessas de corvinas e robalos.
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Contemplar esta imagem é navegar estas águas, a crença
que presidia aos destinos, para sempre desprendidos
duma onda que veio de longe aqui morrer, junto à praia
onde se extingue a luz que desce devagar sobre os olhos.
O livro terá um Prefácio de Vilhena Mesquita, Professor da UAlg
e Notas Etnográficas de Brazão Gonçalves (o autor do Dicionário do Falar Algarvio)
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
domingo, 17 de janeiro de 2010
Nesse tempo
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No tempo em que as crianças aprendiam a desenhar
um jarro de água em cima da mesa,
uma árvore rodeada de promessas
num carrinho em madeira feito com as próprias mãos
para conquistar a distância e as manhãs
nesse tempo
havia uma grande luminosidade nos ares
uma ânsia encoberta no coração dos dias
e um rio corria limpo dos olhos das crianças.
A noite que se via no olhar do caminheiro
era uma seta apontada ao futuro
e o destino era uma promessa de espigas loiras
de trigo plantadas na cidade
das grandes luzes para afugentar a noite.
Nesse tempo havia uma palavra nunca dita
a dar corpo à raiz dos corações,
porque o caminheiro havia de ter uma árvore
desenhada por uma criança
enfeitada de palavras, numa rua da cidade.
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inédito
sábado, 9 de janeiro de 2010
Aos Amigos de Faro e imediações - exposição e apresentação de livro

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rua Cândido Guerreiro, nº 26/30 em Faro (ao Mercado Municipal)
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
PAISAGEM
Percorro esta paisagem com os olhos
e vejo grandes árvores perfiladas contra o vento,
mas o vento é a luz que esvanece nos meus olhos
as árvores que não vejo como vejo ou imagino.
Nos meus olhos há florestas
ervas que se erguem para ser árvores
no seio interior da paisagem,
esta paisagem que eu percorro com os olhos.
E é esse o caminho liberto a esvoaçar em bandos de aves
que vêm de longe, donde o vento sopra
o ânimo dum milagre feito mágica
de azuis e verdes no cinzento da minha terra.
inédito
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
POESIA VISUAL /EXPERIMENTAL
sábado, 26 de dezembro de 2009
POEMA À MINHA VIDA
um golpe de vento o que eu penso ser um golpe de vento.
Vejo no vaivém das ondas apenas a ligeireza das ondas,
a mesma sensualidade das areias que arrastam o vento
e por ele se deixam arrastar numa profunda comunhão
como a água que cai sobre as águas, sem angústia.
E nunca me arrependo de olhar o azul, fazer um gesto
de vigiar o céu, à procura duma estrela imperturbável
apenas a dizer que está ali, longe, contemplando a terra.
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.em Transparências, ed. AJEA
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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
POEMA DE NATAL
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
JARDIM
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Faz-me falta uma janela que dê para o jardim
para que eu possa ver um jardim
quando vou à janela.
Assim fosse a predestinação dos meus olhos.
Assim escusava de levar esta vida
a desejar uma janela
que apenas imagino e vejo
com o jardim abstracto de meus olhos.
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Dez 2009
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
PEDRA DA PROMISSÃO
Novo e novo e sempre igual
o dia de amanhã
tece fantasmas no écran.
Pode chover dias e dias a fio
como as folhas no Outono,
pode sentir-se o frio das palavras sólidas
como a única certeza do condenado,
podem mesmo aparecer sinais no céu
a dizer que não há nada
que o poeta
atento e absorvido
sonha sonhos e impérios de sonhar
e espera pelo dia prometido.
em Poemas Primeiros (reedição)
sábado, 5 de dezembro de 2009
sábado, 28 de novembro de 2009
POEMA AO AMOR
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A colectânea "A Traição de Psiquê" vai ser apresentada na Biblioteca Municipal de Gondomar, no dia 5 de Dezembro, pelas 16 horas, no âmbito de uma tertúlia de poesia do amor e do erotismo, organizada pela ARGO – Associação Artística de Gondomar, entidade promotora do IV Prémio Nacional de Arte Erótica.
O júri de apreciação foi constituído por Henrique Monteiro (professor, poeta), Paulo Melo-Lopes (psicólogo, escritor) e Alzira Cavalheiro (professora, pintora).
Foram apreciados 102 textos de 45 autores tendo sido seleccionados 70 textos de 37 autores. O livro tem cerca de 90 páginas.
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A minha participação foi com o poema que segue, mas, dada a enorme distância, não vou estar presente:
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........."Ich traümte von Lieb’ um Liebe"
........Wilhelm Müller
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....Amor que amei amando o amor
....amor à terra ao mar e à vida
....que só de amor amando, amamos
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....Amor que amei amante .- amor
....amor por ti por tudo e mim
....amor ardor de amor.
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....Amor que ainda amo sem amar
....que a tudo - à terra ao mar e à vida
....amar amando amei de amor.
.Todas as complementares informações sobre o livro, podem ser obtidas aqui
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
O MÁRMORE
O mármore,
o escopro modelar
acariciando as formas ideadas -
a maternidade feita vida
numa pedra.
Sopro de helénicas
indústrias da perfeição
de olhar uma deusa nua
banhando-se
no Éden deste mundo!
Serena descrição do amor
ó grito abrindo a alma
para repensar a utopia
na pureza branca
duma pedra.
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inédito
terça-feira, 17 de novembro de 2009
EXERCÍCIO DE LEITURA
Li
nos teus olhos
li
ah... isso li!
Ai, o que eu li
nos teus olhos
Lili!...
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
REPOSIÇÃO
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Uma casa em pedra
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Uma casa em pedra é um lugar onde se fabricam
os utensílios mais fraternos, talvez o lugar próprio
para descobrir a nossa vocação para plantar lírios
à beira das veredas, no caminho interior do lar.
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Nela se redescobre a teimosa mão do poder das cinzas
à lareira, um jarro de água sobre a mesa, o pão amassado
na véspera, ante o alvoroço anónimo das crianças
ao odor das leveduras ainda frescas, transfiguradas.
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Dentro das pedras se erguem as vozes vindas da planície
como se viessem da própria casa, do mais íntimo da terra,
misturando-se o apelo das águas e as narrativas
de animais nocturnos, obscuros, na fronte das montanhas.
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E é daí que se lê a premonição das estrelas circundando
o destino de ervas e bichos que se fundem aos processos
por onde o vento soa, geométrico, um tempo sem data,
uma verdadeira abstracção de objectos nus, imaginários.
Agora veja aqui como a amiga Eliane do blog ,
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
POEMA À 5ª SINFONIA DE BEETHOVEN
Beethoven #1
.......................................Ao Artur Neira
Foi da primeira vez
que ouvi o tam tam tam tam de Beethoven
era eu criança ainda nada
conhecia da pomba sob o cipreste
nem de dores de dentes nem da dor de Dante
muito menos da dor diante.
Foi como eu se fosse o estado puro
dum cristal que tinisse no interior duma redoma
de dentro para dentro de si próprio
de dentro para dentro do próprio cristal
da primeira vez que ouvi Beethoven
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era eu criança ainda nada conhecia dos pátios de Granada
nem de ananases redondos do Vietnam,
só sabia um pouco do sabor do sol e do sal
que trinta anos mais tarde em Londres
descobri mediterrânico.
E no entanto
o sangue acendeu-se-me de pólvora
– uma catedral cheia de formigas
no sítio dito da habitação da alma,
os músculos retesaram-se-me como a um cro-magnon
meditando um búfalo em Altamira
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e fiquei a vida inteira a imaginar um homem surdo
atulhado em raízes de liamba
a cheirar fumo pelos tímpanos dos olhos.
em Como um Relógio de Areia
domingo, 25 de outubro de 2009
FLORES DE OUTONO
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Agora vou reclinando o corpo
entre a terra e as estrelas.
O espaço é breve
para a brisa do mar
que ainda soa.
E no entanto,
adormeço
no meu sonho,
sereno de harmonias
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incendiando o fino pó
da terra
com estas flores violentas,
exíguas, do outono.
sábado, 17 de outubro de 2009
AGRADECIMENTO
Quero agradecer a todos os que estiveram presentes
no lançamento de
Viagem Através da Luz
(em especial aos amigos da blogosfera)
e também aos que me têm vindo a pedir,
directamente,
o livro.
Começo a enviá-los, na próxima semana.
BEM HAJAM!
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quarta-feira, 7 de outubro de 2009
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
A NOSSA CASA
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A nossa casa é um lugar ao vento, mas buscamos
o absoluto, a bárbara verdade duma onda sobre a praia.
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Tudo nos pertence porque guardamos na memória
os restos do apego às coisas que tivemos, os gestos
de gratidão que vimos no coração dos dias violentos.
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Esta época não é a nossa. Subverte os conceitos
do ânimo, os desígnios legítimos de plenitude.
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Mas por isso ainda somos a centelha que arde devagar
na paisagem estreita de árvores estóicas, em momentos
de tempestade, na consciência das opções sublevadas.
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em "Transparências", ed. AJEA
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
SEM TÍTULO (3)
Oh, ...dai-me exactamente
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a noção exacta da cratera
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a ver se eu consigo... etc... etc....
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quarta-feira, 23 de setembro de 2009
EXCERTO de "VIAGEM ATRAVÉS DA LUZ"
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" VIAGEM ATRAVÉS DA LUZ"
é um só poema de 60 páginas (918 versos),
e vai ser apresentado na Livraria Barata,
na Avª de Roma, em Lisboa, no dia 15 de Outubro,
pelas 18 e 30.
Tem a chancela das Edições Papiro.
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(Um excerto do poema)
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Transitamos através da luz
somos a pura contemplação da luz
a linguagem o cinzel dum barco
em perpétuas lúdicas viagens
ao interior dum mapa
e os nossos olhos acendem as manhãs
ébrios pela claridade das manhãs
na linguagem alada dos sentidos e das seivas
buscam o segredo subterrâneo da alegria
por onde se estende o seio dos rios
as ervas que ecoam pelos caminhos claros.
São a nossa mais delicada ansiedade
mas também a nossa paixão as suas divagações
pelo oculto obscurecido dos olhos
que ignoram o modo sereno da luz
ou as imagens que fixam os contornos do tempo
em figuras intemporais seduzidas
pela linguagem das águas
pelo rumor do vento
na dimensão do céu animado pelo voo das aves.
E são os contornos da paisagem o nosso mundo
a nossa dedicada veneração
este modo quase ausente de persistir
na busca de formas transcendentes
de imagens de modelos de palavras
gémeas do abstracto imaginário dos nossos olhos
.
por onde guiaremos os passos
nas veredas insondáveis
da luz que se acende e apaga
a nossos pés
dentro de nós mesmos.
(...)





